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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nomeando - UNESCO

O "nosso" Luís Amado indicou a Manuel Maria Carrilho que o voto português para o novo secretário-geral da UNESCO deveria ser no egípcio Farouk Hosny, um defensor da censura e ministro de um regime ditatorial, conhecido também pelas suas posições racistas anti-judaicas. É a realpolitik e é a minha repulsa e nojo por esta tomada de posição do governo português.
Dignidade senhores, exige-se dignidade...


Transcrevo abaixo mais informação sobre este assunto que a todos nós deve preocupar!

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre apelou hoje ao primeiro-ministro, José Sócrates, para que Portugal altere o seu voto na eleição do secretário-geral da UNESCO, abdicando do apoio ao candidato egípcio Farouk Hosny, considerado um radical anti-judeu.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Alegre manifestou a sua solidariedade com o embaixador português na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, que recusou as instruções do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, no sentido de votar no egípcio.
A decisão de Manuel Maria Carrilho de não participar pessoalmente na votação, segundo o jornal Público, terá obrigado o Governo português a fazer-se representar por um diplomata do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
«Considero que Portugal não pode votar num ministro da cultura egípcio que ameaçou queimar todos os livros de Israel [que encontrasse na biblioteca de Alexandria]. Manuel Maria Carrilho tem razão e peço ao primeiro-ministro, José Sócrates, que faça aos possíveis para que o ministro dos Negócios Estrangeiros altere a sua posição», afirmou Manuel Alegre.
Para o dirigente histórico socialista, Portugal, na votação de hoje à tarde, deverá em contrapartida apoiar a búlgara Irina Bokova, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e embaixadora no seu país em França e na UNESCO, que é apoiada pela maioria dos países da União Europeia.
«Na eleição de hoje à tarde, Portugal deverá votar ao lado dos outros países europeus, de acordo com os seus valores e princípios», defendeu ainda o ex-candidato presidencial.


in Sol



O embaixador português na UNESCO, Manuel Maria Carrilho, não aceitou as instruções do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Luís Amado, para votar no candidato egípcio a secretário-geral da UNESCO, o que obrigou o Governo de José Sócrates a fazer-se representar por um diplomata do MNE naquela que foi, ontem, a quarta ronda para a eleição do sucessor do japonês Koichiro Matsuura.O polémico candidato egípcio, Farouk Hosny, ministro da Cultura do seu país há 22 anos, acabou por empatar com a única outra candidata que ainda se mantém na corrida, a búlgara Irina Bokova, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e actual embaixadora da Bulgária em França, no Mónaco e na própria UNESCO. Portugal decidiu apoiar a candidatura egípcia, uma decisão que Carrilho procurou contrariar, tendo acabado por se recusar a comparecer na eleição. O ex-ministro da Cultura, que fez parte de um grupo de embaixadores que tentou, sem sucesso, patrocinar a candidatura de Al Gore, não quis ontem a comentar a sua posição, mas é de crer que tenha alegado razões de consciência para não votar em Hosny, um político acusado de praticar abertamente a censura no seu país, e que ainda recentemente afirmou que queimaria pessoalmente todos os livros israelitas que encontrasse na Biblioteca de Alexandria. O PÚBLICO contactou o MNE, que, até à hora de fecho do jornal, não esclareceu, ou sequer confirmou, o apoio a Hosny, que poderá ter ficado a dever-se à expectativa de que Portugal possa vir a contar com o apoio do Egipto na sua candidatura a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2011-2012. Curiosamente, um dos países que já asseguraram que sustentará esta ambição portuguesa foi a Bulgária, cuja candidata à liderança da UNESCO teria sido eleita já ontem, caso Portugal não a tivesse preterido em favor de Farouk Hosny. A eleição começou com nove candidatos e, ao longo das quatro primeiras rondas, Hosny foi sempre aumentando a sua votação. Na terceira ronda tinha tido 25 votos, contra 13 de Bukova, 11 da austríaca Benita Ferrero-Waldner, cuja candidatura era prejudicada por ter sido ministra dos Estrangeiros do governo de extrema-direita de Jörg Haider, e nove da equatoriana Ivonne Baki. Ferrero-Waldner e Baki retiraram as suas candidaturas - a última desistiu ontem em cima da hora -, de modo que se esperava que a eleição ficasse resolvida já nesta quarta ronda. Mas os 58 membros do Conselho Executivo da UNESCO acabaram por dar exactamente os mesmos votos (29) a cada um dos candidatos, o que obrigou a uma nova ronda, que terá lugar hoje. Se o empate se mantiver, será um sorteio a ditar o nome do próximo secretário-geral da organização. Se Bokova ganhar, será a primeira vez que um político oriundo do Leste europeu - divisão que ainda se mantém na organização administrativa da UNESCO - irá dirigir a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Apoiado pela Liga Árabe, pela Organização da Conferência Islâmica e pela Organização da Unidade Africana - ainda que esse apoio não implique necessariamente o voto dos países que integram estas instituições -, Hosny conseguiu ainda seduzir o Brasil, cujo Presidente, Lula da Silva, se recusou a patrocinar a candidatura do seu compatriota Márcio Brabosa, actual director adjunto da UNESCO. Conhecido por recorrentes declarações anti-semitas, das quais se tem procurado desculpar nos últimos meses, e por censurar livros, filmes e órgãos de comunicação social, Hosny tem sido atacado por grupos de activistas judeus, mas também por muitos intelectuais europeus. Na União Europeia, tanto quanto o PÚBLICO conseguiu apurar, só o Governo italiano de Berlusconi, além do português, votou ontem no candidato egípcio.


in Público

domingo, 22 de março de 2009

Opinando - Manuel Maria Carrilho

O antigo ministro socialista da Cultura (1995-2000) e actual embaixador de Portugal junto da UNESCO, em Paris, Manuel Maria Carrilho criticou a política cultural do Governo, acusando-a de ser "cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível". Na sua opinião, os anos de 2005 a 2009 podem ser "uma legislatura perdida para a Cultura".

A afirmação, divulgada pelo semanário ‘Expresso’, consta de um documento enviado por Carrilho à fundação Res Publica, no âmbito do debate interno que antecede a preparação do programa eleitoral para as próximas legislativas.

O actual titular da pasta da Cultura, Pinto Ribeiro, escusou-se, entretanto, a comentar as afirmações, alegando desconhecê-las. 'Quando ler o documento, terei muito prazer em discutir, em conversar, em analisar', disse ontem, na inauguração do novo auditório municipal de Olhão.

Em declarações ao CM, o poeta e eurodeputado Vasco Graça Moura concorda com as críticas de Carrilho. 'O Ministério da Cultura tem--se afirmado pela inexistência, a inoperacionalidade, a falta de ideias e a incapacidade de tomar medidas', disse. O político social-democrata diz que as suas relações com o antigo ministro da Cultura 'não são propriamente as melhores', mas sustenta: 'No que respeita à tese geral sobre a inexistência de uma política de cultura, estou inteiramente de acordo com aquilo que ele diz.'

No documento em questão, Carrilho defende que 'a cultura pode dar uma importante contribuição na resposta à crise que o País atravessa.' Esta tese é defendida por outras vozes no campo da cultura.

Vasco Graça Moura evoca o teor de uma conferência realizada recentemente no Parlamento Europeu, em que participou. 'O papel da Cultura em tempo de crise pode contribuir para a sua superação', afirma o eurodeputado. Na sua perspectiva, a acção a desenvolver 'terá de ser efectuada na escala de pequenas e médias empresas, com intervenção local, regional e nacional.' Argumentando 'não se poder esperar que a cultura dê emprego definitivo aos desempregados', Graça Moura afirma, no entanto, ser possível esperar 'o surgimento de muitas actividades que permitam fazer face à crise, ocupando gente e remunerando-a condignamente'.

Manuel Maria Carrilho, que se demitiu do segundo Governo de Guterres na sequência do corte imposto ao orçamento do seu Ministério, defende no documento a atribuição de um por cento do Orçamento do Estado à Cultura. Esta percentagem é superior ao dobro da que actualmente é praticada. Para o antigo ministro, que encara a política em vigor como uma ameaça real à Cultura, 'é urgente mudar.'

José Luís Feronha in Correio da Manhã