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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Falando - Presidente da Comissão Galega pede asilo a Portugal

O presidente da Comissão Galega do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, José Luís Fontela, disse hoje à agência Lusa que pediu asilo político ao Governo português, como primeiro passo para pedir nacionalidade portuguesa.

«Quero liberdade. Pedi asilo político para que não me tirem direitos, liberdades e garantias», disse José Luís Fontela, advogado, poeta e escritor, acusando os serviços de informação espanhóis de «controle de correspondência» e «sequestro de livros».

Fontela, natural da Galiza, referiu que vive em Portugal «desde 1992», primeiro em Viana do Castelo, depois em Valença, onde ainda tem residência oficial, e agora em Braga, onde quer continuar a viver.

O pedido de asilo político, enviado por carta ao Conselho de Ministros, é o primeiro passo para pedir a nacionalidade portuguesa, mas José Luís Fontela aceita outro estatuto.

«Se me derem estatuto de apátrida, fico contentíssimo», salientou.

O advogado e poeta afirmou que desde os nove anos que lhe chamam «separatista», por ser republicano, tal como o seu pai, e defender o Português como língua oficial e nacional da Galiza.

«Defendemos a língua portuguesa como língua oficial da Galiza. É uma linha cultural. Aqui não há nada de político», frisou, afirmando-se «republicano, federalista, democrata e socialista».

José Luís Fontela referiu que enviou da Galiza vários livros de poemas, de linguística, de pintura e de escultura para pessoas de outros países, como a Alemanha e o Brasil, mas não chegaram ao destino.

A seguir, fez o mesmo a partir de Portugal, e os livros chegaram, pelo que concluiu que os serviços de informação espanhóis, que apelidou de «polícia política monárquica», estão a fazer «controles de correspondência» e a «sequestrar cartas e livros».

Fontela disse ainda que anexou ao pedido enviado ao Governo português uma carta dirigida ao ministro do Interior de Espanha em que denuncia os alegados sequestros de correspondência.

Lusa