quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Musicando - AC/DC
AC/DC "Rock 'N Roll Train"
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Musicando - Lidiane Duailibi no Kool 22-10-2008

A presença em palco e uma interacção constante com o público são as características fortes deste trio fantástico!
A brasileira Lidiane Duailibi é uma voz bastante conhecida dos madeirenses pela sua grande qualidade tendo já um CD editado entre nós: “Abraço da Terra”.
No Brasil, Lidiane fez a abertura de espectáculos de Rosa Passos e de Gilberto Gil, ministro da cultura brasileiro que ainda há bem pouco tempo actuou entre nós. Dona de voz e interpretações arrebatadoras, Lidiane hipnotiza o público e leva-o numa viagem de emoções e ritmo onde estão sempre presentes as influências da bossa nova e do samba.
Lidiane é, sem dúvida, a respiração do trio.
Nascido no Brasil Barroco Azevedo é guitarrista, produtor artístico e musical tendo já actuado em grandes eventos como o Rock In Rio para mais de 250.000 pessoas, passando também nas grandes casas de espectáculos brasileiras como o Canecão, a Galery e estádios como o Maracanãzinho, entre muitos outros.
O artista gravou pela Leblon Records o CD “Soul do Rio” com a Banda Brylho, compositora de uma das músicas mais passadas nas rádios brasileiras no século XX.
Antes de se radicar na Ilha da Madeira em 2001, durante 4 anos consecutivos, fez parte da banda residente da Rede Globo, a maior televisão brasileira, nos programas “Domingão do Faustão” e “Caldeirão do Huck”.
Barroco conduz a banda com uma forte influência do pop-rock, jazz, blues, misturando tudo isto com a música brasileira.
O baterista Kiko Melim sofreu sempre grandes influências do jazz e do pop-rock mas é no Brasil, onde viveu quatro anos, que busca a inspiração para ser o chão e a pulsação do trio.
Juntos, os artistas apresentam um repertório que vai das canções originais a interpretações de grande compositores brasileiros como Djavan, Gilberto Gil e Márcio de Camillo. Porém, com uma sonoridade muito própria com origem na bossa nova, soul, jazz, blues e o pop-rock.
Onde:
Kool Club
Na Rua do Favilla, nr. 5
Data e horário da apresentação:
22 de Outubro, quarta-feira a partir das 23.45h.
Televisando - Vou-te Bater!

Cinema - Goodnight Irene
Mais uma prova de que o cinema português está vivo e se recomenda. Será que iremos ter a portunidade de ver este filme no circuito de salas madeirenses? Duvido!!!!!Esta primeira longa-metragem do realizador tem no elenco Nuno Lopes (Bruno), Robert Pugh (Alex) e Rita Loureiro (Irene). O filme conta a história de dois homens muito solitários, que podiam ser pai e filho, e que coabitam na casa de uma enigmática mulher. O título "Goodnight Irene" foi retirado de uma célebre canção folk norte-americana.
"A maioria das ideias que tenho surge de uma imagem ou de uma voz interna de uma personagem que me fascina e a partir daí tento perceber o que é que estou a dizer a mim próprio", disse recentemente Paolo Marinou-Blanco em entrevista à agência Lusa.
Marinou-Blanco trabalha com consultor de guiões para cinema e está a escrever a história para o seu próximo filme, com um tema semelhante ao de "Goodnight Irene". A acção do filme passa-se na Índia e em Portugal. "É uma história sobre a passagem do tempo, sobre pessoas que se isolam da vida. Sinto que esse tema está a surgir novamente", disse o realizador.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Poema (XXI)

e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
Cinema - Micro Festival - Concurso de Microfilmes Funchal 2008
O evento, que acontecerá no âmbito do Festival Internacional de Cinema do Funchal, lança um desafio aos concorrentes: A produção de um vídeo a partir de um telemóvel com câmara, que deverá ter a duração máxima de um minuto. O tema específico será revelado apenas no próprio dia.
"O público alvo são os jovens embora, naturalmente, não haja limite de idade para a participação", diz ao DIÁRIO Henrique Teixeira, director do Festival Internacional de Cinema do Funchal.
A iniciativa pretende, conforme adiantou, "mexer com o público em relação ao próprio festival", que decorre de 7 a 15 de Novembro. Outro dos objectivos é "cativar as atenções dos mais novos, alertar os jovens em idade escolar para este tipo de eventos, para a possibilidade de participação fácil e que acaba sendo muito divertida. Visa também estimular a criatividade num ambiente saudável".
A inscrição no concurso poderá ser feita através do site do festival de cinema, (www.funchalfilmfest.com), na loja e no site do Diário de Notícias (www.dnoticias.pt), nas escolas, loja Optimus (Madeira Shopping), Café do Museu, Fora D'Oras e no Teatro Baltazar Dias.
A oficialização das candidaturas só acontecerá no dia do evento, no Kool Klub Kafé entre as 12 e as 19 horas. Na ocasião, para além da confirmação da candidatura, os concorrentes descobrem o tema do concurso, recebem duas tshirts, uma credencial e também dois bilhetes duplos para o Festival de Cinema.
Os trabalhos obedecerão a um tema e a um local e deverão resultar da criação original do participante.
Os filmes terão de ser descarregados no próprio dia, em computadores existentes no Kool Klube Kafé. Serão seleccionados 15 trabalhos cuja apresentação decorrerá à noite no referido café onde actuará um agrupamento musical. No final do concerto, serão conhecidos os três grandes vencedores que receberão um telemóvel da Optimus, com câmara de filmar. Os microfilmes finalistas poderão ser vistos no 'site' do DIÁRIO de Notícias (www.dnoticias.pt) no dia seguinte ao evento.
Teresa Florença
domingo, 19 de outubro de 2008
Efeméride - Fernando Pessoa
A Casa Fernando Pessoa organiza, de 25 a 28 de Novembro, o I Congresso Internacional Fernando Pessoa, uma iniciativa que pretende pôr em diálogo vários especialistas na obra do escritor, bem como poetas, pintores e cineastas inspirados pelo autor de “Mensagem”.A conferência inaugural do evento – que encerra as comemorações dos 120 anos sobre o nascimento do poeta português – vai estar a cargo do ensaísta Eduardo Lourenço, recentemente distinguido com a Medalha de Mérito Cultural.
“Os segredos revelados pelas anotações marginais de Pessoa à sua própria biblioteca, os pontos de contacto entre a obra de Pessoa e a de outros génios da literatura (como o Padre António Vieira, Shakespeare, Joyce ou Yeats), as relações entre Pessoa e a psicanálise ou as suas ligações à astrologia serão outros temas abordados neste Congresso”, refere uma nota da Casa Fernando Pessoa.
O Congresso, que vai decorrer no Auditório do Turismo de Lisboa, contará com as participações de Antonio Cicero, Arnaldo Saraiva, Fernando Cabral Martins, Fernando Pinto do Amaral, Jerónimo Pizarro, Ivo Castro, João Botelho, José Blanco e Júlio Pomar, entre outros. A iniciativa vai ainda contar com um espectáculo de Camané, que vai cantar fados com poemas de Pessoa.
sábado, 18 de outubro de 2008
Blogando - Estado Sonoro
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Blogando - CRAP

Musicando - CéU
Musicando - dEUS
Entrevista com os dEUS: Ponto de fugaDavide Pinheiro (in Diário Digital)
Por esta altura, os dEUS já devem ter casas de férias em Portugal, tal a quantidade de vezes que cá vêm. O vocalista Tom Barman explicou ao Disco Digital essa química tão especial.
Vamos começar pelo fim. Como é que se explica uma relação tão próxima com Portugal?
Não sei muito bem. Há países em que é uma canção, noutros é um vídeo, noutros pode ser um álbum ou até um concerto. No caso de Portugal, houve um concerto muito especial na Aula Magna, em 1994, creio, e a partir daí fomos sempre bem recebidos mesmo em maus momentos. O público sempre nos deu mais oportunidades. Ainda este Verão, estivemos em Paredes de Coura e foi fantástico! Chovia imenso e a paisagem é lindíssima. Tocámos a seguir aos Mars Volta, o que foi interessante.
Ao fim destes anos todos, não se cansam uns dos outros e da estrada?
Claro, mas esta é a nossa vida. Não é muito agradável estar a conduzir numa segunda-feira à noite no meio da Alemanha e apanhar uma chuvada mas quando chegamos ao palco esses problemas desaparecem. Esse cansaço é natural mas também nos levou a uma pausa de cinco anos, o que ajudou a aliviar um bocado o ambiente na banda. Por exemplo, estamos agora em Madrid e vamos chegar a Lisboa com 40 concertos em cima. É muito mas vale a pena! Se não gostássemos disto, não andaríamos aqui.
Li que em 2009 poderá haver um novo álbum dos dEUS. Isto é verdade?
Não necessariamente. Nós queremos voltar para estúdio o mais depressa possível e contamos ter tudo pronto daqui a um ano mas, provavelmente o disco só vai sair no início de 2010. Já temos algumas canções novas e uma delas até vai ser apresentada em Portugal. Há mais uma ou duas surpresas mas não posso revelar.
Essa capacidade produtiva resulta da facilidade de gravar?
Não. No nosso caso, é mesmo da nossa vontade. Não gostamos de passar muito tempo a gravar porque custa imenso dinheiro mas é necessário! Nós somos uma banda que acima de tudo gosta de andar a tocar ao vivo, como já disse há pouco.
Já sentem na pele a crise económica?
Sinceramente, não. Tudo isso depende de mercados e eu não ligo minimamente a essas questões. Espero é que as pessoas não se deixem contagiar pelo pessimismo porque, aí sim, poderemos sofrer todos com a crise. O público deixa de sair, vai a menos concertos e nós tocamos menos. Não sou especialista em economia nem quero ser. Sou apenas um tipo que escreve canções.
Normalmente, em tempos de crise há mais música com intenções políticas declaradas. Isso poderá acontecer com os dEUS?
Não. Nós não somos observadores da sociedade. Tentamos apenas ir ao fundo de nós e tentar extrair pensamentos e emoções. Sinceramente, estou-me a borrifar para esses problemas porque a única coisa que me interessa mesmo é a música. Compreendo a questão e, se me lembrar, de uns Smiths no tempo da Tatcher, concordo, mas falando por nós, isso não vai acontecer.
Como é que aparecem o Guy Garvey (Elbow) e a Karin Dreijer (The Knife) no disco «Vantage Point»?
O Guy é meu amigo. Costumamos sair e beber uns copos. A participação dele só ficou decidida mesmo num último instante mas resultou bem, pelo menos eu gosto. Já a Karin foi um caso diferente, porque necessitávamos de uma voz sensual como a dela. Mandou-lhe um mail e não muito tempo depois estávamos a gravar.
Há alguma coisa nova a surgir na «cena» belga?
Chamar-lhe «cena» é complicado apesar de nos encontrarmos todos regularmente. Sinceramente, não acompanho muito mas destaco os Black Box Revelation, que andaram connosco em digressão. Sinceramente, não sou a melhor pessoa para responder à questão porque não sigo com muita atenção.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Lendo - Booker Prize
O livro "O Tigre Branco" do escritor Aravind Adiga, de 34 anos, é o vencedor do Man Booker Prize 2008, um dos mais prestigiados prémios da literatura mundial.O escritor e jornalista indiano Aravind Adiga foi distinguido com o Man Booker Prize 2008 devido ao seu primeiro trabalho, "O Tigre Branco", sendo aos 34 anos o mais jovem finalista deste prémio, recebendo ainda um prémio monetário de perto de 64 mil euros.
Esta é apenas a terceira vez, em 40 anos de Booker Prize, que um escritor ganha o galardão com o primeiro livro que escreve
"O Tigre Branco" conta a história de um protagonista que é capaz de usar todos os meios necessários para concretizar o seu sonho de escapar de uma aldeia pobre para o sucesso de uma grande cidade.
Michael Portillo, um dos membros do júri, justificou a atribuição do prémio a Adiga, por entrar num território pouco falado na literatura sobre a Índia, um lado negro da Índia, com passagem pelos principais aspectos políticos e sociais da sociedade indiana moderna.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Musicando - Black Dog Blues Band no Kool

Há várias versões sobre aquela que é a primeira composição de blues, assim como seu compositor. Diz a lenda que o autoproclamado "Pai do Blues" W. C. Handy ouviu este tipo de música pela primeira vez em 1903, quando viajava clandestinamente num comboio e observava um homem que tocava guitarra com um canivete. Daí teria surgido aquele que é dito como o primeiro blues da história, o “St. Louis Blues”.
A BLACK DOG BLUES BAND em S. Paulo, Brasil, em 1989, tendo o seu mentor Daniel Caires Henriques voltado a residir na Madeira, de onde é originário, a partir de Janeiro de 2006 dando continuidade ao projecto com músicos regionais. As suas últimas actuações têm mesmo incluído um naipe de sopros que muito tem valorizado este excelente projecto.
No seu alinhamento musical a banda tem como proposta os blues nas vertentes Mississipi, Chicago e Jumpin’ Blues da Califórnia, permitindo a quem tenha o prazer de assistir a um dos seus espectáculos desfrutar de uma viagem que vai desde a origem deste género musical, no Mississipi, passando por uma das suas fases intermédias (Chicago) e terminando numa das suas versões mais recentes (Jumpin’ da Califórnia).
Musicando - Lançamento "A Madeira e a Música"
Musicando - Buraka Som Sistema
Os cinco nomeados para a edição deste ano eram os Buraka Som Sistema, o rapper Sam The Kid, a cantora Rita Redshoes, os Vicious Five e o músico Slimmy.
Entre os artistas portugueses que já venceram edições anteriores do prémio regional da MTV contam-se os Da Weasel, Moonspell e os The Gift.
A 15/a edição dos Prémios Europeus de Música da MTV decorrerá no Echo Arena em Liverpool, este ano Capital Europeia da Cultura.
Este ano, os Coldplay e a cantora Duffy lideram os prémios com três nomeações cada.
A cerimónia será transmitida em directo pela MTV Portugal e por todos os canais regionais da MTV espalhados pelo mundo.
Lisboa acolheu esta mesma cerimónia em 2005, juntando-se a outras cidades como Londres, Paris, Roma e Munique.
Elegendo - Homer Simpson Impedido de Votar em Barack Obama
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Fotografando - William Claxton
William Claxton, o fotógrafo que conquistou um lugar cimeiro na história da fotografia por imortalizar grandes músicos de jazz dos anos 50, como Stan Getz, Duke Ellington e Chet Baker, morreu este sábado em Los Angeles. Claxton tinha 80 anos e não resistiu a uma falha cardíaca no Cedars-Sinai Medical Centre, o hospital onde estava internado, segundo a edição online do “Los Angeles Times”.Apreciador de música jazz, William Claxton, deixa para trás um leque de imagens ícone de músicos como Chet Baker, que ajudou a catapultar para a fama em 1952. Desde que iniciou a carreira como fotógrafo Claxton fotografou Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Mel Torme, Duke Ellington, Thelonious Monk ou ainda Stan Getz. O seu trabalho foi publicado em revistas de renome como a “Life”, “Paris Match” e “Vogue”, entre outras. Fotografou ainda Bob Dylan, Frank Sinatra e Steve McQueen de quem se tornou amigo. Deixou também marca no mundo da moda. Em 1960, com a mulher Peggy Moffit a servir como modelo, fotografou as peças do controverso estilista Rudy Gernreich.
Autor de inúmeras capas de discos, Claxton dizia que a fotografia era como “jazz para os olhos”. Nas suas fotografias “tentava capturar a tensão entre o artista, o instrumento e a música”, como se pode ler no seu site oficial.
Quando começou como director de arte e fotógrafo residente na produtora discográfica Pacific Jazz propôs-se redefinir a fotografia deste género de música. “A maioria das fotografias que representam músicos de jazz mostram-nos suados, com as caras a brilhar no escuro cheio de fumo. Isso era o jazz para a maioria das pessoas. Mas aqui na costa oeste, eu quero salientar o facto de os músicos viverem num ambiente saudável. Por isso ponho-os de propósito na praia, nas montanhas ou a na estrada com os seus descapotáveis”, disse numa entrevista ao "Los Angeles Times".
A propósito da morte de Claxton, o editor da Taschen, Benedikt Taschen, afirmou: “Era meu amigo e um pilar na editora. Era um grande fotógrafo e um homem magnífico que tocava a vida dos seus amigos graças a sua generosidade, charme e gentileza”.
in Público



John Coltrane

Televisando - Um Mundo Catita

Trata-se de uma produção independente resultante da colaboração e investimento de duas novas produtoras: a Indivídeos a Pato Profissional Lda.
Filmada em HDv e em película, a série apresenta-nos uma viagem ao imaginário tresloucado de Manuel João Vieira, onde os sonhos se misturam com uma cinzenta realidade, e onde seguimos o protagonista numa sucessão de aventuras e desventuras. É uma comédia de costumes, um conto de Natal, e um épico romance.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Lendo - Herberto Helder
O mais recente livro de Herberto Helder «A Faca Não Corta o Fogo - súmula e inédita», lançado na quinta-feira, encontra-se esgotado no armazém da editora, anunciou um representante da Assírio e Alvim.O livro não será reeditado «porque Herberto Helder não reedita. Quando muito existirá, talvez mais tarde, um novo livro que acrescente algo a estes poemas, como este volume faz com poemas já anteriormente publicados. É o poema contínuo», disse Luís Guerra, da Assírio e Alvim.
«Estávamos à espera disto porque os novos poemas deste livro são muito fortes. Existia uma grande expectativa que a saída do livro não frustrou», disse ainda Luís Guerra, que também revelou ter recebido, desde quinta-feira, inúmeros pedidos de várias livrarias de todo o país.
«A Faca Não Corta o Fogo - súmula e inédita» teve uma tiragem de 3000 exemplares e já só existem os que se encontram à venda nas livrarias. Durante o fim-de-semana, a crítica literária nacional foi unânime no aplauso ao mais recente livro de Herberto Helder.
in Lusa
sábado, 11 de outubro de 2008
Musicando - Punk d'Amour

Assistir a um concerto dos madeirenses Punk d'Amour é uma aventura. Ferraz e os seus "muchachos" têm aquela habilidade só ao alcance de alguns de nos "agredirem" com malhos sonoros que nos inebriam levando-nos assim numa viagem de puro entretenimento.
Interessante o conceito de, tirando o Filipe e o Bruno, a banda não ter um alinhamento fixo. Por aqui já passaram dezenas de músicos o que me tem permitido ouvir as músicas tocadas de diferentes maneiras.
E chegam-nos as letras. Acutilantes, mordazes, cheias de duplos sentidos. A poética dos Punk d'Amour é talvez da melhor que anda a ser musicada em Portugal.
Em palco vivem do burlesco. A "fraca" figura de Ferraz enche completamente os olhos pela força da sua presença. Isto parece não fazer sentido mas é mesmo assim.
Cozinhando - Cataplana
Na passada 5ª feira reiniciei a minha experiência televisiva. Todas as quintas vou tentar conduzir o Lado a Lado da melhor maneira que sei e posso.INGREDIENTES
800 gr feijoca
Couve
2 cebolas
2 tomates ou 1 lata de tomate pelado
250gr carne de porco
200gr bacon
1 chouriço de vinho
1 morcela
2 dentes de alho
¼ lt vinho tinto
Azeite, sal e coentros a gosto
MÉTODO
Colocar os ingredientes às camadas pela seguinte ordem:
Cebola picada + alho
Tomate picado
Couve cortada
Carne de porco
Bacon + chouriço + morcela
Feijoca
· Adicionar o sal
· Levar ao lume
· Quando estiver cozida adicionar os coentros e misturar tudo
· Deixar descansar alguns minutos antes de servir
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Musicando - Madredeus o Regresso
Os Madredeus regressam aos palcos em Novembro, com nova formação e novo álbum: “Metafonia” vai ser apresentado no Teatro Ibérico, em Lisboa, espaço onde o conjunto fez, há 20 anos, os primeiros ensaios.O álbum – a editar no dia 20 de Outubro – é um duplo, com inéditos e temas antigos dos Madredeus, grupo agora relançado por Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade, depois da saída, em 2007, de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice.
Nos concertos agendados para 6, 8, 13 e 15 de Novembro, Pedro Ayres e Carlos Maria Trindade vão apresentar os “Madredeus & A Banda Cósmica”, uma formação alargada a duas vozes principais e sete instrumentistas, destacando-se a inclusão de harpa, guitarra eléctrica, violino e percussão.
“A nova formação dos Madredeus pretendeu inventar uma nova concepção de música cantada em português para grandes espectáculos, inspirada na diversa tradição das suas próprias composições e nos arranjos da música popular da Europa, da África Ocidental e do Brasil”, revelou Pedro Ayres Magalhães, em comunicado.
O músico mantém-se na guitarra clássica e assume a direcção musical e de produção, ao passo que Carlos Maria Trindade continua nos sintetizadores, juntando-se ao grupo as cantoras Mariana Abrunheiro e Rita Damásio e os músicos Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria) e Jorge Varrecoso (violino).
Segundo Pedro Ayres Magalhães, com esta nova formação vislumbra-se “um caminho contemporâneo” para o grupo: “A partir de agora, podemos sempre fazer os concertos de câmara, que são a nossa tradição, ou apresentarmo-nos perante audiências maiores, com a Banda Cósmica, a banda que toca mais alto”.
O duplo álbum “Metafonia” reparte-se por um disco com doze originais e um outro com sete temas retirados de trabalhos anteriores dos Madredeus. Foi gravado em Agosto, no estúdio de Carlos Maria Trindade, no Alentejo, mas está a ser preparado desde o final do ano passado, altura em que os dois músicos mentores do novo projecto fizeram audições para cantoras e trabalharam nos arranjos do antigo e novo repertório.
Foi também nessa altura que Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade testaram ainda a introdução de novos instrumentos que vão alterar a sonoridade do grupo, acontecendo precisamente a “metafonia”, que dá nome ao álbum. “Há muito que eu e o Carlos desejávamos poder tocar as nossas composições, mais alto e para mais pessoas – tantas foram as solicitações para os Madredeus se apresentarem em grandes concertos ao ar livre e festivais”, sublinhou Pedro Ayres.
Os Madredeus surgiram em 1986, em Lisboa, com uma sonoridade que destoava do pop-rock de então. O grupo, que procurava inspiração na tradição popular portuguesa, deveu muito do sucesso às melodias de Pedro Ayres e à voz de Teresa Salgueiro.
Com cerca de três milhões de discos vendidos em todo o mundo, os Madredeus tiveram, nas duas décadas de existência, várias vidas. Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro, que estava na formação inicial, saíram nos anos 90’, tendo entrado depois Carlos Maria Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Lendo - Nobel da Literatura
Jean-Marie Gustave Le Clézio tem três obras suas publicadas em portugal: "O Caçador de Tesouros", na Assírio e Alvim, um romance influenciado pela sua vida nas ilhas Maurícias, e ainda "Deserto e Estrela Errante", na D. Quixote.
Jean-Marie Gustave Le Clézio nasceu a 13 de Abril de 1940, em Nice, mas os seus pais tinham fortes ligações às Maurícias, antiga colónia francesa no Índico conquistada pelos britânicos em 1810.
Com oito anos, Le Clézio e a sua família mudaram-se para a Nigéria, onde o seu pai, médico de profissão, foi colocado durante a II Guerra Mundial.
Foi precisamente na Nigéria que começou a sua carreira literária com dois livros: “Un long voyage” e “Oradi noir”.
O escritor cresceu a falar duas línguas: Francês e Inglês. Em 1950 a sua família regressou a Nice. Depois de completar o secundário, estudou Inglês na Universidade de Bristol, entre 1958 e 1959, completando os seus estudos em Nice, no Instituto dos Estudos Literários, em 1963.
Depois disso fez um mestrado na Universidade de Aix-en-Provence, em 1964, e escreveu uma tese de doutoramento que versava sobre a História do México, na Universidade de Perpignan, em 1983.
Tornou-se depois professor universitário, tendo dado aulas nas universidades de Banguecoque, Cidade do México, Boston, Austin e Albuquerque, entre outras instituições.
Le Clézio recebeu muita atenção mundial por altura do lançamento do seu primeiro romance: “Le procès-verbal”, em 1963. Sendo então um jovem escritor que surgia numa época pós-existencialista, Le Clézio emergiu como alguém que tentava elevar as palavras a um estado superior ao discurso do dia-a-dia, dando-lhes de novo o poder de invocação da realidade essencial, especifica o Comité Nobel. “O seu romance de estreia foi o primeiro de uma série de descrições de crise, onde se inclui igualmente a colecção de contos 'La fièvre' (1965) e 'Le deluge' (1966), onde descreve o medo reinante nas principais cidades ocidentais".
Mesmo nas suas obras iniciais, Le Clézio revelava-se já como um autor comprometido com a ecologia, uma vertente que se acentuou com as suas obras “Terra Amata” (1967), “Le livre des fuites” (1969), “La guerre” (1970) e com “Les géants” (1973).
A sua definitiva consagração como autor surgiu a par da publicação de “Désert” (1980), pelo qual foi distinguido pela Academia Francesa. O Comité Nobel sublinha que a obra de Le Clézio contém, nessa obra, “imagens magníficas de uma cultura perdida no deserto do Norte de África, em contraste com uma descrição da Europa vista pelos olhos de imigrantes indesejados. A personagem principal do livro, Lalla, é uma antítese utópica da fealdade e da brutalidade da sociedade europeia”.
Poesia - Almada Negreiros
Quem me conhece sabe do meu enorme fascínio por Almada Negreiros que considero um dos maiores homens de cultura do séc. XX português.Com a frase "Arte é comunicação", do crítico de arte britânico Herbert Read, a exposição é introduzida ao visitante, para que relacione "comunicação, escrita e arte", explicou a responsável. A mostra é organizada pela Fundação Portuguesa das Comunicações no âmbito do Dia Mundial dos Correios, a 09 de Outubro e foi hoje apresentada pela comissária e crítica de arte Maria João Fernandes na sede da entidade, em Lisboa.
As "contaminações" da palavra e da imagem "percorrem todo o século XX, desde o Futurismo e Dada, aos caligramas de Apollinaire, ao informalismo e gestualismo das décadas de 30, 40 e 50, ao movimento internacional da Poesia Visual, que em Portugal floresceu na década 60", contextualizou Maria João Fernandes.
Mas essa ligação da palavra e da imagem começou mais cedo, com Almada Negreiros (1893-1970) a tornar-se pioneiro quando criou, em 1920, três "poemas desenhados".
A série de caligramas - desenhada em pequenas folhas simples de um caderno de apontamentos - é mostrada pela primeira vez publicamente nesta exposição. Almada Negreiros desenhou cadeiras, árvores, uma mesa e outras figuras com frases poéticas.
Também foram incluídos na exposição trabalhos de Ana Hatherly, Ernesto de Melo e Castro, expoentes da poesia visual portuguesa, e ainda obras de Álvaro Lapa, Ambrósio, António Sena, Carmo Pólvora, Emerenciano, Eurico Gonçalves, Francisco Laranjo, Gracinda Candeias, Paulo Teixeira Pinto, Rico Sequeira, Teresa Gonçalves Lobo, Teresa Magalhães, Alexandra Mesquita, Cristina Valadas e Inês Marcelo Curto. Estão igualmente representados os artistas espanhóis González Bravo, Hilario Bravo, Antonio Saura, Viola, Suárez e Alberto Reguera.
O público poderá ver nesta mostra a obra plástica de outros artistas estrangeiros fortemente influenciados pela escrita, nomeadamente Alechinsky, que nos anos 40 e 50 integrou o Grupo COBRA.
"Esta tradição estética está a ter continuidade nos dias de hoje, através de jovens artistas que usam a escrita nas suas pinturas", disse Maria João Fernandes, dando como exemplo os criadores portugueses Alexandra Mesquita e Teresa Lobo.
Para conceber a exposição, a Fundação Portuguesa das Comunicações contou com o apoio de entidades como o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Colecção Manuel de Brito, a Galeria Valbom, a Galeria/Fundação António Prates, a Galeria São Mamede e outras colecções particulares, que cederam obras.
Paralelamente a esta exposição, a Fundação edita o livro "Caligrafias - A Nascente dos Nomes", que irá dar continuidade ao caderno temático "Caligrafias", editado em 2006 pela Revista Mealibra de Viana do Castelo.
Lendo - Herberto Helder
Herberto Helder, considerado um dos maiores poetas portugueses vivos, publica hoje quinta-feira um novo livro, intitulado «A Faca não Corta o Fogo - súmula & inédita», com a chancela da Assírio & Alvim.O volume, que reúne uma parte de reescrita da sua obra anterior e alguns inéditos, tem 207 páginas de poesia e uma capa ilustrada por Ilda David, em tons de azul e amarelo.
De Herberto Helder, um poeta que deu a última entrevista em 1968, recusou o Prémio Pessoa em 1994 e vive em auto-reclusão, pouco se sabe, além de que se chama Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira, nasceu no Funchal, a 23 de Novembro de 1930, e reside em Lisboa, com a mulher, Olga.
Frequentou, a partir de 1949 e durante três anos, o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, que não chegou a concluir, e começou por trabalhar na Caixa Geral de Depósitos e, em seguida, como angariador de publicidade, período durante o qual viveu numa «casa de passe».
Em 1954, data da publicação do seu primeiro poema, em Coimbra, regressou à Madeira, onde trabalhou como meteorologista, mudando-se depois para o Porto Santo.
Quando regressou a Lisboa, em 1955, frequentou o grupo do Café Gelo, formado por figuras como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, Hélder Macedo, João Vieira e António José Forte.
Trabalhou como delegado de propaganda médica e redactor de publicidade durante três anos e em 1958 publicou o seu primeiro livro, «O Amor em Visita».
Nos anos seguintes viveu em França, Holanda e Bélgica, como operário no arrefecimento de lingotes de ferro, empregado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, empacotador de aparas de papel e policopista, tendo mesmo vivido na clandestinidade em Antuérpia, onde foi guia de marinheiros no submundo da prostituição.
Regressado a Portugal em 1960, tornou-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, profissão que o fez percorrer vilas e aldeias do Baixo Alentejo, Beira Alta e Ribatejo.
1961 e 1962, editou os livros «A Colher na Boca», «Poemacto» e «Lugar», em 1963 começou a trabalhar para a Emissora Nacional como redactor do noticiário internacional e publicou «Os Passos em Volta».
Em 1968, envolveu-se na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, que desencadeou um processo judicial em que foi condenado, embora com pena suspensa, devido às repercussões do episódio, o que não impediu que fosse despedido da rádio.
Foi para Angola em 1971, trabalhar numa revista. Como repórter de guerra, sofreu um grave acidente e esteve hospitalizado três meses.
Regressou a Lisboa e partiu novamente, agora para os Estados Unidos, em 1973, ano em que publicou «Poesia Toda», reunindo a sua produção poética até à data, e fez uma tentativa falhada de publicar «Prosa Toda».
A Portugal, voltaria só depois do 25 de Abril, já em 1975, para trabalhar na rádio e em revistas, como meio de sobrevivência, tendo sido editor da revista literária Nova, de que se publicaram apenas dois números.
Depois de publicar, nos anos seguintes, mais algumas obras, entre as quais «Cobra» (1977), «O Corpo, o Luxo, a Obra» (1978) e «Photomaton & Vox» (1979), remeteu-se ao silêncio.
E dele falou, numa carta enviada em 1977 à revista Abril, endereçada a Eduardo Prado Coelho: «O que é citável de um livro, de um autor? Decerto a sua morte pode ser citável. E, sobretudo, o seu silêncio».
Por isso, pediu aos amigos que não falassem dele num documentário que António José de Almeida pretendia realizar para a RTP2, em 2007.
O documentário, «Meu Deus, faz com que eu seja sempre um poeta obscuro», acabou por ser feito, mas apenas adensou o mistério em torno da figura do poeta, já que 17 das 29 pessoas contactadas pela produção se recusaram a dar o seu testemunho.
Da sua poesia, escreveu o crítico literário Jorge Henrique Bastos, ex-colaborador do Expresso e responsável pela primeira edição brasileira da poesia de Herberto Helder publicada no Brasil, em 2000, que o poeta «impulsiona a viva encantação das palavras [e que] o abalo que a sua poesia provoca é um dos mais profundos que a literatura de língua portuguesa já sofreu».
Sobre o novo livro de Herberto, disse o poeta Gastão Cruz à Lusa: «Não sei o que espero, somente que se situe, como decerto acontecerá, no nível da sua restante obra poética».
Por sua vez, Helder Macedo sublinhou: «Qualquer publicação do Herberto Helder tem a importância que o Herberto Helder tem. Ou seja, uma enorme importância».
In Lusa
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Musicando - Punk d'Amour Hoje no Kool
“Senhoras e senhores, bem vindos ao espectáculo do peso e do riso, do som e da fúria, da alegria histérica e da tristeza patética!”Os Punk d’Amour foram-se juntando algures em 2006. O projecto começa com as canções de Filipe Ferraz e a música e arranjos de Bruno Vítor. Durante a sua existência, esta banda que mais parece uma associação recreativa, deu dezenas de concertos: ganhou o Antena 3 Rock, esvaziou as Vespas, compareceu em festas de caloiros, contribuiu para noites memoráveis em bares nocturnos de reputação mais ou menos duvidosa.
Foram dezenas de concertos, mas também dezenas de músicos que tocaram ao vivo as músicas Punk d’Amour: violoncelos (um), guitarras (algumas), cantores convidados (muitos), e instrumentos de sopro de todo o género. Se primeiro que tudo existe uma vontade de fazer a festa, de compartilhar, de tocar com toda a gente, para toda a gente, esta vocação para cigano revela outra inquietação: Quem é Punk d’Amour, a que soa uma banda que nasce numa ilha no meio do Oceano Atlântico, que música faz um grupo de putos sem jet lag, que saltam do Salif Keita aos Sex Pistols sem remorsos?
Os Punk d’Amour estão cada vez mais perto de saber o seu lugar no mundo. O concerto da próxima quarta-feira mais vai parecer uma banda filarmónica: Ferraz no microfone, Bruno na bateria e no microfone, Paulo Ricardo no trompete, Wreiner no trombone, Fabian na tuba, e convidados, claro. Deram a este concerto o nome de ‘Sub-tropicalismo’.
As canções dos Punk d’Amour podiam ser cinema. Se nem sempre existe uma narrativa, há sempre uma fotografia. A violência do ponto de vista, que obriga tudo a estar num lugar, numa hora, com uma condição. O resto é a música. Não a música das sétimas e das diminutas, nem a música dos estilos e correntes, nem sequer música como meio de alcançar um estatuto, de músico ou de estrela. Sim o som das ruas e dos lugares, o ritmo que está na Cidade. E a vontade de ir cada vez mais para Sul.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Musicando - dEUS em Outubro
A notícia é avançada pela Antena 3. A banda belga vem mostrar o novo «Vantage Point» que, aliás, já foi apresentado em Paredes de Coura.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Homenageando - Eduardo Lourenço
O ministro da Cultura atribuiu hoje a Medalha de Mérito Cultural a Eduardo Lourenço como "agradecimento e homenagem" do Governo ao ensaísta e filósofo de 85 anos, "talvez o mais contraditório e coerente dos portugueses". A medalha foi entregue pelo ministro José António Pinto Ribeiro durante a sessão de abertura do “Congresso Internacional Eduardo Lourenço – 85 anos”, organizado pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkain, palco do encontro.Na sua intervenção pouco antes da entrega da condecoração – "entregue como uma homenagem do Governo" ao filósofo – o ministro da Cultura pediu a Eduardo Lourenço que torne possível a recolha de toda a sua obra "para ser depositada na Biblioteca Nacional" (BN). "Faço este pedido para que o acervo de Eduardo Lourenço possa estar acessível a todos", salientou José António Pinto Ribeiro perante a audiência, acrescentando: "Tomo como compromisso que a sua obra seja guardada e trabalhada na Biblioteca Nacional nas condições que Eduardo Lourenço estabelecer".
Emílio Rui Vilar, presidente da Gulbenkian, classificou-o como "o maior pensador português do nosso tempo" e destacou a "aguda lucidez, originalidade e independência" da sua obra, desenvolvida ao longo de sessenta anos.
Durante dois dias, especialistas portugueses e estrangeiros vão reflectir neste congresso sobre a obra do ensaísta nas áreas da literatura e crítica literária, filosofia, teoria política, história, cultura e ensaísmo.
José Saramago, Hélder Macedo, Manuel Alegre, Gastão Cruz e João Bénard da Costa são algumas das personalidades da área da cultura que darão um testemunho sobre o filósofo na sessão de encerramento, no final da tarde de terça-feira, na Gulbenkian.
Cinema - Destruir Depois de Ler

Realizador: Ethan Coen, Joel Coen (EUA)
Com: Brad Pitt, George Clooney, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins, Frances McDormand, J.K. Simmons
Género: Comédia/ Crime
Classificação: NA
Origem: EUA
Duração: 120 min.
Site Oficial: http://www.filminfocus.com/focusfeatures/film/burn
As interpretações são magnifícas, caricaturas perfeitas que se movem como que personagens de um conto de fadas. Pitt, McDormand, Malcovitch, Swinton e Clooney são magistrais nos seus actings dirigidos pela mão segura dos Cohen.
Tenho que reconhecer que adoro esta dupla de irmãos realizadores, considerando-os dignos de figurarem na minha galeria de preferidos. A sua capacidade de colocar no écran temas de dificil tratamento (muitas vezes por serem simplistas) é brutal. Depois nem tudo é óbvio. Temos que ler nas entrelinhas e procurar as nossas próprias respostas.
De que trata o filme? Da vaidade! Vaidade intelectual, vaidade fisíca, mas sempre vaidade. No final quase que temos a sensação de estarmos na presença de muito "barulho" sobre nada! Até entrarmos num caminho de luz que, no final, se calhar, nos leva para o mesmo destino que o caminho da vaidade.
domingo, 5 de outubro de 2008
Entrevistando - Fernando Tordo à Visão
Aqui fica a excelente entrevista dada por Fernando Tordo à Visão, conduzida pela mão sabedora de Miguel Carvalho.Tordo é maior do que uma vida: 60 anos cumpridos este ano, 44 de carreira. Melhor é fazer a soma, pois na sua existência habitam vivências que não cabem nas contas do comum dos mortais. E nem seria preciso falar dos festivais da canção, das dezenas de discos editados, das peças de teatro escritas e interpretadas, dos poemas do livro Quando Não Souberes, Copia, do spaghetti literário de Fantásticas, Fingidas e Mentirosas, ou das pinturas agora (re)descobertas. Ao longo de quase três horas de conversa, o cantor não passou apenas o passado em revista. Passou os dias de hoje a limpo, fez as barrelas que entendeu e, ao relento, estendeu os dias que virão. «Resisti à minha custa, com as minhas canções e trabalho, sem depender de lóbi algum. Olho para toda a gente de cara levantada.»
Anda na estrada, de novo, num autocarro com os seus músicos, e nada falta ao estatuto de uma carreira assim. Acompanhado da Stardust Orchestra, Tordo prepara-se para dois momentos altos: dia 4, no Theatro Circo, em Braga, e dia 10, no Coliseu de Lisboa, onde receberá a medalha da cidade, e surgirá acompanhado de Rui Veloso, da fadista Carminho e dos Gato Fedorento.
O que é que ainda o motiva para andar na estrada?
Estou a fazer a demonstração de que é possível, aos 60 anos e aos 44 de carreira, fazer um grande espectáculo do homem de canções com uma grande orquestra. Sinto-me como nunca. Deixei de beber álcool e de fumar. É um processo diário. Faço-o com determinação, ajudado por muita gente. Fiz uma dieta, perdi 17 quilos em quatro meses! Se não fosse assim, não conseguiria fazer este espectáculo.
Mas há a ideia de que o cigarro e o álcool compõem a imagem do artista…
Com o desgaste da profissão, isso vai-se adulterando. Tive uma resistência inimaginável, mas não há necessidade. O melhor ainda está para vir. Não me sinto com 60 anos. E aos 70 vou cantar ainda melhor…
Não está nada preparado para se tornar memória…
Que me lembre, sou memória desde os 36 anos. Aos 34, já era o veterano! [risos] Quem mantém uma carreira de tantos anos só pode ser permanentemente inovador, caso contrário ficava pelo caminho. Não é teimosia, é coerência. Se estou melhor do que aos 30 ou 40 anos, o que me impede de dizer isso às pessoas?!
Ainda há espaço para um cantor assim num país onde todos se acham no direito de cantar e escrever?
A minha profissão está banalizada, é verdade. As televisões abriram portas às cantiguinhas, entretenimento de borla e três minutos de glória. O resto da vida é de sofrimento, neurose e depressão. Os jovens explorados nos programas estão ou vão ficar nesse estado. Passam-se anos sem vermos um cantor ou compositor a sério na televisão. Ainda há dias me vi na RTP Memória. Confrontado com uma imagem, uma fotografia, percebo que tenho 60 anos. Mas confrontado com a vida, não.
Teve uma infância feliz?
Sim. Nunca passei fome, o meu pai viveu do trabalho, a minha mãe era doméstica, está viva ainda. O meu pai era industrial de cortiças, trabalhava para a construção civil, fazia isolamentos acústicos e térmicos. Há uns anos fui operado à vesícula, no Hospital de Santa Maria, e meteram-me num quarto que tinha sido revestido pelo meu pai. Emocionei-me. Politicamente, ele estava muito ligado aos comunistas e anarquistas, embora não o dissesse...
Queria ser o quê em miúdo?
Só pensava em música. Na rua do bairro de Alvalade onde a minha mãe ainda vive havia um cabeleireiro que, no Natal, tinha sempre uma árvore cheia de brinquedos pendurados. Teria uns 6 anos e a minha mãe disse-me para ir lá escolher um brinquedo. Havia camisolas, chapéus, pistolas, carros de combate, soldadinhos de chumbo e uma corneta de plástico, foleira. Tirei a corneta! [risos]
Nos anos de estudante, o que o marcou?
O Colégio Moderno e o meu professor de Música, Joel Mascarenhas. Um homem fascinante, completamente contra o programa de ensino da música. Era músico da Orquestra Sinfónica e ainda me acompanhou em festivais. Era muito virado para frente, com um espírito livre.
Foram os primeiros cheiros a subversão?
O Colégio Moderno era assim, havia um espírito de liberdade. Foi lá que soube de coisas muito chatas. As manhãs em que a PIDE ia buscar o Mário Soares eram sinistras. Ainda tenho a imagem dos carros pretos dos pides e a cara muito marcada da Maria Barroso. Não será a palavra correcta, mas tive a felicidade de estar informado muito cedo sobre o que corria mal neste país.
Era bom aluno?
Portava-me mal, tive de ir muitas vezes ao gabinete do pai do Mário Soares, o doutor João Soares. Mas tirei vários 19 com o Urbano Tavares Rodrigues. Eu era especialista em Cantigas de Amigo, de Escárnio e Maldizer.
Chamou a esses tempos «imitação da felicidade»…
A minha geração viveu várias coisas à escala nacional e internacional. Isso marca uma diferença. Havia um espírito de sociabilidade, de vontade. Hoje, vivemos uma situação miserável no plano moral e dos valores. Mas o 25 de Abril há-de ter cada vez mais importância. A malta nova está a perceber que lhe ocultaram uma data de coisas. E pessoas.
Como descobre a música?
Aprendi a tocar guitarra no colégio, com o meu amigo Bastos Gonçalves. Em 1957, aparecem os Shadows e o Bruce Welsh era o meu ídolo! Foi o gajo que me «ensinou» a tocar guitarra. Toquei com os Deltons e os Sheiks. Mais tarde, o Luís Villas Boas diz-nos: «Vocês são todos uma cambada de pirosos e de foleiros, só ouvem merda!» E, em casa dele, começaram as doses industriais de Count Basie, Duke Ellington, Sinatra, Tony Bennett. A partir daí, um gajo entra na luta sistemática pela excelência. Mesmo que nunca lá chegue.
Fez uma dupla única com Ary dos Santos, mais de 600 canções...
Ui, talvez mais, misturando teatro e tudo. Mas deitávamos os papéis fora. Um crime! Razão tinha o Luís Villas Boas, que assistia às nossas sessões e ia apanhar alguns...
Comparou o Ary ao Vinicius…
Disse que era melhor! São dois grandes talentos poéticos, mas na escrita da língua portuguesa para canção, a estrutura poética do Ary é superior. E, até agora, insubstituível. Em tempos, uma certa intelectualidade acusou o Ary de se ter vendido à escritazinha para canção. É preciso ler a sua obra para perceber o poeta que ele era. Com o Ary, a Garota de Ipanema nunca seria só uma garota que passava. Na escrita de canções, o Chico Buarque é o que, no Brasil, mais se aproxima do Ary. Não só por causa da preocupação social e política presente, mas também pela organização da escrita. O Ary não conseguia dar uma nota musical, mas tinha uma capacidade de apreensão da rítmica inquestionável. Raramente musiquei um poema dele. Foi tudo ao contrário. Cavalo à Solta, Estrela da Tarde, a Tourada, todas essas canções, foram criadas para uma estrutura musical prévia. Funcionava muito bem.
Quase não era preciso falar…
As nossas grandes conversas foram a fazer canções. Vivemos no mesmo prédio uns sete, oito anos, mas tínhamos vidas, amigos, sítios e hábitos diferentes. Depois, ele apresentou-me a intelectualidade lisboeta e eu fiz o mesmo com os músicos. Era uma parceria sagrada, mas tão intensa, que, a dada altura, já quase não nos podíamos ver.
Como é que a Tourada passou na censura?
Ninguém leu as entrelinhas. Ou se alguém percebeu, calou-se. Não queríamos fazer escárnio da tourada. Aprendi a terminologia nas transmissões da RTP, em menino. O Ary não percebia nada do assunto, mas ficou fascinado, quando lhe entreguei umas folhas com todos os termos da tourada. Ficou doido, ao ler a palavra «inteligente» – há um «inteligente» na tourada – pois deu-lhe o pretexto para se referir a uma pessoa ainda viva, mas de quem não vou falar. O texto está actual, infelizmente.
A canção descreve tudo o que temos à nossa volta. Até parece que foi a sociedade que acabou por se encaixar na Tourada…
Numa entrevista, o Ary distinguiu o maricas do homossexual pelo carácter. O Fernando já se referiu, num livro seu, ao poder do lóbi gay. Isto anda tudo ligado? O Ary era homossexual e foi, talvez, a primeira figura pública a assumi-lo, antes do 25 de Abril. Hoje, existe um potentíssimo lóbi gay, no nosso país. Em muitos países da Europa há ministros, presidentes de Câmara, outras figuras públicas, que se assumem. Mas, em Portugal, o lóbi gay tem uma componente de ocultação terrível.
Hoje, o Ary não faria parte desse lóbi?
O Ary não gostava da bichice nem da mariquice. A ocultação desagradava-lhe profundamente. E este lóbi gay jamais se denunciará. Compreendo que não queiram fazê-lo tão abertamente como o Ary, mas também não é aceitável que ocultem essa condição em nome de um jogo de grande influência que prejudica muita gente.
Guarda alguma amargura do 25 de Abril?
Os partidos quiseram ditar uma cartilha de valores. E alguns ainda querem. Mas os valores são sempre individuais. A sociedade ainda recupera muito lentamente das fracturas violentas daquele tempo, em parte por culpa dos partidos. Eu próprio fracturei relacionamentos com amigos. Estou arrependido disso e tento recuperar.
Como olha para os seus anos de militância no PCP?
Fui militante até 1991. Dei tudo, nunca virei as costas. Não me arrependo, mas jamais voltarei a estar dentro do redil de um partido. Cantei em aldeias, com lama até ao pescoço, de borla. Passei tempos fantásticos e conheci pessoas fantásticas. Foi uma experiência impressionante até concluir que não há nada pior para a liberdade individual. Cantores dessa órbita política sentiram-se maltratados e humilhados pelas máquinas partidárias.
Mesmo assim, no pós-25 de Abril, sente que fizeram o que deviam, ou seja, cantaram o que era preciso?
Não nos decretámos artistas no dia 26 de Abril. Já havia um percurso, e isso deu uma bagagem enorme. Foi importante o que fizemos, naquele momento. Mas detrás já vinha a pequena história, a canção que ajudou a que o 25 de Abril acontecesse. Na maioria, não eram canções políticas. Fazíamos uma espécie de jornalismo de cantigas. Uma canção sobre a carestia de vida, outra sobre os fachos, etc. Mas não indicávamos um caminho.
O que é ser de esquerda e direita hoje?
A mais profunda vivência das artes está desde sempre ligada à esquerda. E essa é a minha área. Quanto mais pensante, solidária e limpa for, melhor será a esquerda. Quando isso não acontece, lembro-me sempre de que há muita gente de direita interessante.
O que pensa de José Sócrates?
Ele gostará muito do seu país, mas não pode dizer que as coisas estão bem quando estão mal. É um ruído de fundo. Sócrates ainda não percebeu que não é pelo facto de gritar que tem mais razão.
Foram os dias passados com Saramago, em Lanzarote, que o converteram ao iberismo?
Não, mas concordo com ele. Sou iberista desde miúdo, tempo em que era preciso autorização para ir ver futebol a Cádis! Os espanhóis não eram o que nos ensinavam na escola. O nosso futuro passa por uma união com Espanha. E não só por razões económicas…
Lançou o disco dos prémios Nobel, em Espanha…
Em Portugal, ninguém o quis! Pensei oferecê-lo para distribuição, mas chegaram a desculpar-se com falta de pessoal na promoção. Isto, numa das maiores editoras do mundo. Oxalá já não seja! Felizmente, a maior editora discográfica já é a Internet. Quando disse em Espanha que tinha musicado 12 prémios Nobel da Literatura, quiseram logo editar. E a apresentação do disco cá, foi tratada pelo Instituto Cervantes! Ah, e já agora, também estou registado na Sociedade de Autores, em Espanha.
A edição do disco aqui só foi possível graças ao Ministério da Cultura português.
Como caracteriza o mercado musical português?
Há alguma abertura em relação a outras linguagens. Mas passamos do oito ao oitenta, de música pimba a festivais de jazz. O resto, que é a maioria, não tem palco. As pessoas nem sabem que os discos são lançados.
A RTP e a RDP-Antena 1 são excepções, mas o analfabetismo musical está instalado. Não critico por não passarem mais portugueses, é por passarem má música estrangeira. Alguns portugueses estão a ser tratados como cantores do regime. Involuntariamente, mas estão.
Nunca fez cedências comerciais?
Se, com 22 anos, tivesse gravado coisas de compositores mexicanos, tinha ficado milionário aos 27! O Villas Boas dizia-me que era melhor seguir o caminho das pedras, se quisesse ser alguma coisa na música. Tive a felicidade de conhecer pessoas fulcrais, no momento das grandes decisões. Sei o que é mediocridade, porque conheci as coisas boas. Mas muitos foram carne para canhão de editoras, partidos, etc. Não temos grandes empresários, nem agentes musicais. Temos, isso sim, grandes sacadores de dinheiro. Num país como o nosso, tão pequeno e mal estruturado, os artistas não podem ser tratados como máquinas de fazer dinheiro. Os da minha geração não resistiram a tudo por ter bons empresários, resistiram porque são bons.
A dada altura da vida, refugiou-se nos Açores. Onde fez três discos. Foi uma fuga ou um recolhimento?
Houve quem dissesse que tinha fugido para o Canadá, por causa de dívidas... Tinha um bar chamado Cantador-Mor, junto do Castelo, em Lisboa, onde me encontrava com amigos, gente da música e do teatro. Mas comecei a não ter tempo.
O Adeus Tristeza foi um disco que compus em algumas tardes, no bar, já nos limites da resistência. Quando decidi ir para o Faial, em 1983, saí do bar directamente para os Açores, às seis da manhã.
Houve outros motivos?
Questões amorosas. Mas quem as não tem? É isso que nos faz estar vivos, também. Durante um ano, fui enviando as minhas coisas para o Faial. Nasce daí a minha colaboração e grande amizade com o François Rauber, orquestrador do Brel. Telefonei-lhe antes de ir e, quando já estava nos Açores, ele pediu-me para lhe enviar uma cassete «para escutar o clima». Mandou-me uma carta a dizer que fazia as orquestrações das minhas canções com muito gosto. Nunca fui tão solicitado como nesse período. Os discos ganharam os prémios que havia. As pessoas olham de forma diferente para o desgraçadinho que se foi embora por desgosto…
Que Fernando regressou, ao fim de três anos e meio?
O que me fez regressar foi o casamento. Os Açores significaram uma aprendizagem de vida que não vem nos livros. Foi uma vivência inesquecível e devo-a aos açorianos. Muita gente dizia: «Açores? Eh pá, isso é do pior que há, é só reaccionários.» Mas nunca fui tão bem tratado. Não esqueço, por exemplo, a cortesia e delicadeza do então presidente do Governo Regional, Mota Amaral.
No Continente, sentiu que pagou uma factura por ser de esquerda?
A marginalização a que fui sujeito durante muitos anos está aí como prova. Mas não estou zangado com ninguém. Compreendi. Outros foram mais marginalizados, mais perseguidos. Morreram por dentro.
Precisou de ajuda psiquiátrica para superar algumas situações. Quer falar disso?
As opções, os isolamentos, as zangas, provocaram-me algumas disfuncionalidades. Uma delas foi o álcool. A dada altura, temos a consciência de que nos vamos matar de alguma maneira. Já não tinha prazer, era um sofrimento diário. Há dois anos, um contacto salvou-me a vida. Comecei a ver as coisas de outra maneira e fiquei de bem com tudo o que estava para trás. A minha mulher e o restante agregado tiveram uma acção fulcral. E disse para mim: «Vou fazer todos os possíveis para ficar mais tempo com esta gente. Merecem.» Também pesou a questão profissional. Não há copos nem cigarros que sejam mais importantes do que vestir um fato, subir a um palco, e cantar as minhas canções para as pessoas.
Fez teatro, publicou poesia, agora mostrou os seus quadros...
A pintura é uma grande loucura, mas só é uma descoberta para o público. Já pinto há muitos anos. A qualquer hora. Às vezes, se não me ponho a pau, esqueço-me de ir aos espectáculos! [risos]
Copiou alguns Picassos, não foi?
Tenho Picassos fabulosos [risos]! Mas um gajo começa a imitar uma coisa simples com uma cagança do caraças, do género «isto até eu faço», e depois é o fazes! Só então percebemos o mundo deles. Foram espíritos livres. E isso é que temos de aprender. A liberdade é uma lição constante. Temos de libertar a cabeça e seguir a nossa própria linguagem. Dedico-me à pintura, porque há coisas que não sei expressar na música nem na poesia.
Tem tido outras inclinações?
Ainda hei-de fazer teatro a sério! É tardio, tenho medo de que a memória me atraiçoe, mas agora estou mais liberto, tenho outras experiências acumuladas. E quero escrever uma opereta, um grande musical.
Obituário - Diniz Machado
Segundo a editora Assírio & Alvim, o corpo do escritor ficará ainda hoje em câmara ardente na Igreja da Encarnação ao Chiado, em Lisboa.
Nascido a 21 de Março de 1930, em Lisboa, Dinis Machado foi jornalista desportivo, crítico de cinema e editor da revista de banda desenhada Tintin.
O seu maior êxito como escritor foi o livro "O Que Diz Molero", reeditado em 2007, três décadas depois depois da sua edição original, por ocasião do 77º aniversário do escritor. A sua adaptação ao teatro, pela mão de José Pedro Gomes e António Feio, foi igualmente um sucesso.
Sob o pseudónimo Dennis McShade, Dinis Machado escreveu também entre 1967 e 1968 os romances policiais "Mão direita do Diabo", "Requiem para D. Quixote" e "Mulher e Arma com Guitarra Espanhola" que estão agora a ser reeditados pela Assírio & Alvim.
Nas décadas seguintes escreveu "Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marques" (1984), "Reduto Quase Final" (1989) e "Gráfico de Vendas com Orquídea" (1999), livros que considerou, no entanto, esquecidos pelo público e ignorados pela crítica.
sábado, 4 de outubro de 2008
Lendo - Nobel
A Academia sueca comunicou que anunciaria o nome do vencedor do Prémio Nobel da Literatura quinta-feira, 9 de Outubro.O secretário permanente da Academia, Horace Engdahl, fará o anúncio em Estocolmo às 13:00 (11:00 GMT).
O nome do vencedor está, como de costume, envolto em segredo, porque a Academia sueca nunca dá nenhuma indicação sobre as suas escolhas.
Mas o mundo literário não deixa de fazer as suas apostas. Jean-Marie Gustave Le Clézio (França), Cees Nooteboom (Holanda), Amos Oz (Israel), Margaret Atwood (Canadá), Arnost Lustig (República Checa), Carlos Fuentes (México), Haruki Murakami (Japão), Antonio Tabucchi (Itália), Philip Roth (EUA), são alguns dos nomes de quem se fala.
Como no ano passado, o portal de apostas na internet Ladbrokes dá como favorito o italiano Claudio Magris na corrida para o prémio de 10 milhões de coroas suecas (1,02 milhões de euros).
O ano passado o galardão foi entregue à escritora britânica Doris Lessing.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Descansando
Cinema - Ensaio Sobre a Cegueira
O filme «Ensaio Sobre a Cegueira», de Fernando Meirelles, estreia hoje, sexta-feira, nos Estados Unidos, e está já a causar polémica entre os invisuais, que se queixam da imagem que é passada sobre os cegos.A Federação Nacional dos Invisuais dos Estados Unidos está a preparar um protesto contra o filme, que se baseia num romance de José Saramago, e que estreará em 75 salas de cinema em pelo menos 21 estados norte-americanos.
Citado pela Associated Press, o presidente da Federação Nacional dos Invisuais, Marc Maurer, afirmou terça-feira que a cegueira não é uma «alegoria muito inteligente para falar sobre o colapso da sociedade».
«O filme retrata as pessoas cegas como monstros e isso é mentira. A cegueira não transforma pessoas decentes em monstros», indignou-se Marc Maurer. A federação está a planear protestos junto dos cinemas, com o recurso a cartazes, onde estará escrito «Não sou actor, mas na vida real eu sou uma pessoa cega».
A história de «Ensaio Sobre a Cegueira» é sobre uma estranha epidemia de cegueira branca que gera o caos no seio de uma comunidade, o instinto de sobrevivência a sobrepôr-se à civilização.
O filme, que conta com a interpretação de Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e Gael García Bernal, teve antestreia mundial em Maio, na abertura do Festival de Cinema de Cannes.
Em comunicado, os estúdios Miramax lamentaram este protesto e defenderam que o realizador brasileiro Fernando Meirelles teve a preocupação de se manter fiel à história de Saramago, «uma corajosa parábola sobre o triunfo do espírito humano quando a civilização sucumbe».
Para a federação norte-americana, o filme transmite estereótipos errados sobre os cegos, nomeadamente sobre o facto dos que não vêem serem incapazes de tomarem conta de si próprios e estarem permanentemente desorientados.
«Ensaio Sobre a Cegueira» tem a estreia prevista nas salas de cinema portuguesas a 13 de Novembro.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Musicando - Sheila Jordan
A cantora de jazz norte-americana Sheila Jordan actuou ontem à noite no Centro Cultural de Belém, num concerto comemorativo do quinto aniversário do blogue Jazz no País do Improviso. Lisboa foi a primeira etapa de uma digressão que Sheila Jordan, com 80 anos, vai realizar em Portugal onde passará por Almancil, Sines, Cascais, Odivelas e Calheta (Casa das Mudas).A cantora norte-americana que será acompanhada por Filipe Melo (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo), e João Moreira (trompete), partilhou o palco lisboeta com as cantoras Maria Viana e Maria João.
Sheila Jordan actuou pela primeira vez em Portugal em 1992, no Estoril Jazz Festival. A cantora descobriu o jazz através de Charlie Parker, tendo-se casado com o seu pianista Duke Jordan.
Segundo o crítico de música José Carlos Monteiro Costa, em 1951 Sheila "mudou-se para Nova Iorque onde ganhou uma maior experiência de bebop e estudou teoria musical do jazz com o pianista Lennie Tristano". Na década de 1950, cantava no Page Three, em Greenwich Village, "quando George RusseI a ouviu e recomendou à editora discográfica Blue Note", afirmou Monteiro Costa.
Em 1980, formou um quarteto com o pianista Steve Kuhn, Harvie Swartz e Bob Moses. Mais tarde, formou um duo com o contrabaixista Swartz, com o qual visitou Portugal.
Segundo Monteiro Costa "esta é uma das fórmulas que Sheila prefere: voz e contrabaixo. Sem as "restrições" de uma secção rítmica".
Exposição - Tall Ships Race
Musicando - EME

Links
http://www.centrodasartes.com/2008-507.aspx?year=2008
http://www.emefestival.org/
http://www.hauschka-net.de/
http://www.myspace.com/hauschka
http://www.irisarri.org/
http://www.myspace.com/rafaelantonirisarri
http://nny.pixelnerve.com/
Será possível determinar o ponto de fronteira que delimita a música composta da música improvisada? Ou mesmo, o ponto onde cessa o domínio da música e se inicia o do som? Existirá porventura uma fronteira, em qualquer dos casos?
Por outro lado, fará sentido avaliar e separar a criação em função dos meios utilizados? Um piano não poderá ser tomado como um instrumento de elevada complexidade quando tocado por um nativo da Nova Guiné? Um computador portátil não representará a mesma proporção de análise aos olhos de um europeu médio?
A estas e outras questões, diferentes pessoas, dar-nos-ão diferentes respostas. E todas elas, em função do momento, do seu estado de espírito e sobretudo da memória que foram construindo ao longo dos anos (cultural em geral, e artística em particular).
Em valores absolutos, podemos considerar que a maior diferença entre um piano e um laptop está no peso de cada um.
Mais do que respostas ou verdades absolutas, pretendem estes EME lançar questões a partir de trabalhos de artistas com propostas musicais, sonoras e visuais bastante diversificadas. O campo de intervenção, vai muito para além da música, abrindo-se também às artes visuais e digitais ligadas ao vídeo e à dinâmica “hard disk, live processing”. Ficam pois abrangidas, as artes que de uma forma ou de outra se aproximam dos conceitos de instalação (arquitectónica, sonora ou vídeo).
Objectivo: o alargamento de fronteiras e um sentido de procura incessante, onde as ideias de sucesso ou fracasso não fazem grande sentido. As ideias de exploração e descoberta sobrepõem-se a qualquer ditadura estética, e quanto ao discurso –ou estilo- cada um tem o seu, tal como os rostos.
Impõe-se o diálogo e a transversalidade nos espíritos e nos comportamentos.
Nesta edição, tal como em todas as outras, para além dos criadores internacionais de relevo, há ainda a realçar a presença de um conjunto representativo de criadores nacionais que irão desenvolver projectos paralelos aos artistas internacionais. Esta é, aliás, uma das premissas dos EME: estabelecer proximidade e laços entre criadores nacionais e estrangeiros, nunca relegando para segundo plano a produção e criação nacional. A comprová-lo, os cerca de 60 criadores nacionais e os 30 estrangeiros que estiveram presentes ao longo de todas as edições dos EME.
Entendemo-nos pois, como um lugar de reflexão, experimentação e transversalidade, por oposição a um lugar de certezas, e consideramos o processo de questionar mais importante do que o resultado das possíveis “verdades de cada um”.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Teatrando - Vou-te Bater! Comedy Club

Musicando - Hoje On Mute no Kool







