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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

PRESENTE DO DIA

não é dos sítios mais fáceis de usar nem dos mais bem construídos. e visualmente também não enche as medidas. mas é, pela excelência dos nomes que lá "habitam", o melhor sítio de poesia em língua portuguesa da www. 
e muitos ainda lá faltam e por isso a página cresce todos os dias... e aceita colaborações daqueles que mais atentos sabem do que de mais novo se vai produzindo.

http://ow.ly/ri43e



domingo, 20 de outubro de 2013

PRESENTE DO DIA - 20 OUTUBRO 2013


ontem o grande Vinicius faria 100 anos... por falta de tempo só hoje consigo esta homenagem tardia. um documentário para ver e relembrar este gigante da língua portuguesa.

 http://ow.ly/pZe8K



sábado, 13 de julho de 2013

Poema XXIX


Uma merda criogénica
Subia pela parede
e a tudo se agarrava.
Viscosa.
Gordurenta.
Mole.

O nauseabundo cheiro
Impregna as almas de quem passa.
Odor para além da morte,
Repugnante.
Nojento.
Pérfido.

O país desinteressado
Atira a alma para o estrangeiro.

Grafiticamente
Manifesta-se a indignação…
Mas tarda o acordar.

A voz hipócrita da assinatura
Que matou a espiga e o peixe
Fala agora do pão
Que mais não é que amassada miséria.


Um chuveiro de ácido
Que te lavasse a alma
De tanta inanição.
Há uma avassaladora tristeza
                               que a tudo envolve.
Uma raiva contida prende
                               entre dentes palavras indizíveis.
Uma maldição,
Uma maldição de antanho que tudo contém.

A fome percorre desonestos
Caminhos dourados
Onde se propõem,
Vulgares,
Títulos sem valor.

Todos os dias é adiada
                a revolta para tempo mais ameno.
Na raiva perdeu-se o vermelho
                e o amarelo impede o querer!

Os dedos que se fecham na palma da mão,
Contidos,
Esperam libertar-se um dia
E gritar bem alto o estado da nação!


Ao final da tarde,
Ao redor de uma mesa,
Eunucos debitam palavras sem sentido.

Velhos,
Vamos perdendo a universalidade da árvore,
Matando a semente
De onde nada germina.

Do cimo da ponte
Atentados à inteligência
Saem de bocas sem dentes.

Numa contida televisão perto de si
Dança a ignorância… de hora a hora!

É chegado o tempo de endireitar as esquinas,
Alargar todos os canos,
Torcer todos os sentidos,
Saborear ventos solares
E tempestades avassaladoras.
É chegado o tempo de soltar a alma,
De gritar o lírico basta!

Estes são tempos de todas as insubmissões!

Nuno Morna - Julho 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Recital Errância Literária - 15 de Junho 2013, 23h,


ESPAÇO DAS ARTES - CRIAMAR, Rua de Santa Maria, 62A

eu e o Rodolfo Sousa vamos aproveitar para apresentar o nosso novo projecto que mistura música e poesia!!!!!!
a Errância conta também com a participação de António Plácido, Eduardo Luiz, Emanuel Bento, Ester Vieira, Fernanda Gama, Miguel de Freitas, Ana Camacho e Filipa Silva, bem como o músico e compositor, Mitsch Kohn.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Poema (XXVII)


Não,
Simplesmente, não.
No alvoroçar da alma
Um ficar
Eternamente
De olhos fixos num ponto.

Na árvore
A ameixa amadurece.
De fora para dentro.

E as pérolas no mar
Ficam negras de placidez.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Poema (XXVI)

Pântano

terras pantanosas.
eternos
clubes aristocráticos.
ao longe,
tentam voar
pássaros aquáticos.

sobre a urna,
os sabáticos.
as ligas e os tratados,
explodem
entre os políticos.
e há volta
os náufragos
de grandes transatlânticos.

o país decreta:
funerais antissépticos!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Cavalo Alado




Amanhã, na Fnac do Madeira Shopping, pelas 17 h, o meu irmão José Júlio faz a apresentação do seu livro "Cavalo Alado". Deu-me a honra de participar lendo alguns dos seus poemas. para além de mim vão estar presentes Ana Margarida Falcão, o editor Ângelo Rodrigues, Lília Bernardes, bem como um projecto musical novo dos excelentes músicos Pedro Zamora (guitarra clássica) e Paulo Gouveia (percussão)!!!
Lá vos esperamos!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Poema (XXIV)

Numa cidade que se reproduz,
homens sem barba
e suas amantes,
marcham direitos a um McDonalds
perto de si.

Apesar das ordens
Podem estacionar-se os carros,
sem pagar,
no centro da cidade.
Assim passeia-se a indiferença
e olha-se o povo indignado
preocupado com trivialidades.

Batalhas campais
são tidas como apropriadas.
E a polícia dispara as últimas lágrimas.

Se clicares aqui
o Governo,
alegremente,
distribui violência no teu computador.

A portugalidade é uma prática,
não um direito!


Nuno Morna
Funchal, 9 de Fevereiro, 2013

(inspirado num poema de Maged Zaher)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Poema (XXIII)


entrelaçam-se o cravo e o jasmim.
            afogam-se!
sem as culpas e os remorsos
            de quem não consegue a expressão do que pinta!

é preciso o fazer-se querer
            pois não há justiça para quem não se ama!

os que não sabem governar... que obedeçam!


Nuno Morna
Funchal, 29 Junho 2012

Poema (XXII)

as telenovelas lembram-me sempre este poema de Carlos Drummond de Andrade:



Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Poema (XXI)


preciso
urgente
telegraficamente
falar.
por cá sentidos
diversos.

                    nas unhas
                    a terra raspada.
                    desesperadamente
                    como quem segura
                    a terra
                    que foge

telegráfico
urgentemente

                    ontem pássaro azul
                    cantou
                    tapámos ouvidos
                    olhámos os pés
                    seguimos em frente

telegrafo
urge

                    enviem urgente
                    alimento alma


Nuno Morna
Funchal, 5 fevereiro 2013

segunda-feira, 16 de março de 2009

Poesia - Dia Mundial da Poesia

O dia mundial da poesia, que se assinala a 21 de Março, será celebrado na Baixa de Lisboa com um poema gigante escrito numa tela de 150 metros.

A iniciativa conta com a participação de poetas como Inês Pedrosa, Maria Andresen, Eduardo Pitta, Fernando Pinto do Amaral, Manuel Alegre e Nuno Júdice.

Promover e celebrar a poesia levando-a ao «comum do cidadão» é um dos objectivos desta iniciativa promovida pela ACV - Associação Cidadania Viva, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa e o projecto LEM (Lisboa Encruzilhada de Mundos).

Segundo a organização, a iniciativa parte de uma ideia do poeta espanhol Miguel Angel Arenas e o poema gigante será escrito numa tela de 150 metros que vai estar estendida na Rua Augusta entre as 12:00 e as 17:00 e na qual todas as pessoas interessadas poderão acrescentar um verso da sua autoria.

O Dia Mundial da Poesia foi instituído pela UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Poema (XXII)


Em tua honra preparei um fogo que fumega,
em tua honra consumei o sacrifício.
Oh, aquece-me os pés,
aquece-me o corpo, os membros, o espírito, a voz.

Afasta o encantamento, aquece-me, favorece-me, afasta o encantamento.
Arrancaste-o de mim, levaste-o para longe, para longe de mim.
E agora curo-me, recupero a força, recupero a frescura,
a frescura sobe-me à cabeça, a força.

Movo-me com movimentos novos, ouço com ouvidos novos, olho com olhos novos.
Caminho, livre do tormento caminho, com uma luz no coração caminho, felizmente caminho.
Quero abundância de nuvens sombrias,
quero abundância de erva,
abundância de pólen,
abundância de orvalho.

Que venha contigo até aos confins da terra o belo fermento branco,
que venham até aos confins da terra o belo fermento amarelo, o belo fermento azul,
o belo fermento de todas as espécies,
as plantas de todas as espécies,
os bens de todas as espécies,
as jóias de todas as espécies,
que venham contigo até aos confins da terra.

Que venham contigo à frente, atrás, por baixo, por cima, à volta, que venham contigo até
aos confins da terra.
Que se consume a obra.
Avanço dentro da beleza,
com a beleza à minha frente, sim, eu avanço,
com a beleza por trás das minhas costas, sim, eu avanço,
com a beleza por cima de mim e à minha volta, sim, eu avanço.
Em plena beleza tudo se consuma, sim, tudo se consuma, sim, eu avanço.


Poema da tradição oral dos indíos Navajos.
Versão de Herberto Helder.
In "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o futuro, edição Assírio & Alvim

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Poema (XXI)


De Pablo Neruda, um dos meus poetas favoritos, chegou-me por mão amiga este poema brutal. Adoro...



Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


Pablo Neruda

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Poesia - Almada Negreiros

Quem me conhece sabe do meu enorme fascínio por Almada Negreiros que considero um dos maiores homens de cultura do séc. XX português.

Três poemas desenhados por Almada Negreiros em 1920 vão estar expostos pela primeira vez em "Caligrafias - Uma Realidade Inquieta", exposição com obras de trinta artistas portugueses e estrangeiros que abre ao público sábado no Museu das Comunicações.
Com a frase "Arte é comunicação", do crítico de arte britânico Herbert Read, a exposição é introduzida ao visitante, para que relacione "comunicação, escrita e arte", explicou a responsável. A mostra é organizada pela Fundação Portuguesa das Comunicações no âmbito do Dia Mundial dos Correios, a 09 de Outubro e foi hoje apresentada pela comissária e crítica de arte Maria João Fernandes na sede da entidade, em Lisboa.
As "contaminações" da palavra e da imagem "percorrem todo o século XX, desde o Futurismo e Dada, aos caligramas de Apollinaire, ao informalismo e gestualismo das décadas de 30, 40 e 50, ao movimento internacional da Poesia Visual, que em Portugal floresceu na década 60", contextualizou Maria João Fernandes.
Mas essa ligação da palavra e da imagem começou mais cedo, com Almada Negreiros (1893-1970) a tornar-se pioneiro quando criou, em 1920, três "poemas desenhados".
A série de caligramas - desenhada em pequenas folhas simples de um caderno de apontamentos - é mostrada pela primeira vez publicamente nesta exposição. Almada Negreiros desenhou cadeiras, árvores, uma mesa e outras figuras com frases poéticas.
Também foram incluídos na exposição trabalhos de Ana Hatherly, Ernesto de Melo e Castro, expoentes da poesia visual portuguesa, e ainda obras de Álvaro Lapa, Ambrósio, António Sena, Carmo Pólvora, Emerenciano, Eurico Gonçalves, Francisco Laranjo, Gracinda Candeias, Paulo Teixeira Pinto, Rico Sequeira, Teresa Gonçalves Lobo, Teresa Magalhães, Alexandra Mesquita, Cristina Valadas e Inês Marcelo Curto. Estão igualmente representados os artistas espanhóis González Bravo, Hilario Bravo, Antonio Saura, Viola, Suárez e Alberto Reguera.
O público poderá ver nesta mostra a obra plástica de outros artistas estrangeiros fortemente influenciados pela escrita, nomeadamente Alechinsky, que nos anos 40 e 50 integrou o Grupo COBRA.
"Esta tradição estética está a ter continuidade nos dias de hoje, através de jovens artistas que usam a escrita nas suas pinturas", disse Maria João Fernandes, dando como exemplo os criadores portugueses Alexandra Mesquita e Teresa Lobo.
Para conceber a exposição, a Fundação Portuguesa das Comunicações contou com o apoio de entidades como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Colecção Manuel de Brito, a Galeria Valbom, a Galeria/Fundação António Prates, a Galeria São Mamede e outras colecções particulares, que cederam obras.
Paralelamente a esta exposição, a Fundação edita o livro "Caligrafias - A Nascente dos Nomes", que irá dar continuidade ao caderno temático "Caligrafias", editado em 2006 pela Revista Mealibra de Viana do Castelo.


in Lusa

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Poema (XX)






O título deste poema (perdoem-me mas hoje na versão original em inglês) ficou muito conhecido por causa do filme "Clube dos Poetas Mortos". Walt Whitman é, sem qualquer dúvida, um dos maiores poetas da humanidade.



O Captain! My Captain!

de Walt Whitman


O Captain! my Captain! our fearful trip is done, The ship has weather'd every rack,
the prize we sought is won, The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring; But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red, Where on the deck my Captain lies, Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells; Rise up- for you the flag is flung- for
you the bugle trills,

For you bouquets and ribbon'd wreaths- for you the shores
a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.



segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Obituário - Joaquim Castro Caldas


Vítima de doença prolongada
Morreu o poeta e crítico literário Joaquim Castro Caldas


Informação da agência Lusa


O poeta e crítico literário Joaquim Castro Caldas morreu ontem no Hospital de São João, no Porto, vítima de doença prolongada, informou o seu amigo e actor Rui Spranger. Hoje, o seu corpo vai para a Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, onde será celebrada missa de corpo presente. Regressa depois ao Porto, para um velório, a partir das 21h00, na capela mortuária da Igreja do Bonfim. O funeral, antecedido de missa de corpo presente, realiza-se pelas 09h30 de terça-feira no Cemitério do Prado de Repouso, onde será cremado.

Nascido em 1956, em Lisboa, Joaquim Castro Caldas veio a fixar-se no Porto onde ficou conhecido por animar, durante sete anos, as sessões de poesia no Pinguim Café. "Veio parar ao Porto para fazer uma pequena revolução no espectro das tertúlias de poesia", alguém escreveu sobre o poeta. Foi um dos fundadores da revista Metro, uma publicação gratuita, para divulgação cultural, que existiu nos fins dos anos 80 e início da década de 90. Castro Caldas editou 11 livros de poesia, o último dos quais - "Mágoa das Pedras" - foi publicado este ano.



Vão-se embora palavras
Deixem-me ali à esquina
Amem e façam-se à vida
Não temam a morte voem
Sabem que são minhas
Para lá dessas fronteiras
Que desapertam as rimas
Com poemas ou bombas
Fucem apanhem boleias
Só vos deixei preparadas
Para os cornos dos poetas

Mágoa das Pedras, Joaquim Castro Caldas

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Poesia para o Jantar


No próximo sábado, dia 30 de Agosto, estarei no Restaurante Juliu's, em frente ao Museu da Electricidade, a apresentar uma intervenção que dá pelo nome de "Poesia para o Jantar". Trata-se de um pequeno espectáculo que pretende falar de poesia, dizê-la e degustá-la, ao mesmo tempo que se podem deliciar com as iguarias de um Restaurante que muito aprecio.

Tudo andará à volta da poesia da língua portuguesa numa viagem que nos levará de Timor, ao Brasil, de Portugal a Angola, passando pela Madeira, por Moçambique, e outros cantos da língua portuguesa.

Malangatana, Mia Couto, Almada Negreiros, Jorge de Sousa Braga, Vinicius de Moraes, e muitos, muitos outros, serão os poetas que elegi para este encontro.

Não é obrigatório jantar. Podem passar pelo Juliu's só para beber um copo e apreciar, ou não, o momento!

Fico à vossa espera!