
"Com ou sem elas", era a pergunta sacramental quando entrávamos na Ginginha do Rossio e nos encostávamos ao balcão onde não cabiam mais do que quatro pessoas.
A ASAE, na sua sanha fiscalizadora, decidiu encerrar um dos espaços mais emblemáticos da cidade de Lisboa. Tinha a ver com tradição, com uma cultura centenária por onde passaram grandes nomes da nossa literatura e das nossas artes.
A ginginha do Rossio foi encerrada e com ela morre uma grande parte do nosso país.
As razões do encerramento têm a ver com a conversa do costume: a falta de condições higieno-sanitárias e técnico-funcionais. Para a Autoridade Sanitária o espaço tem que ser transformado num templo de alumínio perfeitamente descaracterizado.
A ASAE representa um certo tipo de mentalidade que grassa um pouco por todo o lado. Uma mentalidade que nos quer apresentar como um Portugal Novo esquecendo a tradição e descaracterizando-nos como povo.
No Portugal Novo só cabem as bananas grandes e sem manchas na casca que não têm sabor, as maçãs reinetas padronizadas que sabem a cortiça, as douradas de viveiro todas do mesmo tamanho e a saber a ração animal, os porcos que não sabem o que é comer bolota e restos de verdura, etc. Em suma neste Portugal qualquer dia nem cabem os portugueses de cepa substituidos por um cidadão formatado de acordo com as normas europeias.
Espero que o exemplo da ASAE não frutifique na Madeira porque senão vão-nos fechar as ponchas da Serra d'Água, matar o vinho seco e a espetada nos arraiais, as sandes de carne de vinho e alhos na noite do mercado, a aguardente com aniz, etc.
E esta Madeira não quero conhecer!