quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Politicando - Yes We Can!!!!

Desculpem mas também eu fui atingido pelo vírus da Obamamania.
Aqui fica o discurso da vitória traduzido para português, um discurso envolvente, humano e inteligente:


Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.
É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença.
É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.
Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.
É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia.
Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América.
Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.
O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta.
Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama.
Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.
E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites.
Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.
E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.
Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir.
Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.
Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.
Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.
Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.
Esta vitória é vossa.
E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.
Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.
Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.
Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.
Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.
Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.
Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.
Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.
Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.
Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.
Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.
Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.
São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.
E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.
E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.
Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.
É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.
Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.
Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.
Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.
Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.
Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.
Sim, podemos.
América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento.
Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.
Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América

Tradução de Mª João Batalha Reis

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Musicando - Undercover no Kool


Não se tratou de um nascimento planeado. A semente foi lançada por Miguel Apolinário e Miguel Meneses e pelo seu interesse pessoal nas áreas do rock, funk e pop. Foi a oportunidade que os juntou em meados de 2005, num duo acústico, que desde logo se evidenciou pela empatia, pela simplicidade dos arranjos, pela qualidade das interpretações e a originalidade do projecto.
Para este concerto no Kool Klub, o projecto apresentar-se-á em formato de quarteto reforçado com Bruno Vitor na bateria, Georgi Titov no baixo. Como convidados: Lidiane Duailibi e Luisa Abreu nas vozes, Rafa no trompete, Juan Freitas nas teclas e Daniel Caires Henriques na harmónica.
Um concerto cheio onde a interactividade entre os músicos se fará sentir!!!
Undercover no Kool Klub. Hoje a partir das 23.45.

Cinema - Festival Internacional de Cinema do Funchal

A este propósito escreve hoje Paula Henriques no DN/Madeira:

Nove dias de cinema, com filmes de qualidade habitualmente fora do circuito comercial, é a proposta da quarta edição do 'Festival Internacional de Cinema do Funchal (FICF), que começa sexta-feira, no Teatro Baltazar Dias, este ano com dez filmes a concurso e com a 'A Corte do Norte' e 'Ensaio Sobre a Cegueira' também a marcarem presença por cá.
'I'm from Titov Veles', da Macedónia, (realizado em 2007 por Teona Mitevska) e 'Tricks' da Polónia (realizado por Andrzej Jakimowski neste mesmo ano) tem a particularidade de terem sido submetidos pelos respectivos países à corrida aos Oscar. Na corrida deste lado estão ainda 'Kino Lica', da Croácia (realizado por Dalibor Metanic em 2007); 'Strawberry Wine', também da Polónia (realizado, este ano, por Dariusz Jablowski); 'A Via Láctea', que vem do Brasil (assinado por Lina Chamie em 2007), juntamente com 'Estômago' (de Marcos Jorge), este último uma co-produção brasileira e italiana com data de 2007.
O alemão 'The Icebomb' (realizado este ano por Olivier Jhan), o checo 'Of Parents and Children' (realizado em 2008 por Vladimir Michalek), o iraniano 'Lonely Tunes of Tehran' (assinado por Saman Salor este ano) e o israelita 'For my Father' (deste ano, de Dror Zahavie) fecham a lista, a exibir de segunda a quinta-feira. Cada um destes dez filmes só será projectado uma única vez, ao contrário do que aconteceu nas edições anteriores do FICF. Por isto mesmo, esta poderá ser uma das críticas a apontar à edição deste ano, visto que alguns destes filmes são apresentados em horários pouco consensuais, como às 15 horas e às 18 horas.
O júri é composto pelo realizador português José Fonseca e Costa, que esteve cá na edição do ano passado; Dennis West, um crítico, jornalista e professor universitário nos Estados Unidos; Fernanda Silva, agente cultural portuguesa, directora do 'Festival de Cinema Festroia'; e ainda Pilar Anguita Mackay e Alexander Hoppersdorff, dois realizadores, a primeira chilena e o segundo alemão.
O 'Festival Internacional de Cinema do Funchal' começa no dia 7, mas a gala de abertura do Festival realiza-se no dia 8, a partir das 21h30. Contará com um espectáculo performativo do pintor francês Jean Pierre Blanchard e com a exibição de 'Ensaio Sobre a Cegueira', de Fernando Meirelles. O filme baseia-se no romance homónimo de José Saramago e é apresentado no Funchal cinco dias antes da estreia nacional.
O FICF reserva este ano o dia 14 para o cinema canário, onde apresentará 'Nasija', 'Eu Vuelo del Guirre', 'Esposados', 'Mararia', 'Rutina' e 'La Caja'. Além destes, passam também pelo Teatro Baltazar Dias os filmes 'O Segredo de um Cuscuz', 'Garage', 'O Voo do Balão Vermelho', 'Três Tempos' e 'A Corte do Norte', este ultimo no dia 15, dia de encerramento do Festival. Os horários serão divulgados diariamente.
Para esta noite, a última, está reservada a gala de entrega de prémios no Centro de Congressos da Madeira e uma festa depois no Molhe.
Claudia Cardinale vem à Madeira receber o Prémio Carreira. A organização lamenta a falta de apoios a esta edição - que custou cerca de 115 mil euros e que foi apoiada em 90 mil pela Câmara do Funchal. A falta de mais meios inviabilizou o convite a revistas internacionais que, com a actriz, ajudariam na projecção da Região além fronteiras.
Miguel Albuquerque disse mesmo que está na hora de saber, de decidir, se a Madeira quer mesmo um Festival de Cinema. O presidente da câmara disse também que é preciso definir as prioridades e acrescentou que faz todo o sentido que a Direcção dos Assuntos Culturais apoie o evento, uma mais valia, não só em termos culturais, mas também em termos económicos, pois vem criar um cartaz numa época baixa em termos de ocupação hoteleira.
Verbas à parte, este ano o Festival introduziu novidades: a secção de animação desapareceu e foi criada a Première Madeira para promover jovens criadores de cá.
No leque de curtas encontram-se 'Aqui Há Gato', de César Gonçalves, 'Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades', de vários autores, 'Vida Cinza', de João Pereira Cabral', 'Danse Macabre' e 'Nicht Diese Tone', de Roberto Macedo Alves, 'Um Sonho de Um Dia de Inverno', de Ilídio Ribeiro e 'Aborrecimento' e 'Edição Criativa', ambos de vários autores.
A Première Madeira terá ainda uma secção de documentários, com a exibição de 'O Corpo Eléctrico de Dançando com a Diferença', de Filipe Ferraz, e 'Naturalistas de Vulto na Madeira', de Eduardo Costa.
Há também a destacar no FICF o 'I Festival de Microfilmes', para incentivar público mais jovem a produzir conteúdos audiovisuais com o telemóvel. Além de toda esta vasta programação, estão previstas conferências e workshops ao longo da semana.
De referir que este ano os filmes estão todos traduzidos para português. Os bilhetes custam três euros. Algumas das secções são de entrada livre. Há também descontos para escolas.

Paula Henriques

Politicando - Obama


A esperança de que nasça um novo mundo!

Musicando - Kuduro

Kuduro, de rejeitado a convidado especial nas festas

Rejeitado por todos no início, na década de 1990, o Kuduro, música e dança de criação angolana, está hoje «totalmente integrado» na sociedade e em expansão pelo mundo.

Em vésperas do anúncio do vencedor do Prémio MTV Melhor Artista Europeu, na quinta-feira, para o qual os Buraka Som Sistema são candidatos por Portugal, o Kuduro é considerado por especialistas musicais um estilo «profundamente angolano», que se caracteriza pela sua dimensão essencialmente rítmica, cujas letras não têm «princípio, meio e fim».
Em declarações à Agência Lusa o crítico musical angolano, Jomo Fortunato, lembra que o Kuduro, quando surgiu, aproveitou a «permeabilidade» dos jovens, numa altura em que «a guerra em Angola levou ao encerramento das principais gravadoras do país», para se impôr.
«A deficiente produção de música angolana e o excessivo consumo de música estrangeira, aliados ao débil sistema de ensino, facilitaram o surgimento do Kuduro», adianta Fortunato. O Kuduro, música com letras «ousadas e desestruturadas», aproveitou a «forma intercortada do rap (frases curtas)» para melhor assimilação entre os jovens, explica Jomo Fortunato.
Por sua vez, o sociólogo angolano, Simão Helena, considera como vantagem do Kuduro a sua dimensão de «crítica social» pelas suas letras que se revelam «de sátira», através da «forma espontânea» como as pessoas dizem «o que lhes vai na alma».
«Não são letras extremamente trabalhadas mas falam da realidade nua e crua, da situação vivida pelas pessoas», diz à Lusa Simão Helena. Para o sociólogo, o Kuduro transmite «inovação» e demonstra o espírito de «iniciativa e auto-criação» dos jovens, sobretudo dos bairros periféricos angolanos, que nesta altura são os maiores produtores deste estilo musical.
Sobre o futuro do Kuduro, Simão Helena acredita que veio para ficar, comparando-o aos Blues norte-americanos, que, «no princípio, eram utilizados por escravos africanos para exprimir as suas angústias e hoje são uma referência musical mundial».
Ernesto Gouveia, dirigente de produções discográficas, considera a realidade angolana de hoje propensa à produção discográfica na área do Kuduro, frisando que anualmente são lançados para o mercado angolano cerca de 10 discos. Explica ainda que a utilização de instrumentos electrónicos para a gravação de discos tornou mais fácil a vida dos mais novos kuduristas, os principais utilizadores deste meio. «Basta um computador e software adequados para os jovens fazerem as suas músicas. E isto fez baixar muito os custos, facilitando a expansão do estilo», sublinha. Adianta ainda que existe também uma importante produção de cariz industrial, utilizada por «músicos catalogados» que têm já contratos firmados com algumas produtoras.
O sucesso do Kuduro é de tal dimensão em Angola que o cineasta Jorge António foi à procura da origem do nome, da dança e da música, e, nessa busca, realizou o primeiro e único filme sobre este género musical - Kuduro, Fogo no Museke, que retrata os dias de hoje e a voz da nova geração angolana de kuduristas.
«Achei curioso o tema e queria saber qual a origem do kuduro», lembra à Lusa António. Foi por isso que realizou o filme que estreou em Angola, em Janeiro deste ano, e que tem sido um sucesso no país e no estrangeiro.
«Em Portugal passou na RTP e RTP-África cinco vezes no espaço de uma semana», salienta para explicar a expansão do Kuduro. O seu filme já foi visto em festivais de cinema na Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Canada...

Lusa/Nuno Morna

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Musicando - Wendy James no Kool

WENDY JAMES
Dj Set // Rock; 80's // 02h

Wendy James, referência cultural, ícone sexual é a primeira grande rock-star a visitar a Madeira.
Actua no Kool Klub a 8 de Novembro, naquele que promete ser um dos acontecimentos do ano cultural regional.
Uma viagem pelo melhor do rock dos anos 80 até aos dias de hoje, revistos em djset por um dos membros fundadores dos Transvision Vamp.
Wendy iniciou a sua carreira de sucessos no final dos anos 80 ao fundar um dos mais conhecidos grupos desse período, os Transvision Vamp.
Temas como "Baby I Don't Care", "Velveteen" e "I Don’t Want Your Love" tornaram-na numa referência cultural, um ícone sexual.
Descrita como o umbigo mais sexy da MTV no final dos anos 80, Wendy lançou-se recentemente numa carreira a solo, após, durante anos a fio se ter isolado em estúdio onde aprendeu a produzir e a tocar vários instrumentos.
Numa altura em que os comebacks de grandes bandas dos anos 80 está na moda, Wendy James, não é excepção e os Media do mundo inteiro têm seguido a sua carreira com bastante interesse e mediatização.
A prová-lo estão dois álbuns editados pela sua nova banda, os Racine, e outras tantas digressões mundiais.
Recentemente produziu o tema "Your a Good Man, Sister" para a série norte-americana Californication que conta com David Duchovny no principal papel.
A não perder!!!



Ainda a propósito escreve Paula Henriques no DN/Madeira:

'I Want Your Love' dava em 1988 a Wendy James e à sua banda acesso aos tops. A britânica foi uma das vozes que marcaram o rock da década de oitenta através dos Transvision Vamp. A vocalista e membro fundador da banda de culto, da qual se separou em 1991, está na Madeira no próximo sábado, para uma actuação no Kool Klub, depois de em 21 de Março deste ano ter actuado com a sua nova banda no MusicBox em Lisboa. Actualmente a cantora e compositora está nos Racine (composta ainda por Henric Strahl, James Meynell and Ray Sullivan), mas partilha também o seu tempo nas mesas de som, em incursões pelo mundo djing e das pistas de dança. É nesta vertente que vem à Região, com uma lufada de êxitos do rock dos anos 80, a partir das 2 horas.
'Baby I Don't Care' 'Revolution Baby', 'The Only One', 'Landslide of Love', 'Born to be Sold', '(I Just Wanna) B With U' e 'Velveteen' foram temas que ficaram na memória do público e que a lançaram como referência cultural e ícone sexual na altura.
Hoje, esta inglesa de 42 anos está em forma. Depois de desaparecer literalmente do mundo musical, em grande medida pelos insucessos que vieram depois do estrelato, em 2004 Wendy James regressou à actividade musical com a nova banda. Voltou a estar sob a atenção dos media, em grande medida pelo revivalismo que se assiste a nível musical, pelos dois álbuns editados pela sua nova banda, 'Racine No. 1' e 'Racine No. 2', e pelo tema 'Your a Good Man, Sister' que produziu para a série norte-americana 'Californication' que conta com David Duchovny no principal papel.
O terceiro álbum está já em preparação, devendo chegar em 2009 ao público.
Entretanto, poderá ver de perto esta esta estrela num versão pessoal de esolhas musicais. O rock que a marcou musicalmente é agora a música com que pretende marcar a noite de sábado no Funchal. Não é necessário convite para aceder nesta noite ao Kool Klub Kafé.

Cinema - A Arte de Roubar

O realizador Leonel Vieira afirmou que a longa-metragem "Arte de roubar", que estreia quinta-feira, "vai vender internacionalmente mais do que qualquer filme português vendeu até hoje".
Leonel Vieira pretende cativar mais espectadores para o cinema português: "A primeira grande ambição era que o filme resultasse como aglutinante de públicos portugueses. Temos obrigação de levar público para o cinema português", disse o realizador numa conferência de imprensa em Lisboa.
"O cinema não é uma ciência exacta e ainda não sei se o filme vai resultar, mas há um caminho a fazer e esta é uma questão de credibilização do sector. Em inglês é mais susceptível de interessar internacionalmente", reforçou Leonel Vieira.
"Arte de roubar" estreia quinta-feira em pelo menos 40 salas portuguesas e terá estreia também em Luanda. Leonel Vieira prevê que o filme seja também exibido em Espanha e no Brasil, onde espera pelo menos meio milhão de espectadores.
Rodado em inglês, com actores portugueses e espanhóis, "Arte de roubar" é uma comédia de acção escrita por João Quadros sobre dois amigos, filhos de emigrantes, que fazem do roubo profissão e que acabam por cair numa cilada quando lhes é encomendado o roubo de um quadro Van Gogh. Ivo Canelas e Enrique Arce são a dupla de ladrões, liderando um elenco que inclui ainda Flora Martínez, Nicolau Breyner, Magui Mira, Miguel Borges e Soraia Chaves. O realizador optou por rodar o filme em inglês por uma questão de facilidade de comunicação de um elenco multilingue, mas também para melhor projectar a longa-metragem no mercado internacional.
Leonel Vieira,"fã devoto" do cinema dos irmãos Coen ou de Quentin Tarantino, disse que sempre quis fazer este filme, mas foi preciso persistência. "Ninguém quis produzir este filme e a [produtora] Stopline Filmes foi criada por causa dele", revelou o realizador. O projecto custou cerca de dois milhões de euros e contou com quase um ano de trabalho de pós-produção por conta de efeitos especiais.
Esta é a sétima longa-metragem de Leonel Vieira, que sucede a "Julgamento" (2007) e "Um tiro no escuro" (2005). Leonel Vieira, 39 anos, estreou-se com "A sombra dos abutres" (1998) e tem actualmente vários projectos em carteira, enquanto produtor e realizador. Um dos projectos ambiciosos que se avizinha é "A ilha das trevas", a partir do romance homónimo de José Rodrigues dos Santos, que está em fase de produção.
Lusa

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vinhos - Paixão do Vinho


Meus amigos apreciadores deste néctar da vida, não deixem de passar pela Paixão do Vinho onde, pela mão sabedora do Enólogo Francisco Albuquerque podem encontrar das melhores vinhaças que este país produz.

A Paixão do Vinho fica na Via Rápida, Cota 200, na bomba norte da REPSOL, ali logo a seguir à ponte da Ribeira de João Gomes.

Opinando - Ricardo Pais Acusa o Governo de não Ter Projecto Cultural para o País

Lê-se no Público de hoje uma muito abalizada opinião de Ricardo Pais:

Ricardo Pais admitiu ao PÚBLICO e à Rádio Nova que O Mercador de Veneza será a sua última encenação como director artístico do Teatro Nacional S. João (TNSJ). Na entrevista (que pode ser ouvida amanhã e lida segunda-feira no caderno Local Porto e na edição online), o actual presidente do Conselho de Administração do teatro critica o Governo de José Sócrates pela “inexistência de um projecto cultural para o país” e acusa o PS de “fazer sempre a política que permite ao PSD vir a seguir fazer terra queimada das principais conquistas”.
Apesar de considerar que o problema das políticas culturais “é internacionalmente grave” - “Em França, os paradigmas estão a cair, pelo descaramento e pela 'aisance' de um político de facto fracturante como o Sarkozy, para dar apenas um exemplo do que é uma espécie de Pedro Santana Lopes a sério” -, Ricardo Pais sublinha que a questão se põe de maneira particularmente aguda em Portugal, que ainda não assumiu o apoio à criação como “missão nacional”. “Isso tinha que ser feito como parte de um projecto cultural para o país: não tenho visto esse projecto nestes últimos anos, e não o tenho visto seguramente nestas governações”, afirma.
O “baixíssimo tecto orçamental” que o Ministério da Cultura disponibilizou para 2009, diz o director do TNSJ, obrigou ao cancelamento de parte da programação do próximo ano, apesar das expectativas de agilização financeira criadas pela passagem do teatro a Entidade Pública Empresarial (EPE): “Precisamente por ser o primeiro ano em que nos inscrevíamos nessa coisa pomposa e aparentemente eficaz a que se chama sector empresarial do Estado, eu esperava que fosse finalmente a temporada a sério e tinha posto nela um gosto todo particular, desenvolvendo vias de trabalho muito importantes, algumas das quais deixámos cair completamente”.
A esta distância do final do ano, o S. João não sabe sequer, de resto, se pode contar com parte do financiamento inscrito no orçamento para 2008, acrescenta Ricardo Pais: “Vale a pena perguntar para que é que existe um sector empresarial do Estado que em Outubro ainda não sabe que dinheiro tem para o ano em curso”.
Apesar de não ter medo da sucessão - “Já me aconteceram coisas piores: a Agustina Bessa-Luís sucedeu-me no [Teatro Nacional] D. Maria II, não tenho medo de nada” -, o director do S. João gostava de contribuir para a alteração do regime de acesso à direcção de instituições como o TNSJ e defende a figura do “concurso limitado” para que se possa “chegar finalmente à transparência democrática”. Sobretudo depois do que se tem visto no D. Maria, onde, resume, “o Governo conseguiu estar à altura do próprio Carlos Fragateiro na maneira como o exonerou” com um despacho “ignóbil”.

Inês Nadais

Cinema - Madeira Film Commission

Escreve hoje Paula Henriques no DN/Madeira sobre a Madeira Film Commission:

A Die 4 Films pretende criar um fundo de investimento para a Madeira Film Commission (MFC). A empresa madeirense está a liderar este organismo criado para trazer até à Madeira empresas que queiram usar a Região para filmar, nomeadamente produtores cinematográficos e de audiovisuais. O fundo, que só será realidade dentro de três a quatro anos, é uma das soluções para financiar os projectos e mais tarde recuperar algumas das verbas investidas, explicou Maurício Marques. O objectivo, disse, é não apenas subsidiar, mas serem também co-produtores de produções, regionais e estrangeiras.

Estratégia abrangente

O fundo é um dos vectores de intervenção da empresa que fez a proposta à DRAC para ficar encarregue da MFC. Outros dois serão a promoção e a formação de técnicos especializados nas áreas de vídeo, som e design, condição fundamental para potencializar a Região como destino para este mercado, disse o director da Die 4 Films. Actualmente, explicou, a Região não tem capacidade de resposta nesta área. Ao nível da promoção, o trabalho será feito sobretudo juntos de festivais e dos mercados especializados, usando o clima, a diversidade paisagística, os acessos, a hotelaria, a capacidade de receber e os recursos humanos e técnicos como mais valias.
A Madeira Film Commission é um organismo criado pelo Governo que oferece serviços destinados a apoiar os produtores que queiram escolher a Madeira e o Porto Santo como locais de filmagem. É tutelada pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC). Habitualmente media a informação e os contactos entre a Madeira a as Associações de Produtores, ajudando a viabilizar um conjunto de facilidades que se tornem atractivas para a indústria do cinema, descreve a página da Secretaria de Turismo.
A Madeira Film Commission já existe desde o início dos anos noventa, mas estava "um bocado parada", disse o empresário, que há três anos apresentou a proposta ao Governo para pegar neste organismo. Nessa altura, a Madeira Film Commission estava sob a alçada da Secretaria Regional de Turismo e Cultura. A dissolução do Governo e as alterações na orgânica, com a passagem da pasta da Cultura para a Secretaria Regional de Educação também atrasou o processo e só este ano reuniram-se as condições para dar seguimento, explicou Maurício Marques, que em Setembro assinou o protocolo com a DRAC que permitirá à Die 4 Films revitalizar a comissão, até agora subaproveitada, na opinião do também gestor cultural.

Impostos também ajudam

Proporcionar a quem quer filmar cá uma política fiscal atraente é outro dos objectivos de Maurício Marques. Uma negociação que terá de passar pela Secretaria Regional do Plano e Finanças, mas que, acrescentou, é claramente possível. A opção por uma política fiscal específica e competitiva para um fim já existe na Madeira, relembrou.
Segundo a Associação Internacional de Film Commissions, há mais de 300 espalhadas pelos seis continentes e destinam-se a facilitar o caminho, nomeadamente em relação a legislação e procedimentos locais, a todos os que queiram escolher um lugar para filmar.
Maurício Marques dá o exemplo da Comissão de Malta, que é uma das mais agressivas ao nível de incentivos e cuja realidade, disse, é semelhante à da Madeira. Nesta ilha, as produções - de séries a telenovelas, de filmes a documentários, passando pela animação, podem concorrer a um reembolso de até 22 por cento do valor gasto no local, quando as filmagens estão concluídas e mesmo que apenas parcialmente gravadas em Malta. Para além disto, o Governo dá a oportunidade aos produtores de produzirem e distribuírem os produtos audiovisuais a partir dali com taxas das mais baixas da União Europeia e de reaverem parte do valor pago em impostos. Desde o final dos anos noventa até 2006, cerca de quarenta filmes passaram pela ilha, em receitas na ordem dos 300 milhões de euros, frisou Maurício Marques.

Um caminho estudado

A Die 4 Films encomendou um estudo a uma empresa que trabalha com a Malta Film Commission para conhecer melhor as potencialidades do mercado regional. Saber onde criar o fundo, como serão as participações e como financiar são algumas respostas que procuram e que terão em Março. A participação, adiantou poderá ser alargada, por exemplo, a empresas do ramo da hotelaria, do audiovisual, das tecnologias de software, pois vai reunir públicos e privados.
Este fundo será um instrumento de atracção, não servirá para dar subsídios, explicou. Será um capital de risco que será investido em produções de artistas residentes na Madeira e em produções externas, de empresas que escolham a Região como local de filmagem.
A utilização dos fundos comunitários, sobretudo ao nível da formação é outra das metas da Die 4 Films, que começa já em 2009 a formar ou a ajudar na formação de equipas técnicas. A Die 4 Films apresentou à DRAC um plano de actividades para quatro anos.
Maurício Marques vai seleccionar um director geral para assumir funções na MFC em 2009.

I Encontro reúne em Novembro representantes desta área

Relançar a Madeira Film Comission é o objectivo da palestra que vai reunir no dia 14 de Novembro representantes das congéneres dos Açores e Tenerife. Este evento realiza-se no âmbito do 'Festival Internacional de Cinema do Funchal' que começa na sexta, e na programação do Funchal 500 Anos.
O debate contará com a participação de João Henrique Silva, da Direcção Regional dos Assuntos Culturais, em representação do Governo Regional; do presidente da Tenerife Film Commision, Concha Diaz; do homólogo Açoreano, Pedro Cota e ainda de Maurício Marques, em representação da Die 4 Films e da Madeira Film Commission.
O encontro realiza-se na Fnac Madeira, pelas 17 horas. Em cima da mesa vão estar o papel das film commissions (da madeirense em particular); o cinema e promoção dos destinos turísticos; a promoção do cinema e audiovisual; a promoção do investimento estrangeiro nas áreas do cinema e audiovisual; a promoção de jovens cineastas e técnicos de cinema e audiovisual; e a co-produção de filmes com conteúdos culturais da região onde se inserem. Este debate é aberto ao público.
A colaboração entre as film commissions nacionais e de Canárias é outro dos objectivos de Maurício Marques, que acredita que a união será em beneficio de todos e que sem cooperação internacional, não vão a lado nenhum. Esta união passa pela apresentação de projectos e pela colaboração.

Madeira procurada

Segundo Maurício Marques, todas as semanas chegam pedidos de informação de empresas interessadas em conhecer as condições para filmar, desde americanos e alemães que pretendem usar a Madeira para gravar episódios de séries, a ingleses interessados num documentário sobre Winston Churchill, e mesmo a produções nacionais, como a nova telenovela da TVI, que passou também pela Madeira Film Commission.

Paula Henriques

domingo, 2 de novembro de 2008

Obituário - Badaró

Goste-se ou não, Badaró deixou marca no humor nacional. Morreu ontem aos 75 anos vítima de cancro.
Às 10H30 de hoje realizou-se uma missa de corpo presente na Igreja de Paço d'Arcos e o corpo seguiu depois para a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, cumprindo o desejo do artista de que o seu corpo fosse entregue à ciência.
Alina Vaz, que trabalhou com Badaró na peça “Empresta-me o teu Apartamento” lembra uma amizade que começou quando o humorista foi chamado para substituir na peça o protagonista Henrique Santana. «Começou uma amizade grande. Era muito esperto e culto e, pouca gente será dessa opinião, mas para sim sempre foi um senhor», disse.
Apesar de nos últimos tempos se terem distanciado, a actriz recorda os encontros para tomar café, as longas conversas e também os espectáculos em que Badaró era arrasado pelos colegas.
«Foi sempre incompreendido pela classe teatral da época e nunca percebi porque acontecia. Qualquer coisa que fizesse era para dizer mal e um espectáculo em que eu também entrei foi pateado pelos colegas», lembrou, sublinhando que a maior parte da classe teatral não o aceitava.
Alina Vaz destaca ainda a grande sensibilidade e boa disposição do humorista, e aponta a decisão de doar o seu corpo à ciência como exemplo da sua «grande humanidade».
Raul Solnado lembrou «o grande sucesso na revista» alcançado por Badaró quando chegou a Portugal no final da década de 50 integrado na companhia brasileira Fogo no Pandeiro. «Fez um grande sucesso na revista e ficou em Portugal. Trabalhou muito e muito bem para crianças e foi muito popular. Fez one man shows que ficaram na nossa memória», disse Raul Solnado, ressalvando que profissionalmente nunca se encontraram.
O actor, que reencontrou Badaró quando dirigia a Casa do Artista, recorda-o como «um bom amigo, um homem de bem, muito inteligente e culto». «Agora resta-me desejar-lhe que descanse em paz», disse.
Manílio Haidar Badaró, conhecido apenas como Badaró, chegou a Portugal em 1957 integrado no elenco da companhia brasileira Fogo no Pandeiro que aqui manteve durante dois anos uma revista em cena. Fixou residência e acabou por se naturalizar português, tendo trabalhado em teatro, rádio e televisão.

Lusa

sábado, 1 de novembro de 2008

Musicando - Chocolate

Já aqui fizemos referência. Está aí o último de Maria João e Mário Laginha, a dupla que incompreensivelmente nunca passou pelo Funchal Jazz!!!!!


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cinema - Estreia de Inédito de Manoel de Oliveira com 44 Anos

'Vila Verdinho' é o nome do documentário com 18 minutos realizado por Manoel de Oliveira em 1964, na aldeia com o mesmo nome, para registar as mudanças que o amigo Manoel Meneres fomentou nesta pequena localidade do concelho de Mirandela.
O filme ficou na posse da família Meneres que decidiu agora retribuir a homenagem a Manoel Oliveira, por altura do seu centenário, permitindo a divulgação da película, como contou à Lusa João Pedro Meneres.
Os habitantes de Vila Verdinho são os únicos que já viram esta obra de Manoel de Oliveira, mas «já lá vão muitos anos».
«Foi ali ao pé da escola velha que passou uma vez», recordou à Lusa Augusto César, de 81 anos, que se lembra bem do dia em que se juntou toda a gente da aldeia, em 1964.
Augusto não se recorda do que viu, nem de Manoel de Oliveira. «A patroa é que tem cabeça para decorar nomes».
Victor Vasco lembra-se de Manoel de Oliveira, mas «é de agora», não daquela altura.
Do que só agora se apercebeu é de que é um «privilegiado» pois, além de ser protagonista do filme é dos poucos que tem uma cópia em VHS oferecida pelo patrão, da família Meneres.
«Já há uns anos que não a vejo, mas agora vou ver» diz, por causa desta estreia mundial no último fim-de-semana da exposição de Manoel de Oliveira em Serralves.
Tinha nove anos quando o realizador juntou as crianças da aldeia e pô-las a jogar à bola.
«Eu era o alto, magrinho, russo, a acertar na bola como se não estivesse nada na frente», brinca Victor que, na altura, achou muita piada às galinhas que Oliveira colocou no meio do jogo.
Além das crianças a jogarem futebol no largo melhorado da aldeia, o filme mostra também um ciclista a fazer as curvas da estrada que ainda hoje perdura e outras cenas do quotidiano de Vila Verdinho.
João Pedro Meneres tinha 14 anos quando foi feito o filme. Não aparece neste, mas serviu de figurino improvisado no filme sobre a vida de Manoel de Oliveira que o mestre do cinema só permite divulgar depois de morrer.
A amizade entre Oliveira e a família Meneres leva já 50 anos e o mais antigo realizador do mundo tem encontrado nesta família inspiração para outras obras.
Segundo contou João Pedro Meneres, o filme de Manoel de Oliveira, Já se Fazem Carros em Portugal, é inspirado nos primeiros Ford que o bisavô importou da América.

Lusa

Musicando - Atlantic Waves

Mariza abre no sábado a oitava edição do Festival Atlantic Waves em Londres com dois concertos de lotação esgotada e outro evento especial aberto a crianças onde falará sobre a sua relação com o Fado.
Os dois concertos nocturnos de sábado e domingo no Barbican, centro de artes onde Mariza já actuou no passado, já estão esgotados.
O terceiro, na tarde de domingo, tem a particularidade de ser dirigido às famílias e crianças de idades entre os sete e os 14 anos, onde a artista, além de cantar alguns dos seus temas, vai falar com o público sobre a sua relação com as tradições portuguesas do Fado.
Esta é a quarta vez que Mariza, vencedora em 2003 do prémio de World Music da BBC3, se apresenta em Londres no âmbito do Atlantic Waves, que promove a música portuguesa e lusófona.
O Fado regressa ao programa do Atlantic Waves, que decorre até 11 de Novembro, a 09 de Novembro, quando Ricardo Ribeiro subir ao palco do auditório St. John's, Smith Square, com o grupo do mestre libanês de alaúde Rabih Abou-Khalil.
No dia seguinte é a vez de Mafalda Arnauth partilhar uma noite no Queen Elizabeth Hall, com a bossanova do brasileiro Vinicius Cantuária.
A música tradicional portuguesa está também representada pelos Gaiteiros de Lisboa, que actuam no Bush Hall na próxima quarta-feira, véspera do espectáculo de Rodrigo Leão no Barbican, que terá como convidado especial o grupo inglês The Durutti Column.
De fora da lusofonia, mas de uma cultura partilhada com o norte de Portugal, a Galiza, o grupo Berrogüetto e a cantora Uxía integram o programa do festival com um concerto no Bush Hall a 04 de Novembro.
O fecho do Atlantic Waves 2008 cabe à África lusófona, pelas vozes do moçambicano Neco Novellas e do angolano Waldemar Bastos, no dia 11 de Novembro no Queen Elizabeth Hall.
Criado em 2001, o festival Atlantic Waves foi até agora patrocinado pela delegação em Londres da Fundação Calouste Gulbenkian.
Todavia, a instituição pretende desligar-se da sua organização, não tendo garantido que a iniciativa vai continuar no próximo ano.
«Temos recursos limitados e é altura de passar à frente», justificou o seu director, Andrew Barnett.

Lusa

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Conversando - I Fórum da Cultura


Não tenho nada contra o discutir-se cultura. Até pelo contrário: acho que a cultura da Madeira é muito pouco discutida.

Por motivos meramente profissionais (porque para comer não vivo da cultura) não vou poder estar presente no I Fórum Cultural da Madeira. Nem eu nem a grande maioria dos agentes culturais regionais que não vivem da cultura nem dela tiram qualquer provento (ou pelo menos o suficiente para uma vida condigna).

Não quero discutir o que lá foi dito porque não estive presente. Quero discutir a brilhante ideia de se marcar este encontro para dias de semana. É que assim, e pelo que me foi dado a observar pelas imagens televisivas, só estiveram presentes os agentes culturais que exercem a sua actividade profissional na área da cultura. E convenhamos que não são de todo a maioria.

Isto a ser propositado é preocupante...

Musicando - Nico Nicotine Ontem no Kool Klub

Simplesmente fantástico o concerto da Nicotine's Orchestra ontem à noite no Kool. Sala quase cheia para receber este verdadeiro "one man show". Guitarra, bateria, percussões várias e teclado, tudo isto por vezes tocado ao mesmo tempo de modo afinado e ritmicamente no ponto.
Um músico sozinho em palco que pôs toda a sala a dançar. Quem não foi nunca saberá o que perdeu: 01.20h de puro e duro rock'n'roll.

ps: e não Rui, não faltavam violinos!!!!


Filosofando - José Mário Branco


O dinheiro gasta-se primeiro do que o amor!!!


Façam um favor a vós próprios e oiçam o último disco deste cantautor!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Musicando - Nicotine's Orchestra no Kool (2)


NICOTINE'S ORCHESTRA HOJE À NOITE NO KOOL KLUB
CONCERTO A NÃO PERDER!!!!!!!


A propósito disto escreve hoje no DN/Madeira João Filipe Pestana:

Ele é o baterista, o vocalista, o teclista, o guitarrista e ainda o animador de serviço. Diz que se chama Nick Nicotine mas é mais conhecido por Nicotine's Orchestra. Esta 'banda de um homem só' ('one-man-band'), cujo projecto nacional já gravou um disco recheado com 14 canções impregnadas de soul, punk, rock e blues, estreia-se hoje à noite na Madeira com um concerto na discoteca Kool, no Funchal.
Neste espectáculo, que deverá principiar às 22 horas, serão ouvidas músicas de amor, ódio, droga, álcool, mulheres, ou seja, o normal quando as sonoridades blues e soul cruzam-se com o punk e o rock.
"Diz que vem da 'Detroit portuguesa': o Barreiro. Nick Nicotine é 'maestro'. Os blues substituem a alma deste 'one-man-band' maníaco. É o branco com a voz mais negra de Portugal, numa viagem sem retorno pelas raízes do rock, shogaze e claro, os blues que se querem sujos, directamente dos becos da 'Big Apple'", referem os responsáveis pela discoteca funchalense.
"'La Trahison des Sons' trata-se do primeiro trabalho de longa-duração do projecto de Nick Nicotine: "Com a participação de dois membros dos Ballyhoos (Mamma Iola e Johnny Intense) num dos temas que compõem o trabalho, o músico do Barreiro apresenta-nos uma fusão de rock 'n' roll, blues e punk", refere o portal www.hiddentrack.net.
"'Green Thumb' é o primeiro tema deste trabalho e também aquele que assinala a presença dos convidados especiais de Nicotine. Uma entrada a roçar o rockabilly, como de resto será todo o trabalho, feita especial referência ao terceiro tema, 'O.K.', onde facilmente nos imaginamos numa 'matinée', de saia rodada e a dançar freneticamente. Prosseguindo, vamos encontrar 'In Your Eyes', um tema a descair para a balada, mas sempre com a garra característica do rock 'n' roll, onde a guitarra tem um papel preponderante, ditando a melancolia oscilante do tema", acrescenta.
Para ouvir temas da Nicotine's Orchestra deverá aceder ao portal 'on-line' na Internet www.myspace.com/nicotinesorchestra.

Depois do concerto abrem os restantes andares do Kool, com o DJ André Sá a animar a noite.

João Filipe Pestana

Musicando - Orquídea Branca

Estreou no Baltazar Dias "A Orquídea Branca", uma ópera em dois actos, com libreto de João Aguiar e música de Jorge Salgueiro, estreia a 27 de Outubro, no Funchal, no âmbito das comemorações dos 500 anos da cidade.
O compositor assinalou que conhece o escritor João Aguiar há cerca de 20 anos e fez uma sinfonia inspirada no seu primeiro romance, "A Voz dos Deuses".
O projecto de trabalharem juntos numa ópera tinha já alguns anos e a ocasião surgiu agora, com a encomenda de uma obra para assinalar os 500 anos do Funchal.
A ópera baseia-se em factos históricos ligados à Madeira - a chegada ao Funchal em 1852 de D. Amélia de Beauharnais, imperatriz do Brasil, viúva de D. Pedro IV (I do Brasil) que acompanha a filha doente, procurando a cura no clima ameno da ilha.
Em "A Orquídea Branca", a princesa Maria Amélia acaba por apaixonar-se na ilha e a história gira em torno desse amor por um jardineiro que fica deslumbrado quando a vê.
"É uma ópera sobre duas visões da vida: uma mais espiritualista, outra mais racionalista", resumiu o compositor, acrescentando que a música se inspirou num minimalismo melódico.
Com um elenco que reúne Carla Moniz, Rui Baeta, Lúcia Lemos e Carlos Guilherme nos principais papéis, "A Orquídea Branca" conta também com a participação de um coro misto, um coro infantil, um grupo de dança e um grupo de teatro do Gabinete Coordenador de Educação Artística.
No total, esta produção envolve cerca de 150 pessoas.
A ópera subirá a palco até ao dia 2 de Novembro.

Musicando - Extreme


Os Extreme do açoriano Nuno Bettencourt juntaram-se de novo e actuam hoje há noite no Coliseu de Lisboa. Pena não poder estar por lá.
Fica aqui "Ghost" do último albúm, acabadinho de sair: Saudades do Rock.



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Lendo - Google

Escreve o Público de hoje:

Depois mais de dois anos de negociação a empresa norte-americana Google conseguiu chegar a um acordo amigável com o Sindicato de Autores norte-americanos (Authors Guild) e com a Associação de Editores Americanos a propósito do seu projecto de pesquisa de livros, o Google Book Search que foi lançado há quatro anos, mas vai ter que lhes pagar 125 milhões de dólares (99,8 milhões de euros).
O conflito existia há anos por causa do projecto da empresa Google de digitalizar milhões de livros e de os colocar disponíveis, em alguns casos na íntegra, na Internet. O acordo terá agora de ser ratificado por um tribunal norte-americano, e prevê que a Google financiará uma parte dos direitos de autor e terá a seu cargo as despesas do processo em nome colectivo que foi intentado contra si por autores (em Setembro 2005) e um outro, accionado pelas editoras McGraw-Hill, Pearson Education, Penguin, Simon & Schuster e John Wiley (um mês depois).
Este acordo vai permitir ao Google aumentar o número de livros que se podem procurar, ler e comprar através deste projecto. E os autores e editores das obras que ainda estejam abrangidas pelos direitos de autor vão ser compensados monetariamente. Todas as obras que estiverem com a edição esgotada nos EUA vão ficar disponíveis para leitura integral pelos americanos. Este acordo só terá efeito nos EUA, fora do território da lei americana continuará tudo na mesma.
“O acordo reconhece os direitos e os interesses dos detentores de direitos de autor, dá-lhes um meio eficaz de controlar o acesso online à sua propriedade intelectual e permite-lhes serem remunerados pelo acesso às suas obras na Internet”, anunciaram os envolvidos. Vai ser criado um fundo, o Book Rights Registry, onde ficarão registados todos os direitos dos livros e que poderá ser consultado quer por editores quer por autores.
O acordo está disponível online e pode ser consultado em: http://books.google.com/booksrightsholders/agreement-contents.html.

Isabel Coutinho

Cozinhando - Arroz de Coelho

No passado dia 16 tive o prazer de ter na minha companhia no "Lado a Lado" da RTP/Madeira a Guida Vieira, mulher que muito admiro. Sugeriu-nos um Arroz de Coelho que, acreditem, estava divinal. Aqui fica a receita:


ARROZ DE COELHO

INGREDIENTES

1 medida de arroz / 3 medidas de água
1 coelho médio
1 pimentão verde
2 cebolas médias
1 folha de louro
6 dentes de alho
pimentão doce, caril, estragão, pimenta da terra
vinho branco, sal, azeite

METODOLOGIA

· Cortar o coelho aos bocados e colocar numa marinada com o vinho, o louro, sal, pimenta, alho, pimentão doce, caril estragão durante pelo menos 4 horas.
· Numa panela larga deitar um pouco de azeite, cortar as cebolas às meias-luas fininhas e refogar um pouco.
· Juntar o pimentão cortado em tiras finas, os alhos que estiveram na marinada e deixar também refogar
· Juntar o coelho e a folha de louro e um pouco mais de especiarias a gosto
· Regar tudo com um bom fio de azeite e deixar cozinhar em lume brando durante 10 a 15 minutos
· Juntar o arroz que se deixa dourar um pouco, e por fim a água já a ferver.
· Quando estiver quase cozido deitar um pouco mais de estragão.
· Servir com uma boa salada verde.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lendo - Ricardo Araújo Pereira

Esta crónica de RAP é simplesmente genial e põe-nos de facto a pensar no ponto a que chegámos:

A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada
Quando, no passado domingo, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros. De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério.
A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.
Tendo em conta que, depois de anos de lucros colossais, a banca precisa de ajuda, há quem receie que os bancos voltem a não saber gerir este dinheiro garantido pelo Estado. Mas eu sei que as instituições bancárias aprenderam a sua lição e vão aplicar ajuizadamente a ajuda do Governo. Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo.

Ricardo Araújo Pereira
(in Visão)

Musicando - 9:13


A propósito do próximo 9:13 escreve hoje, no DN/Madeira, João Filipe Pestana:


Pretende ser a alavanca de mudança de quem se quer afirmar artisticamente independentemente da área de intervenção. Ambiciona ser um conceito de liberdade criativa que procura a afirmação do individual como irrepetível e único. Chama-se simplesmente '9:13', já vai para a sua quarta edição e irá reunir um total de 15 bandas e artistas da Madeira no próximo dia 15 de Novembro, sábado, no Clube Naval do Seixal, no Norte da ilha.
O espectáculo musical, em ritmo de 'jam session', arrancará a partir das 9 horas e 13 minutos da noite (referência directa ao '9:13'), com as actuações de bandas regionais como On Mute, Black Dog Blues Band, Negative Rule, entre muitos outros (ver lista completa no destaque à direita), apresentando sonoridades rock, pop, grunge, blues, metal, etc.
"Será o encontro de artífices apaixonados pela canção, que têm como musa castrante a nossa ilha (...) Com os nossos tradicionais poucos recursos iremos fazer muito. Esta vai ser, provavelmente, a melhor 'jam party' até agora feita", refere a organização do evento, o autodenominado CRAP (Comité Regional de Apoio à Produção). "Nestes encontros com chancela do CRAP procuramos trocar experiências e ideias. Mas acima de tudo queremos criar um espaço onde nos possamos admirar uns aos outros. Queremos acabar com essa ideia sem sentido de que a capacidade de admiração não passa do próprio umbigo", refere a promotora.
"A prova da nossa força crescente é o número de bandas e projectos culturais regionais que já aderiram a este evento do CRAP que vai para a sua quarta edição. Até ao momento e sempre em aberto para novas adesões são já 15 os aderentes. Isto é a prova de que crescemos a olhos vistos e que a união é possível, pois só assim seremos, de certeza, mais fortes", conclui.

15 participantes

Carolina Pereira, Sandra Branco, DD Peartree, Undercover, Lidiane Duailibi, O Gordo e os Pimba, Angover, Black Dog Blues Band, Filipe Ferraz, Dogma 4.1, Negative Rule, Sonzinho, Exordya, On Mute e Mashup Brigade.

João Filipe Pestana


Musicando - Nicotine's Orchestra no Kool

Kool Klub
Special Feature

NICOTINE'S ORCHESTRA no Kool!
Dia 29 de Outubro

Concerto; One-man-band
Rock; Blues; Shoegaze
29 de Outubro 22h

IT’S ROCK N' ROLL BABY, ROCK N' ROLL…

Diz que vem da Detroit portuguesa, o Barreiro, e actua no Kool Klub Kafe a 29 de Outubro.
Nick Nicotine é maestro. Os blues substituem a alma deste one-man-band maníaco. É o branco com a voz mais negra de Portugal, numa viagem sem retorno pelas raízes do rock, shogaze e claro, os blues que se querem sujos, directamente dos becos da Big Apple.
Na bagagem traz um álbum editado "Le Trahison des sons" e várias garrafas de whisky.
A Nicotine's Orchestra tem percorrido toda a Península Ibérica a contar histórias de ódio, amor, droga, álcool, mulheres, miúdas, Deus, o Marrafico, enfim...o normal nestas coisas do rock n' roll.
Performance imperdível, dia 29, no Kool.


Links:
http://www.myspace.com/nicotinesorchestra
http://circulodefogo.inforzone.com/entrevistas-n.htm

domingo, 26 de outubro de 2008

Teatrando - De Homem para Homem

Uma das mais fascinantes actrizes portuguesas vem até nós. Marquem já na agenda as datas e, por favor, não percam esta peça de teatro.
No DN/Madeira de hoje pode ler-se a propósito:


'De Homem Para Homem' vai estrear no Funchal no dia 24 de Novembro, mantendo-se em cartaz nos dias 25 e 26 de Novembro no Teatro Municipal Baltazar Dias.
O novo projecto de Beatriz Batarda, que será apresentado cá no contexto das comemorações dos 500 anos do Funchal, é um monólogo inspirado numa história verídica do século XX de uma mulher que assume a identidade do marido para tentar sobreviver aos tempos difíceis.
Neste monólogo poético e político, como descreve o Teatro Nacional São João, por onde a peça vai passar a seguir, a actriz é 'Ella', uma mulher que não consegue arranjar emprego e como solução casa com um homem mais velho e doente para poder ter um tecto e o que comer.
Tudo estaria bem, ou menos mal, não fosse a situação complica-se com o diagnóstico de cancro ao marido.
Com a morte anunciada e o seu 'emprego' em risco, Ella recolhe as informações necessárias para manter aparentemente vivo o companheiro Max Gericke, pagando pelo facto o preço elevado da morte da sua própria identidade.
Numa Alemanha pobre e a recuperar da guerra, Ella vê-se forçada a mentir, traficar e matar. É baseada no original de Manfred Karge 'Jacke Wie Hose', uma história criada a partir de factos verídicos.
O trabalho tem encenação do espanhol Carlos Aladro, com que a actriz já trabalhou em outras ocasiões. Conta com a participação do músico Pedro Moreira e do arquitecto Manuel Aires Mateus, este último na área da cenografia.
"Ella não tem identidade, perde a identidade por desespero. Com medo de fazer as escolhas erradas, faz sempre as escolhas erradas, em actos de valentia, no fundo, faz a escolha cobarde e vai perdendo a sua humanidade ao longo dos tempos por fazer essas más escolhas", disse a actriz numa entrevista à Lusa.
'Ella' é uma mulher que na busca por uma solução mais fácil vai-se perdendo, perdendo a humanidade e transformando-se num monstro, revelou ainda a actriz à agência de informação.

Paula Henriques

sábado, 25 de outubro de 2008

Apoiando - Apoio Financeiro Estatal às Artes

Os concursos de apoio financeiro estatal às artes para 2009 vão ser abertos na próxima segunda-feira pela Direcção-Geral das Artes (DGA), que disponibilizará 19.450.000 euros para as várias áreas artísticas, revelou hoje à Agência Lusa fonte da entidade.
De acordo com o director-geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, entre 27 de Outubro e 18 de Novembro deste ano, os agentes culturais vão poder candidatar-se aos concursos para Apoios Directos (quadrienais, bienais e anuais), e para Apoios Indirectos (acordos tripartidos) às artes 2009 promovidos pela DGA, entidade tutelada pelo Ministério da Cultura.
Ainda de acordo com a mesma fonte, «os apoios pontuais ocorrerão semestralmente e não constam deste aviso de abertura, prevendo-se a sua abertura para 2009».
Uma das novidades do novo regime dos concursos de apoio financeiro às artes, que este ano sofreu algumas alterações, é o alargamento do acesso das áreas artísticas, com a inclusão das artes plásticas e da fotografia, anteriormente apoiadas através de outros organismos do Ministério da Cultura.
Segundo o director-geral das Artes, «verificou-se um aumento de 15 por cento no montante financeiro dos grandes concursos, e de 81 por cento nos concursos tripartidos, mais pequenos, o que é uma boa notícia para a comunidade dos agentes culturais do país, numa altura de contenção», salientou.
Comparou que em 2005 o montante financeiro anunciado foi de 16.900.000 euros e para 2009 ascende a 19.450.000, uma diferença de valor que «possibilita contemplar uma nova área, artes plásticas e fotografia, até agora impedida de concorrer a estas modalidades, e ainda operacionalizar a nova modalidade de apoio anual, acolher novas candidaturas em todas as áreas e modalidades, e permitir também o eventual reforço aos actuais apoios sustentados».
Dados da DGA indicam que o número total de entidades consideradas para apoio no aviso de abertura de 2005 foi de 160, enquanto o actual quadro considera 190, sendo 17 já destinadas para as artes plásticas e fotografia.
No que respeita à distribuição por regiões, «teve-se em atenção que o valor médio de apoio por entidade fosse equilibrado a nível nacional, havendo dois ajustamentos mais evidentes: um acréscimo na Região Norte e uma redução no Algarve, atendendo às dinâmicas de actividade verificadas nas duas regiões».
Quanto à distribuição financeira por áreas artísticas, «manteve-se a sua relação proporcional, dado que a mesma foi confirmada ao longo do período de 2005-2008 no âmbito da contratação efectuada», explicou o responsável à Lusa.
Com as alterações ao regime, a DGA pretende «reconhecer o papel estruturante que a actividade artística pode ter no país, estimulando o seu desenvolvimento e criando novos parâmetros de apreciação e avaliação de resultados, para contribuir para uma melhor percepção do ponto de encontro entre a actividade do Estado neste domínio e o interesse dos agentes culturais, na óptica de serviço público».
Jorge Barreto Xavier também revelou que «vai existir um critério de avaliação nacional e os resultados serão divulgados publicamente».
Relativamente aos apoios tripartidos, a entidade determinou a existência de dois patamares de apoio - 150.000 e 100.000 euros - num total de 600.000 euros para a celebração de seis acordos.
As alterações ao anterior regime de apoio às artes provocaram reacções críticas por parte de alguns agentes culturais, que receavam o atraso dos seus compromissos de trabalho. Estruturas como a Plateia, na região Norte, alertaram para os graves impactos negativos que esses atrasos poderiam causar aos artistas por impossibilidade de garantir compromissos.
Para Jorge Barreto Xavier, essas preocupações são «legítimas», e assegurou que a DGA tudo irá fazer para «respeitando os prazos e os procedimentos legais, trabalhar no sentido de apresentar os resultados dos concursos com a máxima brevidade».
O responsável adiantou ainda que a DGA realizou uma consulta pública aos agentes do sector sobre os princípios de regulamentação de apoio directo, tendo recebido sugestões de cerca de duas dezenas de entidades do sector das artes, entre elas a Plateia -- Associação de Profissionais das Artes Cénicas, a Rede -- Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, o Teatro A Barraca e o GICC -- Teatro das Beiras.
Dos comentários e propostas recebidos foram considerados, entre outros, a não equiparação entre as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto para efeito de factor de majoração, e a diminuição do peso relativo do critério «capacidade de gerar receitas próprias e angariar financiamentos e outros apoios» no computo geral da avaliação.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Musicando - Maria João e Mário Laginha

Maria João e Mário Laginha regressam aos standards de jazz em «Chocolate»
A cantora Maria João e o pianista Mário Laginha editam em Novembro o álbum «Chocolate», que assinala 25 anos desde que tocaram juntos pela primeira vez.
Estiveram quatro anos sem trabalhar juntos, desde «Tralha», mas o desafio de assinalar os 25 anos da estreia discográfica de Maria João levou-os novamente a estúdio para gravar «Chocolate», que sai a 03 de Novembro pela Universal.
«Já temos tocado outras coisas, originais, algumas `covers´, mas nunca mais fizemos `standards´ e a ponte faz-se um bocado com isso: pela primeira vez voltámos a fazer um disco que tem `standards´», disse Mário Laginha, numa entrevista à agência Lusa em conjunto com Maria João.
Para a gravação de «Chocolate», a cantora e o pianista escolheram o mesmo naipe de instrumentos utilizados em «Quinteto Maria João», editado em 1983, mas agora com Juian Argüelles no saxofone, Bernardo Moreira no contrabaixo, Helge Andreas Norbakken na percussão e Alexandre Frazão na bateria.
O alinhamento reparte-se entre versões, como «Goodbye pork pie hat» (Joni Mitchell/Charles Mingus) e «I’ve grown accustomed to his face» (Alan Jay Lerner/Frederick Loewe), e cinco originais, entre eles «I have a heart just like yours» e «Mati Mati».
«Chocolate», cujo título foi escolhido ainda antes de o alinhamento estar definido, é o 12.º álbum em que Maria João e Mário Laginha tocam juntos e o oitavo em que a maioria das composições são suas. Fora desta discografia, ambos editaram em nome próprio.
Num regresso ao passado, Maria João e Mário Laginha recordam os tempos em que gravaram pela primeira vez juntos, em «Quinteto Maria João», e referiram que não tinham nem experiência de estúdio nem consciência do que iria ser o futuro.
«Recentemente estive a ouvir o disco e até tem alguma graça, porque é muito `naif´, mas tem aquela coragem, aquela audácia de quem começa», disseram Mário Laginha e Maria João.
Em «Chocolate», refere Laginha, «já se nota mais que temos personalidade musical, já não estamos a tentar copiar, estamos a tentar fazer uma coisa que é aquilo que agora nos apetece fazer. Há menos ingenuidade, mas há mais vontade de arriscar».
Desde 1983, quando Maria João deixou de ser professora de natação e Mário Laginha um pianista sem discografia, até aos dias de hoje, os dois músicos dizem não ter dado pelo tempo a passar.
«É um lugar-comum, mas passou depressa, foram anos muito preenchidos», disse o pianista.
«Neste tempo, tentámos sobretudo tocar um com o outro e fazer verdadeiramente música e não apenas uma formação para vender discos», corroborou Maria João, a autora do título do novo álbum.
Afinal, chama-se «Chocolate» porque as canções do álbum surgiram aos dois autores «como pedacinhos de chocolate, coisas preciosas e doces» que já não viam há muito tempo.
Maria João e Mário Laginha partilharão «Chocolate» em palco a 30 de Outubro na Casa da Música, no Porto, a 25 de Novembro no Teatro Gil Vicente, em Coimbra, e a 05 de Dezembro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

in Lusa/SOL

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Conversando - I Fórum da Cultura

No DN/Madeira de hoje o jornalista Luis Rocha dá-nos conta do que vai ser o I Fórum da Cultura. Pela leitura da peça, e à excepção de uma das alocuções, parece-me tudo muito arrumadinho e muito mainstream. Ou seja vai-se falar da cultura institucional e, como de costume, deixam-se de fora os movimentos mais marginais e que são eternamente desconhecidos tanto pelo grande público como por aqueles que "dirigem", se assim se pode dizer, a cultura regional. Lá estarei, na medida do possível, para ver como é.
Aqui fica o escrito:


Estão já confirmados quais os oradores da Região convidados a apresentar uma comunicação no 'I Fórum da Cultura da Madeira', que a Secretaria Regional da Educação e Cultura (através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais) promove entre nos dias 30 e 31 deste mês. Ao contrário do que inicialmente nos foi anunciado por João Henrique Silva, director da DRAC, o local escolhido para a realização do evento não é o auditório do Arquivo Regional. Optou-se por um espaço diferente, o Madeira Tecnopólo.
Quanto aos convidados da Região, confirma-se a presença de todos os que já havíamos referido na nossa edição do passado dia 17, menos o encenador e actor Élvio Camacho. A estes vieram somar-se alguns outros. Assim, Carlos Gonçalves, director do Gabinete Coordenador de Educação Artística (GCEA) proferirá uma intervenção integrada no primeiro painel 'Cultura na Madeira: Reflexões e Contributos', pelas 11h45 de 30 de Outubro. A sua intervenção intitula-se 'Educação para a Cultura: da Escola ao Palco'. Segue-se uma comunicação do actor e encenador Eduardo Luíz, do Teatro Experimental do Funchal, intitulada 'Hoje, o Teatro na Madeira' e outra de António do Vale, presidente da Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira (AFERAM): 'Cultura Popular e Tradicional: Limites e Oportunidades'. O historiador e académico Rui Carita, por seu turno (cuja participação não tinha sido, inicialmente, anunciada) falará sobre 'Cidade e Património' no segundo painel sobre 'Cultura na Madeira', pelas 16h45 do primeiro dia dos trabalhos. Seguir-se-lhe-á o músico e investigador Vítor Sardinha, com uma intervenção intitulada 'A Música - da Madeira para o Mundo'.

'A Cultura fundida'

Mas um dos títulos mais curiosos das prelecções inseridas no âmbito deste Fórum, e um dos que mais curiosidade suscita, logo à partida, é indubitavelmente o da comunicação de Maurício Marques, empresário e gestor de projectos na área da cultura: 'A Cultura fundida: manual de sobrevivência num mercado de guindastes e betão'. Eis uma intervenção a aguardar com alguma expectativa...
Já no dia 31 de Outubro, pelas 11h15, Francisco Clode, director de serviços de Museus da DRAC, dará início ao terceiro painel sobre as manifestações culturais no nosso espaço insular falando de 'Museus e Turismo Cultural', logo seguido pela docente do Departamento de Arte e Design da Universidade da Madeira, Isabel Santa Clara, que proferirá uma alocução subordinada à temática 'Artes Plásticas na Madeira: circunstâncias de tempo e de lugar'. O último dos prelectores será o pianista, professor e musicólogo Robert Andres, presidente da Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira (AACMM), que lançará uma interrogação: 'Cultura para todos e todos para a cultura: será?'.

Três convidados vindos 'de fora'

Conforme já tivemos oportunidade de referir na nossa edição do passado dia 17, além da participação dos responsáveis e agentes culturais regionais convidados, o 'I Fórum da Cultura' conta com a participação de três personalidades vindas de Portugal continental, nomeadamente a museóloga e gestora cultural Simonetta Luz Afonso (31 de Outubro, 9h30) que abordará os grandes acontecimentos que contribuíram, ao logo do século XX e particularmente nas últimas décadas, para a internacionalização da cultura portuguesa; António Pinto Ribeiro (dia 30, 10 horas), ensaísta, programador cultural e ex-director artístico da Culturgest, que fará, na sua intervenção, uma súmula da história da programação cultural e artística em Portugal nos últimos trinta anos, abordando as influências estrangeiras, a produção e os modelos fundamentais da gestão cultural, e que opinará ainda sobre o modelo de programação cultural mais adequado à actualidade, com a globalização, as alterações das redes de equipamentos culturais e o mercado da digitalização; e, finalmente, António Camões Gouveia (dia 30, 15 horas) investigador do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, que falará sobre as práticas de cultura que envolvem os arquivos, as bibliotecas e os museus, numa releitura da realidade cultural que, na sua perspectiva, "cria riquezas pouco objectiváveis de imediato, visíveis a médio prazo, e sempre transversais na construção de um bem-estar que envolve o cidadão". Para Camões Gouveia, "mais que uma nova área económica, a Cultura é uma envolvência, transversal a toda a sociedade e a todos os poderes (...)'.

Inscrições na Internet

Estes são os convidados a fazer intervenções previstas no programa, mas o Fórum é aberto a todos, e estão previstos seis debates. Embora sendo livre o acesso ao evento, a DRAC informa que está já disponível no site www.culturede.com uma página para inscrições. Mais informações pelo telefone 291211830.

Luís Rocha

Exposição - A Utopia de Venús


Jogando - Vampyre Story

Pedro Camacho, engenheiro civil madeirense compôs a banda sonora para o jogo de vídeo "A Vampyre Story" (Uma História de Vampiros), que será lançado internacionalmente no final de Outubro pela empresa norte-americana de Bill Tiller.
Pedro Macedo Camacho tem 29 anos, nasceu e reside no Funchal, na Madeira, começou a estudar música aos 16 e iniciou a sua carreira no mundo dos videojogos em 2006.
Embora tenha feito alguns trabalhos e ganho vários prémios nesta área, "nenhum consegue chegar de perto da importância deste", disse o compositor.
"Tive muita sorte ao ser escolhido, pois tanto quanto sei, esta é a primeira vez que um português é convidado para integrar um projecto desta envergadura na área dos videojogos a nível internacional, o que é motivo de honra e orgulho", adianta.
Tudo começou quando reparou numa nota num site no qual reconheceu o estilo de pintura igual à saga do "Monkey Island" da autoria de Bill Tiller de que era fã, informando que a empresa estava a contratar artistas gráficos.
Decidiu "telefonar oferecendo o seu trabalho" e não desistiu quando foi informado que seria extremamente difícil porque "já estava tudo praticamente acertado" e, embora pudesse enviar uma demonstração com a sua música, as probabilidades de ser escolhido "eram diminutas e uma batalha desigual".
Determinado, decidiu arriscar e enviou uma composição que fez em dois dias.
Na semana seguinte, foi o próprio Bill Tiller que lhe telefonou a elogiar o trabalho apresentado, acrescentando que "antes de tomar qualquer decisão teria de ouvir o trabalho dos outros compositores previamente contactados, visto que numa aventura gráfica, tal como num filme, a música tem um papel fulcral no sucesso do jogo", informa Pedro.
"A escolha foi muito demorada e competitiva, sobretudo por ser um compositor desconhecido, e só quatro meses depois é que tudo ficou decidido: fui contratado para desenvolver o projecto de toda a banda sonora do jogo, com a duração de 67 minutos, em Fevereiro de 2007", realça.
Bill Tiller é considerado um dos ilustradores mais influentes nesta indústria, trabalhou em várias empresas, como a Lucas Arts, Midway e ArenaNet, antes de decidir criar a sua própria empresa, a Autumn Moon Entertainement.
Entre os seus trabalhos mais conhecidos está a saga de jogos "Monkey Island" da Lucas Arts, "Indiana Jones and the Fate of Atlantis".
Sobre onde foi buscar a inspiração para os diferentes temas, Pedro Camacho afirma que "as ideias surgiram da própria arte gráfica do autor, Bill Tiller".
"É realmente uma honra enorme trabalhar com uma equipa que foi inspiração para grande parte dos criadores destes dias. É tão fantástico que nem consigo dizer por palavras", diz.
Ter sido escolhido "já está a abrir portas para o futuro e torna mais fácil participar em outros projectos engraçados", estando previsto continuar a trabalhar com Bill Tiller, que afirmou publicamente pretender contar com Pedro em próximas aventuras.

Engenharia ou música?

O compositor garante que o seu principal objectivo é "divertir-se com a composição", que considera servir de "escape ao dia-a-dia".
"Isto porque a Engenharia faz parte de mim. Não consigo ver minha vida sem essa área, sou matemático. É óptimo ter estas duas coisas, de dia faço uma e de noite outra para me distrair. Complementam-me e dão-me equilíbrio", conclui.
No que diz respeito à sua formação musical, começou em 1995, com 16 anos, quando começou a estudar composição no Conservatório da Madeira com o maestro argentino Roberto Perez.
Dois anos mais tarde, em Lisboa, passou a frequentar a classe de composição do professor Eurico Carrapatoso com quem estudou quatro anos no Conservatório Nacional.
"Foi graças a este grande professor, que considero o melhor em Portugal, que consegui realmente entender o que é música na sua essência e como criá-la", destaca.
Simultaneamente com ensino clássico teve aulas de jazz incentivado pelo tio, o pianista madeirense Jorge Borges.
"O lançamento do jogo está previsto para finais de Outubro nas principais capitais mundiais, no Dia das Bruxas, podendo surgir um pouco mais tarde em Portugal", conclui.

Nuno Morna/Lusa

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Musicando - Omara Portuondo

Omara Portuondo, a diva da música cubana, regressou a Portugal para dois concertos: ontem cantou na Casa da Música, no Porto, descendo hoje até à Aula Magna de Lisboa.
A intensa e aveludada voz de Omara foi um dos segredos mais bem guardados de Fidel, até Wim Wenders a ter mostrado ao mundo no filme "Buena Vista Social Club". Ela, que já era um mito em Cuba, tornou-se um mito global, depois de aparecer ao lado de outras lendas como Compay Segundo, Ibrahim Ferrer e Rubén González (já falecidos e cujos fantasmas, jura ela, nunca a abandonam).
No momento em que comemora 60 anos de carreira (de idate tem 78), a cantora tem em mãos dois trabalhos, ambos lançados já em 2008: "Maria Bethânia e Omara Portuondo" (disco de duetos com a cantora brasileira) e "Gracias", que inclui participações de convidados tão ilustres como Pablo Milanês, Avishai Cohen, Chico Buarque, Jorge Drexler, Richard Bona e Chucho Valdés. Nesta digressão, Omara aproveita para levar ao palco as canções da sua vida.
Nós por cá ficamos quase sempre à margem destas coisas. Contentemo-nos então com o Youtube:

Omara Portuondo - Veinte Años