Tragicomédia de Nelson Rodrigues. Uma casa. Uma sala. Uma família. Um casal: Olegário e Lídia. A história gira em torno do excessivo ciúme que o marido nutre pela esposa. A conduta obsessiva deste deteriora a convivência familiar. Olegário contrata pessoas para vigiar constantemente a esposa. A situação agrava-se, a partir do momento em que fica paralítico. Desconfia de tudo e de todos, asfixiando além dos limites, a paciência dos que o rodeiam. Uma trama neurótica que não deixa ninguém indiferente.
Afinal, quem nunca sentiu ciúmes?
Elenco Elisabete Mata Fernando de Melo José António Barros Marco Lima Dinarte Freitas Paula Camacho Sofia Gouveia Vanessa Sales
Encenação: José António Barros Desenho de Luz: Célia do Carmo Cartaz: Filipe Gomes Produção Executiva: João Pedro Borges Intervenção Cenográfica: Gonçalo Martins
Para relembrar aqui fica João Aguardela e o seu projecto Megafone:
Uma pequena entrevista:
E o que Vítor Belanciano e Henrique Mourão escreveram ontem no Público online:
Foi ontem, no hospital da Luz, em Lisboa. João Aguardela, músico do grupo Sitiados nos anos 90 e, actualmente, membro do colectivo A Naifa, faleceu aos 39 anos, de cancro. A cerimónia fúnebre é amanhã, pelas 16h00, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa. Aguardela fundou os Sitiados em 1987, liderando, cantando e tocando baixo. Foi com esse projecto que começou a dar nas vistas na década de 90. Desde cedo ficou explícito que a sua ideia era combinar música tradicional portuguesa com linguagens como o rock ou a pop, um desígnio de fusão que nunca abandonou, como se constataria mais tarde com A Naifa e Megafone. O músico Jorge Buco esteve com ele desde o início. “Trabalhei com ele 17 anos, era espontâneo, criativo, sempre insatisfeito. Com ele, ou era para fazermos alguma coisa nova ou mais valia estarmos quietos. Tive a felicidade de ajudá-lo a pôr de pé muitas dessas ideias.” O amigo, e guitarrista dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro, recorda-se dos primeiros tempos dos Sitiados. “Tiveram uma entrada de rompante e foram uma lufada de ar fresco”, diz, ao mesmo tempo que recorda alguém que “era entregue à causa” da música e que, em palco, era um “frenesim, aquilo a que se chama um 'animal de palco’.” “Deixa um grande legado para a música portuguesa”, afirma Carlos Moisés, cantor dos Quinta do Bill, da mesma geração que Aguardela, tendo gravado com ele Senhora Maria do Olival, para a antologia Filhos da Nação. “Teve um percurso singular, experimentando música tradicional portuguesa com outras roupagens. Tinha paixão pelo tradicional, mas vivência urbana”, diz, lembrando que quando começou Aguardela tinha 17 anos. “Era o mais novo de nós. Tinha um lado interventivo, inconformado.” Em 1992, os Sitiados editaram o álbum homónimo de estreia com o tema "Vida de marinheiro", que conheceu enorme sucesso, conseguindo que o grupo vendesse cerca de 40 mil exemplares. O segundo álbum, "E Agora?", é editado no ano seguinte e em 1994 a banda integra o projecto de tributo a José Afonso, Filhos da Madrugada. O "Triunfo dos Electrodomésticos", em 1995, Sitiados, em 1996, e "Mata-me Depois", em 1999, foram os álbuns que se seguiram. Em 2000 dão por encerrado o grupo. Para além dos discos, distinguiam-se pelos concertos foliões e por letras onde não se coibiam de comentar a realidade social portuguesa. Uma das suas canções mais emblemáticas, "A cabana do pai Tomás", apesar do tom de fábula, era sobre o escândalo Taveira.
Um ouvido no tecno, outro no folclore
Em 1996, numa entrevista ao PÚBLICO, Aguardela interrogava-se “porque raio não há em Portugal música de dança de raiz popular?”, numa alusão ao facto de haver quem não aceitasse que combinassem tipologias tecnológicas, como o tecno ou rap, com folclore. Esse foi sempre o seu propósito. O projecto solitário, Megafone, voltava a denunciá-lo. O álbum homónimo, de 1997, era uma selecção de electrónicas acopladas a recolhas etnográficas – feitas por José Alberto Sardinha e Michel Giacometti – de cantos tradicionais. Era também uma aposta pessoal de Aguardela, que acreditava – antes do assunto se ter banalizado – que era possível lançar discos à revelia das editoras. Os três álbuns seguintes de Megafone seguiram os mesmos pressupostos, misto de cidade e campo, música popular e urbana, actualização de recolhas de música tradicional portuguesa por via electrónica. “Às vezes sinto que sou tradicional demais para o meio pop e que sou pop demais para o meio tradicional”, dizia ao PÚBLICO em 1997, a propósito de Megafone. A sua outra obsessão era a palavra. Em 2002, na companhia de Luís Varatojo, e uma série de vocalistas convidados, criou o projecto Linha da Frente, na tentativa de musicar poetas. Entre essas vozes estava a de Viviane (ex-Entre Aspas) que recorda que “tinha uma forma inovadora de fazer música”, realçando que “deixa um vazio difícil de preencher porque associava, como ninguém, a cultura portuguesa com coisas recentes”. Como consequência dos Linha da Frente, nasce em 2004 A Naifa, ao lado mais uma vez de Varatojo, com palavras de poetas portugueses para guitarra portuguesa e voz de fado melancólica sobre ritmos electrónicos lânguidos. Com três álbuns – o último dos quais é "Uma Inocente Inclinação Para o Mal" de 2008 – o projecto impôs-se, apostando na recriação do fado, sacudindo mais uma vez as raízes e as memórias portuguesas. Porquê essa obsessão? Talvez por isto: “se me perguntasse: 'gostava que Portugal fosse diferente?’ Sim, gostava, não me contento com o que é”, dizia ao PÚBLICO há dois anos.
O músico e compositor João Aguardela, do grupo A Naifa, faleceu ontem aos 39 anos de idade vítima de cancro, no Hospital da Luz em Lisboa, segundo um comunicado oficial da banda. João Aguardela era "uma força muito positiva no meio musical", disse Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, à agência Lusa. Zé Pedro recorda-se de João Aguardela dos tempos do Rock Rendez-Vous, ao qual os Sitiados concorreram em finais dos anos 1980, e da participação do grupo na colectânea "XX anos XX bandas", dedicada aos Xutos & Pontapés. Já a cantora Viviane, amiga de João Aguardela desde a génese dos Entre Aspas, definiu-o como "um músico singular que teve uma profunda paixão pelas raízes da cultura e da música portuguesa e isso reflectia-se na música que fazia". Carlos Moisés, vocalista da Quinta do Bill, conheceu João Aguardela num concurso do Rock Rendez-Vous e achava que o músico "era um criativo à procura de novos roupagens para as raízes da nossa música tradicional", disse Carlos Moisés, recordando o trabalho de Aguardela no projecto a solo Megafone. João Aguardela, que faria 40 anos em Fevereiro, morreu no domingo, em Lisboa, vítima de cancro no estômago. Distinguido em 1994 com o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Autores, João Aguardela liderou os Sitiados, grupo pop-rock que se inspirava na música tradicional portuguesa. A busca das raízes e da tradição musical portuguesa levou-o também ao projecto Megafone, no qual recorria a recolhas etnográficas de Giacometti e José Alberto Sardinha, adicionando-lhes electrónica. Liderou ainda o projecto "Linha da Frente", que musicou textos de Ary dos Santos, Manuel Alegre e Alexandre O´Neill, entre outros e desde 2004 integrava A Naifa, juntamente com Mitó e Luís Varatojo, com quem editou em 2008 o álbum "Uma inocente inclinação para o mal".
Luta renhida nos BAFTA, a versão britânica dos Óscares. “Slumdog Millionaire” de Danny Boyle, com história passada em Bombaim, e “O Estranho Caso de Benjamin Button” de David Fincher, têm ambos 11 nomeações, incluindo Melhor Filme, Actor e Realizador. Seguem-se “Frost/Nixon”, candidato a seis prémios, “The Reader” cinco nomeações e “Milk” com quatro. Destaque ainda para Kate Winslet – que ganhou dois Globos de Ouro por “The Reader” e “Revolutionary Road” –, que volta a ser duplamente nomeada para Melhor Actriz e Melhor Actirz Secundária pelos mesmos filmes. Menos surpreendente é a nomeação do falecido Heath Ledger como Actor Secundário de “O Cavaleiro das Trevas”. A cerimónia dos BAFTA terá lugar no próximo dia 8 de Fevereiro em Londres.
É entre o frio de Janeiro no Utah (nos EUA) que o ano cinematográfico dá os primeiros passos. O Sundance Resort (perto de Provo) é o centro de uma rede de salas que acolhe um festival que, criado em 1978 por uma equipa que teve como rosto Robert Redford, tem sido montra de exposição da produção independente e importante cartão-de-visita para estreantes. Deles, e não só, vive a edição 2009 do Festival de Sundance, que ali decorre desde o dia 15. Como é habitual no festival, a programação revela mais estreantes ou nomes em afirmação que consagrados. Estes últimos, mesmo assim, este ano aparecem em ainda menor número que o habitual. Um dos nomes feitos em cartaz é Oliver Hirshbiegel (o realizador de “A Queda”), que este ano ali apresenta o novo “Five Minutes Of Heaven”. Alexis dos Santos, revelado há dois anos por “Glue”, propõe “Unmade Beds”. Entre os estreantes na realização apresenta-se Duncan Jones com “Moon”. A dupla Glenn Ficarra e John Requa mostra “I Love You Philip Morris”, o novo filme de Jim Carrey. O actor Joseph Gordon Levitt (“Mysterious Skin” e “Brick”) mostra, como realizador, a estreia em “Sparks”, uma curta-metragem. Também com carreira no cinema, mas na escrita, Carlos Cuarón, irmão de Alfonso Cuarón (para quem assinou o argumento de “E a Tua Mãe também”) leva ao festival a "longa" “Rudo Y Cursi”. Na selecção de documentários passam, entre outros, “When You're Strange”, de Tom DiCillo sobre os The Doors, e “It Might Get Loud”, filme de Davis Guggenheim sobre a guitarra eléctrica que ilustra os pontos de vista de Jimmy Page, Jack White e The Edge.
Grande notícia: no próximo dia 7 de Fevereiro Mário Laginha e Bernardo Sasseti são os nomes do próximo Mudas Jazz Sessions. Ainda há dias tivemos a oportunidade de ver na televisão o espectáculo 3 Pianos que contou também com a presença de Pedro Burmester. Fica aqui um momento para aguçar o apetite!
“Get On Your Boots”, o primeiro tema a retirar do novo álbum dos U2, estreará segunda-feira numa rádio britânica, mas só estará disponível a 15 de Fevereiro, anunciou a BBC. O single, que estreará num dos canais da BBC Radio, é um dos 11 temas do álbum “No Line On The Horizon”, que a banda irlandesa editará a 2 de Março. Os U2 vão tocar ao vivo este tema no dia 18 de Fevereiro, em Londres, na entrega dos Brit Awards. “No Line On The Horizon” é o 12º álbum de estúdio dos U2, foi produzido por Brian Eno, Daniel Lanois e Steve Lillywhite, e gravado em Fez (Marrocos), Dublin, Nova Iorque e Londres. A capa, minimalista, mostra uma imagem feita pelo artista e fotógrafo japonês Hiroshi Sugimoto. Do alinhamento do álbum, que sucede a “How To Dismantle An Atomic Bomb”, fazem parte, entre outros, “Moment Of Surrender”, “I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight”, “Fez - Being Born” e “Cedars of Lebanon”. Em entrevista à revista Rolling Stone, em Dezembro, os U2 explicaram como surgiram alguns dos temas do novo álbum. O guitarrista The Edge fez referência a Jimmy Page, dos Led Zeppelin, e a Jack White, dos White Stripes, quando falou do tema “Stand Up Comedy”. “Moment of Surrender”, com sete minutos, é apontado como o tema mais ambicioso do álbum, regressando aos tempos sonoros de “Joshua Tree”. Na oportunidade Bono acrescentou que as músicas do novo disco foram inspiradas pelos acontecimentos no mundo, como a faixa “Cedars of Lebanon”, plena de actualidade que fala sobre um correspondente de guerra no Médio Oriente.
A Casa da Música vai acolher esta sexta-feira, 16 de Janeiro, pelas 22:00 horas, a actuação ao vivo do “nosso” André Sarbib, onde vai apresentar «This is it!» na Sala 2. Sarbib viveu muitos anos na Madeira onde tocou em diversos sítios e é, ainda hoje, o Director Artístico do Funchal Jazz. O pianista, que também vai cantar, será acompanhado em palco por João Moreira, no trompete e fliscorne; Bernardo Moreira, no contrabaixo; e João Cunha, na bateria. Os músicos contarão ainda com a participação dos convidados António Serrano, na harmónica; Zoltan Santa e Richard Tomes, no violino; David Lloyd, na viola de arco; Miranda Phythian-Adams, no violoncelo; e Paula Miranda, na harpa. O último disco de Sarbib é composto por temas originais do próprio e alguns clássicos do jazz de autores como Michel Legrand e Victor Young. «This is It!» assinala a primeira gravação do artista que conta com a sua voz. André Sarbib já trabalhou com músicos como Joe Lovano, Barry Altschul, Ivan Lins, Carlos Benavente, Ruben d´Antas, Alice Day, Jorge Rossi, Saheb Sarbib, Carlos Carli, Jorge Prado, Chavier Colina, Joachim Chacón, Paulo de Carvalho, Rão Kyao, António Serrano e Leonardo Amuedo, entre outros. Em 1990 gravou «Silêncio das Águas», estreia a solo com um trabalho de originais. Três anos mais tarde, em 1993, gravou «Coisas da Noite». Participou no 1º Funchal Jazz, e no 5º Matosinhos em jazz, formando um quarteto com Joe Lovano, Barry Altschul e Saheb Sarbib. Em Novembro de 2008 actuou no Festival de Jazz de Madrid com Ivan Lins e António Serrano. Para o pessoal do Porto que vai passando por aqui fica a informação de que o preço dos é de 10 euros. Se puderem não percam e mandem por mim um abraço ao Sarbib.
Um artista checo reconheceu terça-feira ter enganado a presidência checa da União Europeia (UE) com uma obra de arte monumental e provocadora (onde Portugal surge como uma tábua com três bifes), exposta desde segunda-feira na sede do Conselho dos 27, em Bruxelas. A obra, baptizada «Entropa», é apresentada pelo catálogo oficial como a «Europa vista pelos artistas dos 27 Estados-membros da UE», quando é, na realidade, obra de um só artista plástico, Davic Cerny, que inventou 26 artistas fictícios, com nomes falsos e falsas biografias. «A hipérbole grotesca e a mistificação fazem parte dos atributos da cultura checa e a criação de falsas identidades representa uma das estratégias da arte contemporânea», declarou o artista num comunicado. Revelada a fraude, o vice-primeiro-ministro Alexandr Vondra para os Assuntos Europeus declarou-se em estado de choque. «Estou desagradavelmente surpreendido por saber que o criador da obra era, de facto, David Cerny e não 27 artistas em representação dos 27 países membros», disse o responsável, que preside quinta-feira à inauguração oficial da obra de arte. «Vamos considerar que medidas devem ser tomadas», acrescentou, num comunicado divulgado pela presidência da UE. Provocadora e até chocante, a escultura gigante é formada de um puzzle dos 27 países europeus, com uma França tapada com um cartaz com a palavra «em greve», uma Áustria não atómica coberta de centrais nucleares, uma Alemanha coberta de auto-estradas em forma de cruz gamada ou uma Dinamarca construída com peças de Legos que lembram a caricatura de Maomé que indignou as comunidades muçulmanas em finais de 2005. A obra gerou polémica ao associar cada um dos países membros a estereótipos e clichés. Assim, a Espanha aparece totalmente coberta de betão, Portugal surge como uma tábua com três bifes, com o desenho de três ex-colónias portuguesas em África, e a Itália é um campo de futebol. A Roménia alberga um castelo de Drácula, próprio de uma feira, e a Grécia é pasto de chamas. A Bélgica aparece convertida numa caixa de bombons e o mapa da Suécia advinha-se sobre uma caixa semelhante às que envolvem os móveis do Ikea. Na Bulgária, só se vê um inodoro turco e no lugar do Reino Unido aparece um espaço vazio. Na Polónia, uns sacerdotes colocam uma bandeira arco-íris – símbolo do orgulho gay -, enquanto na República Checa um portal electrónico devia mostrar os comentários sobre o mundo e a UE do presidente checo, Vaclav Klaus, conhecido por ser um eurocéptico. O pequeno território do Luxemburgo está pintado com ouro falso, com um cartaz «Vende-se», e a Holanda está debaixo de água e já só sobressaem as torres de cinco mesquitas. A Bulgária pediu ontem oficialmente que o módulo que representa o seu território seja retirado da obra antes da inauguração. No puzzle suspenso no grande Hall do Conselho Europeu, o país está representado por casas de banho à turca. A obra, que custou 50 mil euros ao governo checo, devia permanecer no edifício Justus Lipsius até 30 de Junho, como é habitual com as instalações que cada presidência coloca para celebrar o seu mandato. A presidência checa ofereceu um dossier de 29 páginas, com a explicação sobre as obras de cada um dos supostos criadores, assim como informação sobre a sua imaginária trajectória artística.
Para que estas coisas deixem de acontecer há que repensar seriamente a cultura regional!!!! Com a pretensa crise que se aproxima a passos largos, com a redução de verbas do orçamento regional para a cultura, com a falta de preparação do tecido empresarial regional que não entende a responsabilidade social e cultural das empresas, com o "agachar" constante de alguns agentes culturais regionais que a tudo se sujeitam, com tudo isto, os tempos que se aproximam são muito, mas mesmo muito preocupantes!
Escreve Filipe Gonçalves no DN/Madeira:
Os responsáveis regionais pela Cultura "devem olhar para aquilo que a 'Porta 33' tem feito, devem sentir o pulsar da comunidade que cá habita e que frequenta a galeria, devem medir os ecos que chegam de fora da actividade e perguntar se a 'Porta 33' é para fechar ou para continuar". A afirmação é da responsabilidade do director da galeria de arte face aos cerca de 75 mil euros que o Governo Regional deve, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC), por força de incumprimento de um contrato-programa. "Tínhamos o último contrato que correspondia ao período de actividade de Janeiro de 2005 a Junho de 2007", explicou Maurício Reis, esclarecendo que o montante em dívida corresponde ao ano de 2007. À frente da galeria há quase 20 anos, Maurício Reis não deixa de criticar a falta de verbas e explicou que "cabe aos responsáveis culturais regionais, quer da Câmara Municipal do Funchal e da DRAC, ver se o nosso projecto deve ou não ser apoiado". O director da galeria não esconde "as dificuldades" que 'assombram' a 'Porta 33'. A Câmara do Funchal "deixou de nos apoiar há muito tempo", exemplificou. De vez enquando, a autarquia contribuía com uma passagem aérea para deslocações, disse. No entanto, a Câmara, através da empresa 'Funchal 500 anos', no ano passado apoiou apenas meio ano e nos restantes meses, até ao final do ano, "não deu nenhum apoio". A piorar toda a situação está ainda a lei "absurda" publicada pelo Governo da República que proíbe a concorrência a apoios para projectos culturais de entidades colectivas ou privadas que sejam das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. A falta de apoios e incumprimento de contratos-programa acaba por criar danos colaterais. Um deles é o atraso no pagamento das rendas ao senhorio. O valor é pago anualmente, mas em dívida estão os dois últimos anos.
Não comenta rendas em atraso
Sem nunca negar a existência deste montante a liquidar, o responsável pela galeria "não comenta informações que possam chegar a qualquer órgão de comunicação social baseado no anonimato das pessoas. Eu tenho a liberdade de dizer que não comento esses assuntos internos da 'Porta 33' baseado nesses contextos.". Maurício Reis explicou, no entanto, que a prioridade para a 'Porta 33' é "manter a actividade cultural". O director da galeria salientou que com base no dinheiro que recebe é necessário fazer opções: "Ou temos as rendas hipoteticamente resolvidas mas não temos programação cultural" mas, tal situação pode ser "uma armadilha" porque "se tivesse dedicado a atenção às rendas, a Porta 33 era acusada de não fazer nada". A DRAC confirma o valor em dívida. João Henrique Silva adiantou que a DRAC já processou o montante e garantiu que "nos próximos dias o valor vai ser pago". Agora, o pagamento estará dependente do aval da Secretaria do Plano e Finanças. O vereador da Câmara do Funchal do pelouro da Economia e Finanças não quis comentar o teor das afirmações do galerista. Pedro Calado limitou-se a esclarecer que quer a antiga vereação como a actual sempre apoiaram a 'Porta 33'. O vereador salientou também que o apoio é para continuar "desde que as entidades apresentem projectos viáveis".
Jardim manda recado a governantes
Não é a primeira vez que por força das dificuldades na concepção de apoio, a galeria 'Porta 33' vê-se obrigada a pedir a intervenção do presidente do Governo Regional para tentar solucionar o problema. A última solicitação aconteceu em Dezembro. No dia 15, quatro dias depois de os responsáveis terem dado conhecimento da situação a Alberto João Jardim, receberam a cópia de uma carta. O presidente do Executivo madeirense "chama a atenção do secretário Regional da Educação e Cultura e do secretário do Plano e Finanças para a importância da continuidade da Porta 33", pode ler-se na cópia da carta que o DIÁRIO teve acesso.
Os sobrinhos de Fernando Pessoa, Manuela Nogueira e Miguel Rosa, acusam de difamação os três investigadores que digitalizaram documentos do poeta ainda em seu poder, numa carta posta a circular pelos emails de amigos e conhecidos.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, intitulada 'Esclarecimento sobre as calúnias à família de Fernando Pessoa' e assinada por ambos, classificam como «arrivistas» os investigadores Jerónimo Pizarro, Patrício Ferrari e Stephan Dix, a quem deram acesso aos papéis do poeta e que depois os acusaram de não ter revelado toda a documentação na sua posse. Afirmando expor «factos que podem ser documentados», Manuela Nogueira e Miguel Rosa defendem que foi «a ânsia de notoriedade» destes investigadores que os fez «dar a jornalistas notícias constantes do que faziam e veicularem a ideia de que, afinal, a família do poeta sonegara bastante material no passado». «Sem conhecimento dos dois contratos firmados entre a família, o Estado e a Câmara Municipal de Lisboa (CML), propalaram, com má-fé, uma história difamatória», sustentam. E apresentam, em seguida, um resumo dos factos: «em finais de 1978, os herdeiros de Fernando Pessoa (...) venderam ao Estado o conteúdo da arca onde Fernando Pessoa deixara, em grandes envelopes, a obra que arrumara». Nesse espólio se incluíam «os originais da obra de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos», vendidos ao Estado «por um preço exíguo (esses originais têm hoje um valor incalculável)» e depositados na Biblioteca Nacional. «Do espólio saiu praticamente a totalidade da obra do poeta - alvo de traduções em 35 idiomas - e inúmeros trabalhos de estudiosos, tudo para benefício do público, de autores, editores e livreiros» , sublinham. Por sua vez, a CML (à qual pertence a Casa Fernando Pessoa, CFP) comprou à família, em finais de 1988, «dois lotes de livros que o poeta deixara em duas estantes». «No contrato, que a família conserva, diz: uma estante com 327 livros encadernados e outra com 777 livros. Não existe no contrato a palavra Biblioteca, nem qualquer referência a revistas», referem. «A família vendeu o que foi objecto de um contrato e não tudo o que, na altura, a irmã do poeta (Henriqueta Madalena, mãe de Manuela Nogueira e Miguel Rosa) pudesse possuir relativo ao irmão», frisam, para se defender da acusação dos investigadores, a quem chamam «os abusadores da confiança da família», de terem conservado património que já não deviam possuir. Quanto à capa rasgada de um livro pertencente à CFP com palavras escritas pelo poeta, que acusaram a família de levar a leilão e que originou uma providência cautelar para impedir que o leilão se realizasse, Manuela Nogueira e Miguel Rosa afirmam que «teria bastado um contacto telefónico feito pela Câmara ou Directora da Casa Fernando Pessoa (a escritora Inês Pedrosa), que estava bem informada do assunto, para que a dita capa fosse imediatamente retirada». «Quiseram fazer chicana, sabotar o leilão e colocar mal a família», declaram, argumentando que embora a providência cautelar não tivesse sido validada pelo tribunal e o leilão tenha continuado, «prejudicou fortemente a família e a leiloeira». «O que provavelmente aconteceu, na altura da embalagem dos livros em casa da irmã do poeta, foi que, talvez por negligência ou ignorância, os embaladores deixassem a capa rasgada. A irmã do poeta, com o cuidado que sempre teve com o espólio, guardou essa peça meia destruída junto a outros documentos do irmão», explicam. «Mais tarde - acrescentam - quando recebemos esse espólio residual, a 'capinha' foi a leilão sem podermos saber que pertencia a um livro vendido à Câmara há 20 anos!!! Assim, foi a família acusada de estar a vender documentos por uma segunda vez» . No texto, os sobrinhos de Pessoa afirmam que «parece que a Câmara perdeu os contratos e actuou baseada apenas na informação veiculada pelos 'estudiosos' e confirmada pela directora da Casa Fernando Pessoa». E terminam, dizendo, em maiúsculas, que «não se deve admitir o uso de calúnias por falta de informação».
Escreve João Filipe Pestana no DN/Madeira de hoje:
A obra 'A Verdade Madeirense e a Grande Guerra', da autoria de Graça Fernandes, já se encontra disponível ao público na livraria Almedina, na Rua 31 de Janeiro, nº67, 1º. O livro, que divulga e enquadra uma época invulgar e deslumbrante da História Universal, "permite desvendar um mundo que ameaça ruir a cada momento, em consequência das sangrentas batalhas travadas ao longo do conflito e simultaneamente um tempo de esperança e de expectativa para a Humanidade", diz a autora. "Centralizando a acção na Madeira e na cidade do Funchal, patenteia toda a problemática inerente a um período calamitoso da história daquele arquipélago. Em contraponto, revela um alargado mural sobre a cultura da época em que a produção dos mais célebres artistas, desde os pintores, músicos e cantores aos escritores, poetas, dramaturgos e cineastas deixou marcas permanentes até aos nossos dias", completa.
O australiano Heath Ledger, a título póstumo, foi considerado o Melhor Actor Secundário na cerimónia de entrega dos Globos de Ouro, que se realizou domingo, em Los Angeles, nos EUA. O artista foi destaque pelo seu papel de Joker em «Batman - O Cavaleiro das Trevas», o seu último trabalho antes de ser encontrado morto no seu apartamento, em Manhattan, devido a uma overdose acidental de medicamentos. Já aqui tínhamos referido a hipótese de Ledger vir a receber muitos prémios a título póstumo por via da sua excelente interpretação em «O Cavaleiro das Trevas». Se o filme «Slumdog Millionaire» conquistou quatro Globos de Ouro, Kate Winslet afirmou-se como a grande vencedora, conseguindo duas estatuetas. «Lamento muito», disse Kate Winslet aos seus concorrentes, ao receber o prémio para Melhor Actriz Dramática em «Revolutionary Road». «Será que isto está mesmo a acontecer?», questionou. Pouco antes, Kate Winslet tinha ganho o Globo de Ouro como Melhor Actriz Secundária em «The Reader», no qual desempenha o papel de uma antiga guarda de campo de concentração nazi. «Slumdog Millionaire« recebeu os Globos de Ouro para Melhor Filem Drama, Melhor Realizador, Danny Boyle, bem como Melhor Guião e Melhor Banda Sonora.
Aqui fica a lista completa dos vencedores da 66.ª cerimónia anual de entrega dos Globos de Ouros que decorreu no domingo em Los Angeles, numa iniciativa da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. «Slumdog Millionaire» foi, mais uma vez o grande vencedor perfilando-se assim para arrasar nos Oscares.
CINEMA:
- Filme, drama: «Slumdog Millionaire» - Filme, musical ou comédia: «Vicky Christina Barcelona» - Actor, drama: Mickey Rourke, «The Wrestler» - Actriz, drama: Kate Winslet, «Revolutionary Road» - Realizador: Danny Boyle, «Slumdog Millionaire» - Actor de musical ou comédia: Colin Farrell, «In Bruges» - Actriz de musical ou comédia: Sally Hawkins, «Happy-Go-Lucky» - Actor secundário: Heath Ledger, «Batman - O Cavaleiro das Trevas» - Actriz secundária: Kate Winslet, «The Reader» - Filme em língua estrangeira: «Valsa Com Bashir» - Filme de animação: «Wall-E» - Guião: Simon Beaufoy, «Slumdog Millionaire» - Banda Sonora original: A.R. Rahman, «Slumdog Millionaire» - Canção original: «The Wrestler» (interpretada por Bruce Springsteen, escrita por Bruce Springsteen), «The Wrestler»
TELEVISÃO:
- Série dramática: «Mad Men» - Actor dramático: Gabriel Byrne, «In Treatment» - Actriz dramática: Anna Paquin, «True Blood» - Série musical ou comédia: «30 Rock» - Actor de musical ou comédia: Alec Baldwin, «30 Rock» - Actriz de musical ou comédia: Tina Fey, «30 Rock» - Mini-série ou filme: «John Adams» - Actriz de mini-série ou filme: Laura Linney, «John Adams» - Actor de mini-série ou filme: Paul Giammatti, «John Adams» -Actriz secundária de série, mini-série ou filme: Laura Dern, «Recount» - Actor secundário de série, mini-série ou filme: Tom Wilkinson, «John Adams»
Porque o falar madeirense, se dele muitos de nós não tivessem vergonha, quase que poderia ser um dialecto!
Era uma vez…
Tava o vendeiro ao paleio com o vadio do vilhão quando ouviu uma zoada. Era a água de giro. O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda, vinha às carreiras e às parafitas com bizalho. Dá-lhe uma cangueira, trompicou no matulhão do vilhão. Bate cas ventas no lanço e esmegalha a pucra. O vilão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada, patinha uma poia. Ficou todo sovento. O vendeiro dá-lhe uma rezonda por ele querer malhar num bizalho dum pequeno. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola, que anda à gosma e a encher o pampulho à custa dos outros, a ferrar com o filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas. O vilão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora todo esfrancelhado. O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desatupir a levada. O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhão. A mãe que é uma rabugenta mas abica-se por ele, ao vê-lo todo ementado, deu-lhe um chá que era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do bicho virado e do olhado. O busico arribou e até já anda a saltar poios de bananeiras na Fajã.