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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

VISTO E REVISTO

hoje falamos de uma série: "Stranger Things".

HORATIO: O day and night, but this is wondrous strange!

HAMLET: And therefore as a stranger give it welcome.
There are more things in heaven and earth, Horatio,
Than are dreamt of in your philosophy.

William Shakespeare, Hamlet, Acto 1, Cena 5


1983 Indiana. e pronto, caímos no universo dos 80's, recordamos "Os Goonies", enchemo-nos de música do caraças e apanhamos uns cagaços. tudo ingredientes que nos levam a amar esta fantástica série da Netflix. 
e tudo isto consegue-se sem apelar a uma nostalgia melosa e sem sentido. somos transportados no tempo e ficamos com a sensação de que estamos a desfrutar de algo que ficou perdido no tempo. cheira a cassete VHS perdida num clube de vídeo.
a realização tresanda a Spielberg. cuidada como só este a sabe cuidar. os irmãos Duffer assumem-se aqui como os seus melhores discípulos.
não vamos falar muito mais deste fantástico universo onde aqueles que viveram nos fantásticos 80's se revêem. vejam a série pois vale mesmo a pena.






quinta-feira, 14 de julho de 2016

VISTO E REVISTO

gosto de gajos que arriscam. gosto de Don Cheadle. a história centra-se no final do período em que Miles Davis fica cerca de cinco anos sem gravar. os porquês dessa pausa, os porquês do "came back". "MILES AHEAD" começa logo por ser um título muito bem escolhido pois inclui em si próprio muitas interpretações, para além de ser o primeiro trabalho de Miles com Gil Evans. o filme é leve, não se espere nada de complicado para lá da relação do trompetista com a mulher. se a história por vezes se perde por ser um tanto ou quanto ridícula todo o filme é ao mesmo tempo envolvente. estão nele contidas muitas das coisas que fizeram de Miles Davis uma lenda do Jazz. um filme divertido, estranho e por vezes comovente.
Don Cheadle é também ele o realizador e fá-lo com propriedade, mas é no seu acting que está o segredo. personagem bem construída tanto física como psicológicamente de voz em tom quase inaudível e roufenha, o swagg, o ligeiro coxear. o resultado final é um Miles profundo, sentido, conflituoso, abusador, felizmente muito longe de uma caricatura.







quarta-feira, 13 de julho de 2016

VISTO E REVISTO



juro que fui vê-lo com desconfiança. não sou muito dado a este tipo de filmes de super-heróis. mas como já me tinha enganado rotundamente no "Dark Nigh"t de Christopher Nolan, que conta com aquele brilhante desempenho de Heath Ledger... não quis arriscar.
o filme fica muito longe de qualquer um da trologia de Nolan, mas é um bom passar de duas horas. o filme peca por querer ser muitas coisas ao mesmo tempo. é óbvia a reverência a "Dark Night". no fundo o psicótico Lex Luthor não passa de um fraco sucedâneo do Joker (mas sem maquilhagem) de Ledger, mas para pior, muito pior. Jesse Eisenberg tem o condão de por vezes nos fazer parecer que voltámos atrás e estamos a ver de novo "The Social Network".
repito: o filme peca por querer ser muitas coisas ao mesmo tempo pois sentimos sempre que por isso é curto. na sua ambição tem momentos quase épicos, bem filmados e bem fotografados. na tentativa de desumanização dos super-heróis fica sempre aquém, falta-lhe sempre um bocadinho assim pois 
Zack Snyder não consegue afastar-se de uma imagem mitológica dos heróis que não procura mas revela. as inúmeras referências ao plano de Lex de querer matar Deus (é essa a imagem que vê ao olhar para o Super Homem) são disso exemplo.
por momentos o filme tem aquele aspecto dark da triologia de Chris Nolan que logo desaparece diluído em cenas menos conseguidas.
um bom filme para um final de tarde de domingo no sofá de casa.