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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

UM CLIPPING DE CULTURA

o único português que foi tão importante como António Guterres: o papa João XXI, Pedro Hispano:

http://observador.pt/especiais/papa-joao-xxi-o-portugues-mais-poderoso-de-sempre-antes-de-guterres/

um novo estudo científico sugere que os seres humanos são predispostos a matar uns aos outros. no entanto, ainda se desconhecem os verdadeiros motivos desta tendência:



e uma outra com a filósofa Chantal Mouffe:

domingo, 25 de setembro de 2016

UM CLIPPING DE CULTURA

um artigo sobre o mito da "escravatura" irlandesa:


a fantástica entrevista de Arturo Pérez-Reverte à Visão:


Hitler e a Alemanha nazi: um líder, um país (e uma guerra) movidos a metanfetaminas:


Michael Palin fala da crueldade que a doença impõe a Terry Jones:


Nove coisas que o Dragon Ball nos ensinou sem darmos por isso:


Já se sabe: quem conta um conto, acrescenta um ponto e nem a História de Portugal ficou alheia a isso. Num novo livro, Ricardo Raimundo recupera alguns episódios que não se passaram "bem assim":



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MANIFESTO Contra a Crise: COMPROMISSO com a CIÊNCIA, a CULTURA e as ARTES em PORTUGAL

Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição: «MANIFESTO Contra a Crise: COMPROMISSO com a CIÊNCIA, a CULTURA e as ARTES em PORTUGAL» no endereço:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=manifestocontracrise

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.

Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos.

Obrigado.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Desassossego


O meu escrito de ontem no DN/Madeira:

Seria bom que, rapidamente e sem equívocos, se definisse uma política de desassossego nesta terra. Uma política que reconhece-se o direito ao sossego de alguns e ao desassossego de outros.
Eu nasci desassossegado, irrequieto. Entendo que uma das coisas mais importantes para um crescimento integral do ser humano se prende com a busca. Com a busca de novas cores, sons, sabores, pensares, ideias, ideais, etc. Quem não entender isto e se refugie no sossego que o ficar a olhar para o umbigo lhe proporciona nunca se sentirá preenchido e feliz.
Nas sociedades mais avançadas um dos factores determinantes da qualidade de vida é a facilidade de "adquirir" bens culturais. Quer se queira quer não e por mais poeira que se pretenda atirar para os olhos das pessoas, a nossa terra não é uma terra de Cultura. Ela existe e está por aí, desgarrada, desorganizada e, acima de tudo, submetida a tudo e a todos sem ser reconhecida como o bem de primeira necessidade que é. Ou então importamo-la em pacote e ficamos embevecidos confortavelmente sentados a ouvir o que os outros têm para dizer.
A Madeira precisa de uma REVOLUÇÃO CULTURAL. Uma revolução qualitativa que leve as pessoas a sair de casa em busca de coisas novas. Uma revolução que altere as mentalidades e proporcione uma leitura correcta de um mundo que é cada vez mais uma "aldeia global". Que nos limpe as teias de aranha da cabeça e a tacanhez de espírito.
Só assim teremos cidades e vilas vivas e prenhes de actividade.
A Cultura é, também, um bem que não pode ser negado a ninguém. É um direito de todos.
Por favor não me neguem o direito ao desassossego.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

É Hoje


Calmamente seguia a rua o seu caminho. Entre esquinas cheias de história que se não escreveu sozinha. Por aqui andaram mercadores e nobres, tanoeiros e burgueses, escravos e padres, piratas e jesuítas…
A cidade não cresceu sozinha. Cresceu pelos homens que a habitaram, que a sentiram. Uma cidade feita de vida, de troca de experiências e ideias. Uma cidade sentida e sofrida.
É que as cidades podem ser tudo, ou não ser nada! Depende de nós e da maneira como com ela nos relacionamos.
Esta é a cidade! A nossa cidade. A única cidade.
E é assim que todos a deveríamos sentir.
Preocupa-me que esta nossa cidade, que esta nossa região, ande despida. Despida de cultura. Não que não haja oferta, porque há. Mas porque não há público e sem público a cultura fica manca, coxeia.
De quem é a culpa? É de todos nós! Todos! Porque fomos perdendo a capacidade de nos admirarmos uns aos outros, porque nos fechamos na nossa capelinha e comodamente deixámos de 'olhar' para além do nosso umbigo. É que nós, os que produzem cultura, também somos público. Temos que ser público. E deste mal também me penalizo.
E isto consegue-se juntando-nos. Acreditando que podemos falar de coisas que temos em comum mesmo que os pontos de vista sejam diferentes. E isto devagarinho está a acontecer. Às segundas-feiras, de quinze em quinze dias, já há quem se junte à volta de um copo para degustar cultura. Uns mais velhos, outros mais novos, uns das artes outros das letras e da música, entre poemas e textos, entre imagens do que se vai produzindo e os sons criados, lá se vai pondo o dedo na ferida e falando sem medos nem reticências porque é mais o que nos junta do que aquilo que nos separa.
É hoje, é 'quinze dias' e lá estaremos, a partir das 22h na Mercearia S. Pedro, levando apenas connosco essa capacidade fantástica que vamos descobrindo que temos de nos apreciarmos uns aos outros.
Apareçam.
in DN/Madeira de hoje

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Agentes da Cultura e as Gentes da Política


Irrita-me solenemente esta coisa de gente que só vê números à frente a gerir os assuntos da cultura. Ou então agarram-se naqueles teóricos que escrevem e falam de barriga cheia da cultura e é colocá-los a teorizar de papo cheio sobre assuntos que não dominam nem entendem. É esta gente, sem imaginação mas bem paga, que acha que os agentes culturais devem andar na cultura por amor à camisola, que a profissionalização não é nem necessária nem desejável.
Burocratize-se tudo, atafulhe-se os processos de papéis, perca-se tempo com trivialidades, e no final pouco se produza. É esta a formula, é assim que as coisas funcionam. E se aparece um “desenrascado” que põe as coisas a andar e a funcionar livrem-se dele rapidamente porque é pessoa perigosa.
Tenho levado constantemente pela frente com gente assim. Que não é nada mas pensa ser tudo, que nada produz (culturalmente falando) e complica a produção. São aquele tipo de gente que “não coisa, nem sai de cima”.
Numa altura de crise como a em que vivemos, é esta gente, porque falha de imaginação, que vai matando o pouco que conseguimos produzir.

Arrumados estes, mudemos de assunto: porque será que nesta terra, neste país, são tão raras as vezes que encontramos como consumidores de cultura os agentes da política? Não é isto demonstrativo do interesse que a dita (nunca percebi o porquê desta designação) classe política demonstra pela cultura? Não é um político culto e consumidor de cultura um melhor político?
Tenho uma enorme dificuldade em entender como é que se pode falar em nome de um povo sem dele conhecer a sua cultura!
Não será isso que o define? 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

da Cultura

o público foge... dos festivais de verão, das salas de cinema, das exposições e instalações, dos espectáculos musicais, das salas de teatro... o público foge! 
efeitos da crise, do desinteresse, do não sabermos cativá-lo, sejam lá quais forem as razões urge fazer-se uma introspecção e tentar procurar as razões.
agora assim é que as coisas não podem continuar. o que nos define como povo é, e sempre será, a nossa cultura. a cultura que nos faz diferentes, e não superiores, dos outros.
é importante, é imprescindível, que nos juntemos todos para falar destas, e de outras questões ligadas à cultura da Madeira. temos que deixar de passar o tempo a olhar para o umbigo e olharmo-nos nos olhos!

"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar" - Helena Vaz da Silva

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Culturando - Novo Portal de Cultura

O www.culturaonline.pt é um novo portal, impulsionado pelo Ministério da Cultura, que ambiciona afirmar-se como o sítio de referência na divulgação da Cultura Portuguesa, em Portugal e no Mundo. Esta plataforma inovadora recorre à colaboração de autarquias, fundações e outros agentes, para a criação e consolidação de uma efectiva comunidade virtual.

Este paradigma comunicacional, inédito no panorama cultural português, assenta na partilha de recursos e experiências entre utilizadores do portal, os quais para além de beneficiarem de uma aplicação que se adapta especificamente ao seu perfil, podem contribuir para a disponibilização de rotas e roteiros culturais, sugestões de visitas e comentários a actividades.

As ferramentas de nova geração que o www.culturaonline.pt disponibiliza permitem ao cidadão planear a sua visita, por exemplo, através da selecção do equipamento cultural que pretende visitar, das salas ou espaços que mais lhe interessam e das peças ou pormenores sobre os quais tem maior curiosidade. O melhor exemplo do potencial desta funcionalidade interactiva reside em inéditas visitas virtuais, a três dimensões, a museus, palácios e monumentos que contribuem para a redescoberta destes equipamentos históricos valiosíssimos.

Uma agenda cultural dinâmica e actualizada, também acessível em dispositivos digitais móveis, constitui outra das principais mais valias do portal.

Esta nova plataforma é ainda idealizada para responder aos interesses e preocupações de diversos destinatários, através da organização de conteúdos no Espaço Cidadão, Espaço Empresas, Espaço Agentes Culturais, Espaço Crianças e Espaço Educativo, que beneficiarão igualmente do contributo dos seus utilizadores.

O portal www.culturaonline.pt é, assim, um espaço interactivo, dinâmico, aberto à comunidade, um ponto de encontro entre a criação e o público, que vive da participação de todos.

domingo, 5 de abril de 2009

Culturando - Manifesto Pela Cultura

Várias personalidades ligadas à actividade cultural preparam-se para lançar um Manifesto contra o actual estado da cultura em Portugal, que consideram "não aguentar mais uma legislatura de laxismo", disse ao CM o realizador João Mário Grilo, um dos subscritores do documento.

O manifesto, a apresentar até ao final do mês, é "uma declaração de inconformismo" e pretende, ao mesmo tempo, "criar um fórum público de discussão, no qual as pessoas, organizações e partidos possam dizer quais as suas propostas para a cultura", acrescentou João Mário Grilo. Isto porque, segundo o realizador, a actual política cultural "defraudou as expectativas criadas há quatro anos, quando se prometeu uma mudança para melhor que não se veio a verificar". Para João Mário Grilo, a tomada de posição justifica-se porque "a cultura está a sofrer um processo de desertificação como aquele que a política fez no Alentejo", acrescentando que "este ministro, por várias razões, é uma espécie de coveiro que se encarrega de pôr terra depois do funeral". Inês Pedrosa (directora da Casa Fernando Pessoa), Ricardo Pais (ex-director do Teatro Nacional de S. João do Porto), Joaquim Benite (encenador) e Pedro Abrunhosa (músico) são algumas das personalidades que subscrevem o Manifesto, no qual defendem que "a cultura tem de ser olhada como valor e não como despesa, e reivindicar um lugar digno no orçamento no Estado", adiantou o realizador.

domingo, 22 de março de 2009

Opinando - Manuel Maria Carrilho

O antigo ministro socialista da Cultura (1995-2000) e actual embaixador de Portugal junto da UNESCO, em Paris, Manuel Maria Carrilho criticou a política cultural do Governo, acusando-a de ser "cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível". Na sua opinião, os anos de 2005 a 2009 podem ser "uma legislatura perdida para a Cultura".

A afirmação, divulgada pelo semanário ‘Expresso’, consta de um documento enviado por Carrilho à fundação Res Publica, no âmbito do debate interno que antecede a preparação do programa eleitoral para as próximas legislativas.

O actual titular da pasta da Cultura, Pinto Ribeiro, escusou-se, entretanto, a comentar as afirmações, alegando desconhecê-las. 'Quando ler o documento, terei muito prazer em discutir, em conversar, em analisar', disse ontem, na inauguração do novo auditório municipal de Olhão.

Em declarações ao CM, o poeta e eurodeputado Vasco Graça Moura concorda com as críticas de Carrilho. 'O Ministério da Cultura tem--se afirmado pela inexistência, a inoperacionalidade, a falta de ideias e a incapacidade de tomar medidas', disse. O político social-democrata diz que as suas relações com o antigo ministro da Cultura 'não são propriamente as melhores', mas sustenta: 'No que respeita à tese geral sobre a inexistência de uma política de cultura, estou inteiramente de acordo com aquilo que ele diz.'

No documento em questão, Carrilho defende que 'a cultura pode dar uma importante contribuição na resposta à crise que o País atravessa.' Esta tese é defendida por outras vozes no campo da cultura.

Vasco Graça Moura evoca o teor de uma conferência realizada recentemente no Parlamento Europeu, em que participou. 'O papel da Cultura em tempo de crise pode contribuir para a sua superação', afirma o eurodeputado. Na sua perspectiva, a acção a desenvolver 'terá de ser efectuada na escala de pequenas e médias empresas, com intervenção local, regional e nacional.' Argumentando 'não se poder esperar que a cultura dê emprego definitivo aos desempregados', Graça Moura afirma, no entanto, ser possível esperar 'o surgimento de muitas actividades que permitam fazer face à crise, ocupando gente e remunerando-a condignamente'.

Manuel Maria Carrilho, que se demitiu do segundo Governo de Guterres na sequência do corte imposto ao orçamento do seu Ministério, defende no documento a atribuição de um por cento do Orçamento do Estado à Cultura. Esta percentagem é superior ao dobro da que actualmente é praticada. Para o antigo ministro, que encara a política em vigor como uma ameaça real à Cultura, 'é urgente mudar.'

José Luís Feronha in Correio da Manhã

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Culturando - Centros Culturais Portugal-Espanha

Os governos de Portugal e de Espanha e as autarquias de Madrid e Lisboa já estão a negociar para a possível implementação, entre 2009 e 2010, de centros ou espaços culturais recíprocos nas duas cidades, disse à Lusa o ministro da Cultura.
José António Pinto Ribeiro, de visita a Madrid, explicou que responsáveis dos dois países já começaram a analisar edifícios, nas duas cidades, que podem servir para instalar um centro da cultura espanhola em Lisboa e um centro português em Madrid.
O projecto poderá acabar por se concretizar, em 2010, aproveitando a celebração dos 25 anos de cimeiras ibéricas e de adesão dos dois países à União Europeia. Da parte do governo espanhol, o objectivo tem sido o de ampliar as instalações do Instituto Cervantes em Lisboa, num momento em que a entidade portuguesa quer expandir a projecção da língua e cultura espanholas em Portugal.
No sentido inverso, responsáveis portugueses debatem, há muito, a criação de uma presença cultural portuguesa permanente na capital espanhola que poderá ou não funcionar ligada ao Instituto Camões.
Uma das opções que se tem debatido nos últimos meses centra-se na instalação de uma estrutura parecida a uma Casa de Portugal, de várias valências, e onde poderiam vir a ser instaladas algumas instituições portuguesas.
O ministro da Cultura recordou que Portugal e Espanha continuam a aproximar-se cada vez mais, com um relacionamento que se alterou profundamente, tanto a nível bilateral como na sequência da adesão europeia.
Actualmente e a par dos eixos da Europa e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Espanha é o terceiro «eixo natural» do relacionamento externo português.
Neste capítulo, acções culturais continuam a assumir um papel de destaque.

Lusa

sábado, 24 de janeiro de 2009

Culturando - "In Seralves"

Ora vejam lá se é ou não uma ideia excelente que só vem provar que neste país ainda há gente que pensa!


Extraido do Jornal de Notícias e escrito pela pena de Agostinho Santos:

Transformar a criatividade em negócio é o principal objectivo da incubadora de indústrias criativas "In Serralves", que funciona há cerca de meio ano. Neste pólo, no Porto, trabalham sete empresas e os resultados são "satisfatórios".
A ideia surgiu a partir do seminário "A arte e a empresa", que a Fundação de Serralves organizou em 2005. A partir daí, a ideia fervilhou, tendo essencialmente como base o ensinamento aos criativos da lógica dos negócios. Jorge Pinho de Sousa, professor da Universidade do Porto, consultor para as Indústrias Criativas de Serralves e um dos mentores do projecto, adiantou, ao JN, que esta incubadora pretende, ao mesmo tempo, "mostrar e demonstrar que, através de uma actividade de criação e de talento, se pode ganhar dinheiro". Pinho de Sousa entende que "é na inovação e na criatividade que incide a solução para combater a crise que afecta a sociedade portuguesa".
Miguel Veloso, gestor de projectos, concorda e adianta que o projecto pretende "ajudar o criativo a tornar-se empresário", ou seja, proporcionar todos os meios para que a criativade se transforme, na realidade, em negócio.
Apresentaram-se ao projecto "In Serralves" 76 candidaturas. O júri seleccionou sete. Desde Maio que estão instaladas no pólo onde funciona a incubadora (frente à Casa de Serralves) e abrangem as áreas de conservação e restauro, projectos educativos, joalharia urbana, música e audiovisuais, roupa didáctica, energia e multimédia e design, marketing e arquitectura.
Íris Cleto é uma das jovens empresárias que trabalham na incubadora e, apesar de reconhecer que "ainda é cedo para falar em resultados, considera-se razoavelmente satisfeita". Admite mesmo que, se o projecto não existisse, a empresa não tinha avançado ou, simplesmente, estaria adiada.
Pedro Pardinha e Marta Palmeira são sócios da 20/21, empresa que se dedica à conservação e restauro. Concorreram ao projecto e dizem não estarem arrependidos. Pelo contrário, "porque até não está correr mal". Reconhecem que ainda estão longe das metas pretendidas, mas têm consciência de que o sector em que estão envolvidos não é de resultados rápidos, ou seja, "sabemos que temos um caminho a percorrer, mas, para já, estamos satisfeitos".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Apoiando - Porta 33

Para que estas coisas deixem de acontecer há que repensar seriamente a cultura regional!!!! Com a pretensa crise que se aproxima a passos largos, com a redução de verbas do orçamento regional para a cultura, com a falta de preparação do tecido empresarial regional que não entende a responsabilidade social e cultural das empresas, com o "agachar" constante de alguns agentes culturais regionais que a tudo se sujeitam, com tudo isto, os tempos que se aproximam são muito, mas mesmo muito preocupantes!


Escreve Filipe Gonçalves no DN/Madeira:

Os responsáveis regionais pela Cultura "devem olhar para aquilo que a 'Porta 33' tem feito, devem sentir o pulsar da comunidade que cá habita e que frequenta a galeria, devem medir os ecos que chegam de fora da actividade e perguntar se a 'Porta 33' é para fechar ou para continuar". A afirmação é da responsabilidade do director da galeria de arte face aos cerca de 75 mil euros que o Governo Regional deve, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC), por força de incumprimento de um contrato-programa. "Tínhamos o último contrato que correspondia ao período de actividade de Janeiro de 2005 a Junho de 2007", explicou Maurício Reis, esclarecendo que o montante em dívida corresponde ao ano de 2007.
À frente da galeria há quase 20 anos, Maurício Reis não deixa de criticar a falta de verbas e explicou que "cabe aos responsáveis culturais regionais, quer da Câmara Municipal do Funchal e da DRAC, ver se o nosso projecto deve ou não ser apoiado".
O director da galeria não esconde "as dificuldades" que 'assombram' a 'Porta 33'. A Câmara do Funchal "deixou de nos apoiar há muito tempo", exemplificou.
De vez enquando, a autarquia contribuía com uma passagem aérea para deslocações, disse. No entanto, a Câmara, através da empresa 'Funchal 500 anos', no ano passado apoiou apenas meio ano e nos restantes meses, até ao final do ano, "não deu nenhum apoio".
A piorar toda a situação está ainda a lei "absurda" publicada pelo Governo da República que proíbe a concorrência a apoios para projectos culturais de entidades colectivas ou privadas que sejam das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. A falta de apoios e incumprimento de contratos-programa acaba por criar danos colaterais. Um deles é o atraso no pagamento das rendas ao senhorio. O valor é pago anualmente, mas em dívida estão os dois últimos anos.

Não comenta rendas em atraso

Sem nunca negar a existência deste montante a liquidar, o responsável pela galeria "não comenta informações que possam chegar a qualquer órgão de comunicação social baseado no anonimato das pessoas. Eu tenho a liberdade de dizer que não comento esses assuntos internos da 'Porta 33' baseado nesses contextos.".
Maurício Reis explicou, no entanto, que a prioridade para a 'Porta 33' é "manter a actividade cultural". O director da galeria salientou que com base no dinheiro que recebe é necessário fazer opções: "Ou temos as rendas hipoteticamente resolvidas mas não temos programação cultural" mas, tal situação pode ser "uma armadilha" porque "se tivesse dedicado a atenção às rendas, a Porta 33 era acusada de não fazer nada".
A DRAC confirma o valor em dívida. João Henrique Silva adiantou que a DRAC já processou o montante e garantiu que "nos próximos dias o valor vai ser pago". Agora, o pagamento estará dependente do aval da Secretaria do Plano e Finanças.
O vereador da Câmara do Funchal do pelouro da Economia e Finanças não quis comentar o teor das afirmações do galerista. Pedro Calado limitou-se a esclarecer que quer a antiga vereação como a actual sempre apoiaram a 'Porta 33'. O vereador salientou também que o apoio é para continuar "desde que as entidades apresentem projectos viáveis".

Jardim manda recado a governantes

Não é a primeira vez que por força das dificuldades na concepção de apoio, a galeria 'Porta 33' vê-se obrigada a pedir a intervenção do presidente do Governo Regional para tentar solucionar o problema. A última solicitação aconteceu em Dezembro.
No dia 15, quatro dias depois de os responsáveis terem dado conhecimento da situação a Alberto João Jardim, receberam a cópia de uma carta.
O presidente do Executivo madeirense "chama a atenção do secretário Regional da Educação e Cultura e do secretário do Plano e Finanças para a importância da continuidade da Porta 33", pode ler-se na cópia da carta que o DIÁRIO teve acesso.

Filipe Gonçalves

sábado, 22 de novembro de 2008

Culturando - Orçamento Regional para a Cultura

Preocupante.
Escreve Luís Rocha no DN/Madeira de hoje:

Corte radical nas verbas da DRAC ameaça Cultura
O novo orçamento prevê menos 50% no investimento da drac na cultura e património

Avizinham-se tempos ainda mais difíceis para a Cultura na Madeira. A Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC) deverá sofrer, em 2009, um corte monumental nas verbas disponíveis inscritas no PIDDAR para investimento nas áreas da Cultura e Património. De cerca de 6,4 milhões de euros orçamentados em 2008, os dinheiros disponíveis passarão a 2,8 milhões de euros, de acordo com as intenções do Governo Regional expressas na proposta de Orçamento da Região recentemente apresentada para discussão na Assembleia Regional. Note-se que o montante orçamentado normalmente é superior ao executado, por questões de gestão dos projectos e eventuais impasses burocráticos que vão ocorrendo ao longo do ano.
A rubrica 'Cultura e Património' inclui, neste orçamento, e em termos gerais, mais de 7 milhões de euros, mas tal não diz exclusivamente respeito à Secretaria Regional da Educação e Cultura, dado que há verbas distribuídas por outras secretarias (por exemplo, às Casas do Povo). Mas, para a gestão de instituições e iniciativas culturais no sentido mais estrito, através da DRAC, as verbas diminuem mais de 50% no que concerne ao investimento (embora as despesas de funcionamento, cifradas em 4,3 milhões de euros em 2008, subam um pouco, para 4,8 milhões em 2009).
O que parece certo é que esta descida para 2,8 milhões nas despesas de investimento da DRAC para a Cultura e Património poderá ter reflexos negativos aos mais variados níveis. Quiçá, inclusive, nas possibilidades de apoio aos agentes culturais da Região, já estrangulados pela escassez de meios e apoios e que se confrontam com a falta de interesse do empresariado em ajudar os seus projectos, a par de um público que não cresce a um ritmo suficiente para gerar receitas.
Esta situação está a gerar um indisfarçável mal-estar. O secretário regional da Educação e Cultura, Francisco Fernandes, recusa comentar. Quanto ao director regional dos Assuntos Culturais, João Henrique Silva, opta por não comentar as opções da administração. Limita-se a um comentário lacónico: "A cada ano, seus dilemas...".

Agentes culturais apreensivos

Robert Andres, presidente da Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira, admite que, pelo que se ouvia nos últimos tempos, era de esperar uma redução nas verbas para a Cultura. "Mas 50% é bem drástico... Acho que isto será o fim de uma política algo aleatória de atribuição de subsídios, de dar um pouco a uns, um pouco a outros... E que vai obrigar a critérios muito mais exigentes em relação à qualidade do que se apoia, para gerir o dinheiro da melhor forma possível. Só assim a programação de actividades culturais de qualidade poderá sobreviver".
Andres recorda que ainda recentemente alertava para esta questão no 'I Fórum da Cultura' organizado pela DRAC: o perigo dos apoios públicos diminuirem mais rapidamente do que é possível, aos agentes culturais, conquistar novos públicos ou sensibilizar o empresariado. Um quadro negro que pode ditar, pura e simplesmente, a extinção de vários promotores de iniciativas. Confessando nunca esperar melhor, só pior, Andres lamenta todavia a velocidade "surpreendente" a que se pretende diminuir as verbas para o sector. "Qual foi o objectivo de debater todas as questões que debatemos no Fórum da Cultura, quando depois nos deparamos com uma redução deste tipo?", questiona. "A realidade é que a actividade cultural vai sofrer, em consequência disto".
Maurício Reis, da 'Porta 33', foi contactado mas optou por não comentar. Já o actor e encenador Eduardo Luíz, do Teatro Experimental do Funchal (TEF) mostrou-se preocupado com esta conjuntura.
"Preocupar-me-á, claro, caso não consigamos um apoio subsidiário que possa ajudar o nosso trabalho a continuar", admitiu.
O TEF, referiu, já há bastante tempo que persegue outros apoios que não os do sector público. "Mas ainda não são os ideais para que possamos prescindir de subsídios". Embora o público hoje em dia já seja maior do que antes, não é ainda suficiente.
"Uma redução dessas não vai ser fácil. E é desagradável, porque, a continuar desta forma, cada vez mais a actividade cultural e artística continuará a não ter o apoio que deveria ter para poder subsistir num espaço em que a arte e a cultura não fazem ainda parte do verdadeiro quotidiano dos cidadãos". Por seu turno, o maestro da Orquestra Clássica da Madeira, Rui Massena, mostra-se apreensivo.
"É preocupante. Espero que isto não se reflicta na OCM", diz. "Que ninguém pense que a Orquestra Clássica poderá existir com uma redução dos actuais apoios. Eu nem sequer pondero essa hipótese. Porque aí a OCM deixaria de poder funcionar como tal. Seria outra coisa qualquer, mas não a OCM tal como agora a conhecemos. Seria impensável acabar com uma das referências culturais da Região".
Massena admite a crise, mas lamenta que a área cultural sofra, tradicionalmente, cortes de verbas em alturas difíceis: "A Cultura é um bem que informa, que educa. Cortes financeiros nesta área reflectem-se em todas as outras áreas".

em dificuldades...

Em termos gerais, e mesmo tendo em conta a globalidade das verbas inscritas na rubrica 'Cultura e Património' divididas por diversas secretarias que não exclusivamente a da Educação e Cultura, a Cultura sofre, com este Orçamento, uma grande machadada: de um total de mais de 15 milhões de euros inscritos no PIDDAR em 2008, passa-se para pouco mais de 7 milhões de euros em 2009. É uma redução de mais de 50%. Já quanto à Secretaria Regional da Educação e Cultura, é justo questionar se Francisco Fernandes terá condições para cumprir os objectivos anunciados, como a valorização e qualificação da oferta cultural e museológica, a conservação do património cultural e religioso, o apoio à criação, produção cultural e investigação histórica e a salvaguarda do acervo patrimonial de carácter arquivístico e bibliográfico.

Luís Rocha

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Conversando - I Fórum da Cultura


Não tenho nada contra o discutir-se cultura. Até pelo contrário: acho que a cultura da Madeira é muito pouco discutida.

Por motivos meramente profissionais (porque para comer não vivo da cultura) não vou poder estar presente no I Fórum Cultural da Madeira. Nem eu nem a grande maioria dos agentes culturais regionais que não vivem da cultura nem dela tiram qualquer provento (ou pelo menos o suficiente para uma vida condigna).

Não quero discutir o que lá foi dito porque não estive presente. Quero discutir a brilhante ideia de se marcar este encontro para dias de semana. É que assim, e pelo que me foi dado a observar pelas imagens televisivas, só estiveram presentes os agentes culturais que exercem a sua actividade profissional na área da cultura. E convenhamos que não são de todo a maioria.

Isto a ser propositado é preocupante...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Conversando - I Fórum da Cultura

No DN/Madeira de hoje o jornalista Luis Rocha dá-nos conta do que vai ser o I Fórum da Cultura. Pela leitura da peça, e à excepção de uma das alocuções, parece-me tudo muito arrumadinho e muito mainstream. Ou seja vai-se falar da cultura institucional e, como de costume, deixam-se de fora os movimentos mais marginais e que são eternamente desconhecidos tanto pelo grande público como por aqueles que "dirigem", se assim se pode dizer, a cultura regional. Lá estarei, na medida do possível, para ver como é.
Aqui fica o escrito:


Estão já confirmados quais os oradores da Região convidados a apresentar uma comunicação no 'I Fórum da Cultura da Madeira', que a Secretaria Regional da Educação e Cultura (através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais) promove entre nos dias 30 e 31 deste mês. Ao contrário do que inicialmente nos foi anunciado por João Henrique Silva, director da DRAC, o local escolhido para a realização do evento não é o auditório do Arquivo Regional. Optou-se por um espaço diferente, o Madeira Tecnopólo.
Quanto aos convidados da Região, confirma-se a presença de todos os que já havíamos referido na nossa edição do passado dia 17, menos o encenador e actor Élvio Camacho. A estes vieram somar-se alguns outros. Assim, Carlos Gonçalves, director do Gabinete Coordenador de Educação Artística (GCEA) proferirá uma intervenção integrada no primeiro painel 'Cultura na Madeira: Reflexões e Contributos', pelas 11h45 de 30 de Outubro. A sua intervenção intitula-se 'Educação para a Cultura: da Escola ao Palco'. Segue-se uma comunicação do actor e encenador Eduardo Luíz, do Teatro Experimental do Funchal, intitulada 'Hoje, o Teatro na Madeira' e outra de António do Vale, presidente da Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira (AFERAM): 'Cultura Popular e Tradicional: Limites e Oportunidades'. O historiador e académico Rui Carita, por seu turno (cuja participação não tinha sido, inicialmente, anunciada) falará sobre 'Cidade e Património' no segundo painel sobre 'Cultura na Madeira', pelas 16h45 do primeiro dia dos trabalhos. Seguir-se-lhe-á o músico e investigador Vítor Sardinha, com uma intervenção intitulada 'A Música - da Madeira para o Mundo'.

'A Cultura fundida'

Mas um dos títulos mais curiosos das prelecções inseridas no âmbito deste Fórum, e um dos que mais curiosidade suscita, logo à partida, é indubitavelmente o da comunicação de Maurício Marques, empresário e gestor de projectos na área da cultura: 'A Cultura fundida: manual de sobrevivência num mercado de guindastes e betão'. Eis uma intervenção a aguardar com alguma expectativa...
Já no dia 31 de Outubro, pelas 11h15, Francisco Clode, director de serviços de Museus da DRAC, dará início ao terceiro painel sobre as manifestações culturais no nosso espaço insular falando de 'Museus e Turismo Cultural', logo seguido pela docente do Departamento de Arte e Design da Universidade da Madeira, Isabel Santa Clara, que proferirá uma alocução subordinada à temática 'Artes Plásticas na Madeira: circunstâncias de tempo e de lugar'. O último dos prelectores será o pianista, professor e musicólogo Robert Andres, presidente da Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira (AACMM), que lançará uma interrogação: 'Cultura para todos e todos para a cultura: será?'.

Três convidados vindos 'de fora'

Conforme já tivemos oportunidade de referir na nossa edição do passado dia 17, além da participação dos responsáveis e agentes culturais regionais convidados, o 'I Fórum da Cultura' conta com a participação de três personalidades vindas de Portugal continental, nomeadamente a museóloga e gestora cultural Simonetta Luz Afonso (31 de Outubro, 9h30) que abordará os grandes acontecimentos que contribuíram, ao logo do século XX e particularmente nas últimas décadas, para a internacionalização da cultura portuguesa; António Pinto Ribeiro (dia 30, 10 horas), ensaísta, programador cultural e ex-director artístico da Culturgest, que fará, na sua intervenção, uma súmula da história da programação cultural e artística em Portugal nos últimos trinta anos, abordando as influências estrangeiras, a produção e os modelos fundamentais da gestão cultural, e que opinará ainda sobre o modelo de programação cultural mais adequado à actualidade, com a globalização, as alterações das redes de equipamentos culturais e o mercado da digitalização; e, finalmente, António Camões Gouveia (dia 30, 15 horas) investigador do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, que falará sobre as práticas de cultura que envolvem os arquivos, as bibliotecas e os museus, numa releitura da realidade cultural que, na sua perspectiva, "cria riquezas pouco objectiváveis de imediato, visíveis a médio prazo, e sempre transversais na construção de um bem-estar que envolve o cidadão". Para Camões Gouveia, "mais que uma nova área económica, a Cultura é uma envolvência, transversal a toda a sociedade e a todos os poderes (...)'.

Inscrições na Internet

Estes são os convidados a fazer intervenções previstas no programa, mas o Fórum é aberto a todos, e estão previstos seis debates. Embora sendo livre o acesso ao evento, a DRAC informa que está já disponível no site www.culturede.com uma página para inscrições. Mais informações pelo telefone 291211830.

Luís Rocha

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Blogando - Agri...Cultura

A agricultura também é... cultura. Um blog madeirense sobre assuntos agricolas... não só!!!

http://agricultando.blogs.sapo.pt

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pistas Para Uma Nova Cultura (VIII)

Quando olhamos para a cultura devemos ter sempre presente a questão da sua categorização. Isto porque o termo em si encerra dois conceitos de certo modo concorrenciais: por um lado a cultura será a percepção que um individuo tem da "ordem" social e do lugar que ocupa nesta; por outro, não é mais do que uma indústria fornecedora de informação. Neste sentido assume-se como hospedeiro de actividades que combinam uma concepção individual com um todo social organizado.


Então o que é que categoriza a cultura?


Tendemos a considerá-la como tudo aquilo de imaterial que recebemos de herança e passamos às gerações futuras, numa combinação de conhecimento tácito e explicito da ordem social em que vivemos e do mundo como o percepcionamos. Por vezes, também se entende a cultura como algo que implica excelência e um certo entendimento sofisticado e estético: procura-se assim distinguir a dita "alta" cultura da cultura dita "popular" (terminologias que de todo rejeito). As definições de cultura são muitas e variadas, o que permite que se escolha a que mais se adequa ao nosso modo de pensar e de ver o que nos rodeia. Há definições positivas, há-as normativas, mas todas elas lidam com a criatividade da mente humana.


As associações e interpretações simbólicas não são automáticas e independentes do interveniente e do seu contexto. Um símbolo que é mais complexo do que aquilo que representa não é verdadeiramente um símbolo. Muito claramente, qualquer actividade que conscientemente lide com símbolos e não com racionalidade prática é uma actividade cultural.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Pistas Para Uma Nova Cultura (VII)

Sempre que falamos de cultura é esperado que o façamos como se ela fosse uma parte estrutural da sociedade. Facilmente os que têm uma perspectiva colectivista desenham uma tipologia de sociedade com a cultura, a economia e a política nos vértices, tratando tudo isto como um triângulo estrutural do todo social.
Mas a estrutura não pode, de todo, ser vista assim. Isto porque os objectivos, as percepções e as concepções da natureza dos indivíduos como entidades únicas e irrepetíveis provam a incapacidade analítica se seguirmos esse caminho.
Por outro lado as teorias do individualismo são muito mais poderosas na teorização cientifica. Podemos assim concluir que, ao nível do individual, uma análise estruturante do social é desagregadora.
Todo e qualquer acto humano é parte de um todo, e a pequena parte dele é usada como base para a abstracção e para a criação de categorias conceptuais, tais como a cultura. O acto puramente cultural per si não existe, tais como não existem actos políticos ou económicos dissociados do todo. Isto porque tudo se mistura e o acto em si é o resultado de influências dos diversos níveis.
Uma visão do social onde as categorizações empregues se crêem reais em si próprias, resulta numa visão de uma sociedade antropomórfica que se auto-gere. Ao aceitarmos isto nada é mais natural do que querer organizar o mundo de modo a que este corresponda a um tipo de organização de um estado burocratizado onde tudo está compartimentado. O exemplo disto a apresentar é óbvio: os diferentes ministérios e, porque esta compartimentação não é suficiente, as secretarias de estado.
O estado, tal qual o conhecemos, não tem que ser obrigatoriamente assim. Um dos maiores males que provoca, e que é também, a meu ver, a principal causa do seu falhanço, é o facto de procurar agir ao nível da categoria e não ao nível da estrutura. O estado procura impor as suas categorizações na estrutura social em vez de procurar entender a estrutura da sociedade.