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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Musicando - Amália Hoje

O álbum «Amália Hoje», que transforma em canções pop alguns fados conhecidos de Amália Rodrigues, pretende mostrar o «passado tremendo» de «uma artista pop em todo o seu esplendor», disse o autor do projecto, Nuno Gonçalves.

O disco só sairá no final de Abril, mas foi apresentado quarta-feira na íntegra, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, numa sessão que contou com a participação dos músicos que integram o grupo Hoje, criado propositadamente para este projecto: Nuno Gonçalves e Sónia Tavares, dos The Gift, Fernando Ribeiro, dos Moonspell, e Paulo Praça, dos Plaza.

Na audição integral do álbum, ficou a saber-se que «Amália Hoje» apresenta nove fados, a maioria com música que Alain Oulman compôs para Amália, com letras de poetas portugueses, como «Abandono» (David-Mourão-Ferreira), «Fado Português» (José Régio), «Gaivota» e «Formiga Bossa Nova», ambos de Alexandre O´Neill. Há ainda «Nome de Rua», de Alain Oulman, com poema de David Mourão-Ferreira, o tema francês «L´Important C´est La Rose», de Gilbert Becaud e que Amália cantou em francês, «Grito», que a fadista escreveu com música de Carlos Gonçalves e, a fechar, «Foi Deus», de Alberto Janes.

Musicalmente, não há praticamente nada que ligue estes temas aos fados que ficaram conhecidos na voz de Amália Rodrigues. Não há guitarras portuguesas, os arranjos assemelham-se à sonoridade dos The Gift, com a presença de orquestrações densas, de intensidade em crescendo e de apontamentos electrónicos a marcarem a cadência rítmica.

Destaque para «Formiga Bossa Nova», que Fernando Ribeiro interpretou num registo melódico que o afasta completamente da imagem de vocalista da banda heavy metal Moonspell. Já «Fado Português» e «Foi Deus», interpretados sobretudo por Sónia Tavares, vivem da forte presença de instrumentos de cordas, com a participação da London Session Orchestra.

Nuno Gonçalves, autor dos arranjos e da direcção musical, explicou que a intenção do projecto era mostrar algo «de novo e de diferente», mostrar Amália «com mais cor do que nunca» e que, como artista internacional, existiu para além do fado. «A nossa missão era sermos fiéis àquilo que achamos serem as nossas influências modernas da estrutura pop/rock, cantar em português e, de alguma forma, não ter medo de desrespeitar a obra e esse é o segredo, ter um pé na tradição e não ter problemas de mudar a cor», explicou. «Acho que Portugal nunca entendeu bem o que ela foi e se este disco, com a modernidade que transmite, puder fazer isso em 2009 e dez anos depois de ter morrido, acho que já é uma missão cumprida», rematou o músico.

Os três vocalistas dos Hoje referiram que aceitaram participar no projecto com a relutância inicial de quem não sabia interpretar os fados e muito menos entrar no universo de Amália Rodrigues, mas o resultado final demonstrou ser «tradicionalmente moderno», disse Paulo Praça. «Achei sempre que não conseguia, porque o registo da voz da Amália é muito diferente do meu», disse Sónia Tavares, mas, à medida que a cantora entrou no ambiente musical do projecto, encontrou o tom pop que Nuno Gonçalves pretendia e perdeu «o medo de dar voz à senhora dona Amália».

«Amália Hoje» será editado a 27 de Abril pela La Folie, editora criada pelos The Gift, e pela Valentim de Carvalho Multimédia, e poderá ser transposta para o palco, embora não haja qualquer data marcada. «Vai ser inevitável, mais cedo ou mais tarde, levarmos os Hoje para o palco e para a estrada. Não sabemos se isso vai acontecer ou não, mas quando as coisas saem bem necessitam de continuar e a continuação deste projecto, sem dúvida, serão os concertos ao vivo«, disse Fernando Ribeiro.

Lusa

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cinema - Amália

O filme estreia hoje e a polémica também, como se pode ler no sítio do Público:

"Amália - O Filme", de Carlos Coelho da Silva, que chega amanhã a 66 salas de cinema portuguesas, tem um argumento que “deturpa grosseiramente a realidade”, declararam hoje, em comunicado, as irmãs e sobrinhos de Amália Rodrigues. Na nota, os familiares pedem “desculpa” pelo filme da VC Filmes, que é a maior estreia de uma produção português em sala.
A família, que tentou impedir a realização e estreia do filme através de uma providência cautelar à qual o tribunal deu parecer negativo, quis desta forma declarar que a obra “não retrata com verdade nem a personalidade de Amália, nem a personalidade dos seus familiares, nem tão pouco as suas vidas”.
O filme, co-produzido pela RTP e que custou perto de três milhões de euros (e terá distribuição em cerca de 20 países), retrata a vida da fadista desde a infância ao ano de 1984, quando ponderou o suicídio após lhe ter sido diagnosticado um tumor. No retrato fílmico da sua infância, passada em Lisboa e separada dos pais e irmãos, é evidenciado o papel do avô e, anos mais tarde, a censura e amargura da mãe perante a carreira de Amália, interpretada por Sandra Barata Belo.
“A relação familiar que é mostrada entre Amália e a mãe é completamente falsa”, disse ao PÚBLICO Diogo Varela Silva, sobrinho-neto da fadista. “Ela aprendeu a cantar com a mãe, que sempre a incentivou, e no filme parece que a mãe odiava ouvir a Amália cantar. Eu tenho cassetes antigas em que elas cantam juntas”.
A família assistiu ao filme com o juiz e os advogados na sequência do pedido de providência cautelar. “Nunca pagaria dinheiro para ver aquilo”, afirma Diogo Varela Silva. Os familiares de Amália ficaram também chocados com a forma como a personagem fala, num tom que, garante o sobrinho-neto, não corresponde à realidade. “Ela nunca foi uma mulher brejeira, antes pelo contrário. Nunca ninguém a ouviu dizer um palavrão”.
Outro dos eixos do filme, que tem 127 minutos e foi rodado este Verão em mais de 85 cenários e 45 locais diferentes, é uma paixão platónica entre a fadista e o banqueiro Ricardo Espírito Santo (António Pedro Cerdeira). A família nega veementemente que a relação com Ricardo Espírito Santo tenha existido “pelo menos ao nível em que é posta no filme”. “Não sei como se pode ficcionar assim a vida de uma pessoa”, conclui o sobrinho-neto da fadista, que considera o filme “degradante para a imagem” de Amália.
Os familiares não conseguiram impedir o filme de estrear, mas continuam “a estudar a situação com os advogados”. Entretanto, a produção inaugural da VC Filmes será distribuída na China, Holanda, Bélgica, Emirados Árabes Unidos, Egipto e Arábia Saudita, entre outros. Em 2009, dez anos após a morte da fadista, Amália passa na RTP como mini-série de dois episódios.

Joana Amaral Cardoso e Alexandra Prado Coelho

sábado, 29 de novembro de 2008

Cinema - Amália

O filme «Amália», de Carlos Coelho da Silva, chega quinta-feira a 66 salas de cinema portuguesas e tem garantida distribuição em cerca de vinte países, sendo a maior estreia de um filme português, segundo a produtora VC Filmes.
O filme, apresentado como uma biografia ficcionada da fadista Amália Rodrigues, custou cerca de três milhões de euros, foi rodado este Verão e contou no elenco com mais de 40 actores e 1300 figurantes.
A jovem actriz Sandra Barata Belo foi a escolhida para encarnar a diva do fado numa história que abrange a vida de Amália Rodrigues desde a infância, quando se separa dos pais para ir viver para Lisboa, até à tentativa de suicídio em Nova Iorque, em 1984, ao saber que lhe tinha sido diagnosticado um tumor.
Do elenco fazem ainda parte, alguns deles com aparições fugazes, Carla Chambel, Ricardo Carriço, Ricardo Pereira, António Pedro Cerdeira, José Fidalgo, Ana Padrão, Maria Emília Correia, André Maia, João Didelet, Sofia Grillo, Lourdes Norberto, António Montez, Leonor Seixas, Mariana Monteiro e Natália Luíza.
O argumento é de Pedro Marta Santos e de João Tordo e a ideia do filme partiu de Manuel Fonseca, um dos fundadores da Valentim de Carvalho Filmes, que se estreia no cinema com esta longa-metragem.
As filmagens decorreram em mais de 85 décors e em 45 locais diferentes, para recriar cenas de época e locais onde Amália viveu e actuou, como o Olympia, de Paris, e o Brasil, onde viveu.
Todos os 22 fados interpretados no filme foram restaurados e remasterizados a partir dos originais interpretados por Amália. A banda sonora inclui ainda composições originais de Nuno Maló.
Além de se estrear em 66 salas portuguesas, o filme tem já garantida distribuição internacional, em países como China, Holanda e Bélgica, onde Amália Rodrigues fez sucesso.
Também está garantida a estreia no Médio Oriente, da Arábia Saudita ao Egipto e aos Emirados Árabes Unidos, onde a fadista foi comparada à diva da canção árabe Umm Kholtoum.
Em 2009, quando se assinalarem dez anos da morte de Amália Rodrigues, o filme será exibido numa mini-série na RTP de dois episódios de 90 minutos.

Lusa