domingo, 11 de janeiro de 2009

Lendo - Novo livro de Tolkien em Maio

A editora HarperCollins vai publicar um novo livro de J. R. R. Tolkien que conta a lenda de Siegfried e do dragão Fafner. A edição em inglês vai ter o título "The Legend of Sigurd and Gudrún" e sai em Maio, com edição de Christopher Tolkien, filho do escritor, também autor da introdução. A edição em português ainda não foi anunciada, mas poderá ser feita pelas Publicações Europa-América, que em Portugal tem publicado as obras de Tolkien.
Segundo o "The Guardian", o livro foi escrito entre 1920 e 1930, enquanto o autor ensinava na Universidade de Oxford, e foi terminado antes da publicação de "O Hobbit" e de "O Senhor dos Anéis". A editora "espera que o facto de o livro se tratar de uma narrativa em verso não afaste a legião de fãs de Tolkien".
A lenda original conta as aventuras do heróico Siegfried que vence o dragão Fafner numa luta para adquirir um anel mágico, embora não se conheça como Tolkien contará esta história. O autor tem várias inspirações nórdicas na sua obra e a presença de um anel de ouro e de uma espada reforjada, elementos partilhados por esta lenda e a obra de "O Senhor dos Anéis", são exemplo disso.

Ípsilon

sábado, 10 de janeiro de 2009

Cinema - Critics Choice Awards

O filme independente Slumdog Millionaire foi o grande vencedor da 14ª edição do Critics Choice Awards, prémios atribuídos pelos críticos de cinema nos Estados Unidos, que decorreu quinta-feira em Los Angeles.
Slumdog Millionaire obteve cinco dos seis prémios a que concorria, entre eles o de melhor filme, melhor realizador (Danny Boyle) e melhor argumento (Simon Beaufoy).
O protagonista do filme, Dev Patel, foi considerado o melhor jovem actor de 2008 e A.R.Rahman levou o prémio na categoria de melhor banda sonora.
Os prémios, entregues pela Broadcast Film Critics Association, a maior organização de críticos dos EUA, serviram ainda para recordar Milk e Batman - O Cavaleiro das Trevas, duas produções que tiveram poucas nomeações para os Globos de Ouro, que são entregues no domingo.
O drama sobre a luta política de Harvey Milk pelos direitos dos homossexuais em São Francisco valeu o prémio de melhor actor a Sean Penn.
O momento mais emocionante da festa, realizada nos salões do Centro Cívico de Santa Monica, em Los Angeles, foi o prémio atribuído ao falecido Heath Ledger de melhor actor secundário, pelo seu papel em Batman.
Os presentes levantaram-se para aplaudir Ledger, que morreu com 28 anos em Janeiro de 2008, supostamente vítima de excesso de medicação.
O realizador de Batman, Christopher Nolan, recebeu o prémio de Ledger e assegurou que «trabalhar com ele foi uma das maiores experiências» que teve.
Além do prémio de Ledger, Batman ganhou o de melhor filme de acção do ano, ultrapassando outras produções com grande sucesso de público como Homem de Ferro e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal.
Uma emocionada Anne Hathaway (O Casamento de Rachel) compartilhou o título de melhor actriz do ano com a ausente Meryl Streep (Dúvida), após um empate entre os votos dos críticos.
Kate Winslet foi a melhor actriz secundária de 2008, pelo seu papel em O Leitor, resultado que deixou mais aberta a disputa do Globo de Ouro.
Até ao momento, apenas os críticos de Chicago tinham apostado em Winslet ao invés da espanhola Penélope Cruz, que foi María Elena no filme de Woody Allen Vicky Cristina Barcelona.
A espanhola já tinha saído vencedora da maioria dos prémios dados pelos críticos de cinema dos EUA, nomeadamente os de Los Angeles, Nova Iorque e Boston.
Não houve surpresas na categoria de animação e o favorito Wall-E arrebatou um novo prémio, batendo os filmes da Disney Bolt e Kung Fu Panda, da DreamWorks.
A melhor canção foi para The Wrestler pelo tema homónimo de Bruce Springsteen.
Man On Wire foi considerado o melhor documentário de 2008, John Adams o melhor filme para TV, e o melhor filme em língua estrangeira foi para Valsa com Bashir, sobre o drama humanitário de 1982 em Sabra e Shatila, no Líbano.
Produções como O Curioso Caso de Benjamin Button e Frost/Nixon, com oito e quatro indicações respectivamente, saíram de mãos a abanar e foram as grandes derrotadas da noite, tal como aconteceu com as produções de Clint Eastwood, A Troca e Gran Torino.

Lusa

Musicando - Melhor Vídeo de 2008

Este foi considerado pelos leitores da revista norte-americana Rolling Stone o melhor vídeo do ano.


A lista completa é:

1. The Killers - «Human»

2. Radiohead - «House of Cards»

3. Metallica - «All Nightmare Long»

4. Weezer - «Pork and Beans»

5. MGMT - «Time to Pretend»

6. Kanye West - «Heartless»

7. Coldplay - «Violet Hill»

8. Kings of Leon - «Sex on Fire»

9. Kings of Leon - «Use Somebody»

10. Gnarls Barkley - «Who`s Gonna Save My Soul?»

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Musicando - The Mom Song

Simplesmente fantástico!!!!!


Apoiando - INOV-ART

Vamos lá a aproveitar!!!!

O Governo apresenta hoje o INOV-ART, um programa de apoio a jovens que pretende permitir-lhes a realização de estágios em entidades internacionais de referência no domínio das artes e cultura, estimulando a sua inserção profissional e internacionalização.
Segundo uma nota da Direcção-Geral das Artes, que gere o programa, em 2009, o INOV-ART pretende abranger 200 jovens que tenham entre 18 e 35 anos, que estejam desempregados ou à procura do primeiro emprego e que possuam qualificação específica do domínio cultural e artístico.
O objectivo deste programa é promover a qualificação específica e a integração, por um período que pode ir dos três aos nove meses, de jovens em organizações profissionais no estrangeiro e contribuir para o desenvolvimento de projectos, em cooperação internacional, por parte dos estagiários, com incidência no âmbito europeu, e nos espaços lusófono e ibero-americano.
Para o Director-Geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, esta iniciativa pretende «estimular, de uma maneira consistente, a profissionalização e a melhoria das competências profissionais de jovens que trabalham ou querem trabalhar na área da cultura», desde criadores, a programadores, a técnicos de luz e som, num amplo leque de profissões no domínio cultural.
«O objectivo é contribuir para a qualificação dos agentes nos diversos domínios», sublinhou.
O INOV-ART abrange as áreas das artes visuais, artes do espectáculo, dança e música, escrita e edição, design, cinema e audiovisual, arquitectura e restauro, gestão das áreas artísticas, indústrias criativas, marketing, serviços educativos e actividades e meios artísticos.
Em 2009, o programa vai ter duas fases de candidaturas - entre 9 e 28 de Fevereiro e entre 16 de Abril e 30 de Maio, podendo a iniciativa ter continuidade em 2010 se tiver sucesso.
«Durante muitos anos, em Portugal, no que diz respeito à internacionalização na área da cultura, o Estado teve um papel muito pouco relevante e a Gulbenkian teve um papel decisivo para que houvesse portugueses no circuito internacional», afirmou.
«Este projecto, não sendo um projecto que visa a formação especializada em termos académicos (não é nem quer ser um programa de estudos avançados), tem uma componente de aprofundamento de competências profissionais e é a este nível uma coisa nova», indicou, acrescentando que «é o Estado a reconhecer pela primeira vez a dinâmica e a importância económica da cultura como área de profissionalização e as possibilidades que essa área pode permitir ao país».
Os estágios vão ter uma duração mínima de três meses e máxima de nove meses e as bolsas de estágio são de 815 euros por mês, mais subsídio de alimentação e alojamento (com valores máximos de 91 e de 1.100 euros mensais, respectivamente, de acordo com o custo de vida do país).
O programa é financiado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e o limite máximo de financiamento, de acordo com os candidatos admitidos e tempo de duração dos estágios, é de 5 milhões de euros, 84 por cento dos quais se destinam a despesa directa com os estagiários.

Lusa

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Censurando - DDiarte

Esta foto foi censurada por alguns comerciantes na expo "Dias Felizes" que decorreu na Casa da Guia em Cascais.
Porque abomino qualquer tipo de censura aqui fica este trabalho do colectivo DDiarte.

(clicar sobre a foto para ver maior)

Cinema - Filmes Mais Vistos em Portugal em 2008

Os 10 filmes mais vistos

1. "Mamma Mia!" - 846.477 Espectadores *
2. "O Panda do Kung Fu" - 603.085
3. "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" - 572.030
4. "Madagáscar 2" - 552.310 *
5. "Astérix nos Jogos Olímpicos" - 552.310
6. "007 Quantum of Solace" - 387.934 *
7. "Wall-E" - 350.845
8. "O Cavaleiro das Trevas" - 334.107
9. "A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão" - 278.535
10. "Procurado" - 261.938

Os 10 filmes portugueses mais vistos

1. "Amália" - 77.565 Espectadores *
2. "Arte De Roubar" - 26.802
3. "Aquele Querido Mês de Agosto" - 19.464
4. "Cristóvão Colombo - O Enigma" - 5.379
5. "Entre Os Dedos" - 3.277
6. "Goodnight Irene" - 2.771
7. "The Lovebirds" - 2.442
8. "A Ilha Dos Escravos" - 2.292
9. "Cartas a Uma Ditadura" - 2.039
10. "Lobos" - 1.958

Apenas filmes estreados desde 1 de Janeiro de 2008.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Cinema - A Primeira Curta de Gus Van Sant

Cinema - Milk (2)

Quando soube que Gus Van Sant ia abraçar a condução da biografia cinematográfica de Harvey Milk, o primeiro gay a ser eleito para um cargo oficial nos Estados Unidos, pensei logo que era o homem certo para o trabalho certo. Isto porque Van Sant adora trabalhar personagens fortes, carismáticas. Se adicionarmos a isto o facto de que o actor escolhido para interpretar Milk foi nem mais do que Sean Penn, temos uma fórmula de sucesso quase que garantido.
Harvey Milk teve uma epifania aos 40 anos e muda-se de Nova Iorque para São Francisco, onde se torna um activista pelos direitos da comunidade gay. À terceira tentativa consegue ser eleito vereador da cidade, tornando-se assim o primeiro gay a ser eleito para um cargo público. E o interessante é que quem o elege não é, como seria óbvio, somente a comunidade gay. Milk reúne os votos dos eleitores de terceira idade, dos jovens, de alguns sindicatos, criando uma ampla base de sustentação eleitoral. Fica por lá um ano, até que é assassinado, juntamente com George Mascone o Presidente da Câmara, por um colega vereador.
Quando um filme tem uma personagem como a de Harvey Milk é essencial que se procure um actor que o possa trazer à vida. Sean Penn foi a escolha perfeita e estamos aqui na presença, para mim, da sua melhor interpretação de sempre. No seu Milk coabitam os medos, a frágil humanidade, as incertezas e a ambiguidade moral, bem ao lado da dureza e da insensibilidade do político que se quer impor dê lá por onde der. E esta interpretação pode levar Penn até ao Oscar!
Mas o resto do elenco também brilha e bem: James Franco, Josh Brolin, Emile Hirsch são só alguns dos nomes que tão boa conta do recado dão.
“Milk” é um filme fundamental que nos conta uma história que entretém e ao mesmo tempo nos põe a pensar. Não é um filme perfeito, até porque não os há... mas é quase perfeito!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Elegendo - Viale Moutinho Eleito para a Academia Real Galega

O escritor madeirense José Viale Moutinho foi eleito académico da Real Academia Galega, em Espanha.
A decisão foi tomada por unanimidade a 20 de Dezembro, mas ainda não foi marcada uma data para a cerimónia de posse.
Nascido no Funchal em 1945, José Viale Moutinho é poeta e ficcionista, autor de uma vasta obra que inclui «Natureza Morta Iluminada», «No País das Lágrimas», «Histórias do Tempo da Outra Senhora», «Romanceiro da Terra Morta» e «Hotel Graben».
É também autor de livros para crianças - «O Cavaleiro de Tortalata», «O Menino Gordo» e «Os Dois Fradinhos», entre outros - e de colectâneas sobre música popular e de resistência como «O Nosso Amargo Cancioneiro», «Memória do Canto Livre em Portugal» e «Cancioneiro de Abril».
Algumas das suas obras estão traduzidas em russo, búlgaro, castelhano, catalão, alemão, italiano e galego. Na Galiza, onde foi distinguido em 1995 com o prémio Pedrón de Honra, Viale Moutinho editará este ano a obra «Negra Sombra, Negra Sombra e Outros Contos», com narrativas sobre a guerra civil espanhola.
Para esta obra, o escritor português seleccionou textos publicados anteriormente nos seus livros «Cenas da Vida de um Minotauro», Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/APE, e «Já os Galos Pretos Cantam», Prémio do Conto Edmundo Bettencourt.
A Real Academia Galega foi fundada em 1906 e nomeou anteriormente figuras portuguesas como o historiador Hernâni Cidade, o professor universitário Ivo Castro, o dramaturgo Júlio Dantas, o ensaísta Jacinto Prado Coelho e o filólogo José Leite Vasconcellos.

Lusa/Nuno Morna

Cinema - Remakes 2009-2010

Escreve Joana Amaral Cardoso no Ípsilon do Público:

Hollywood prepara uma série de "remakes", de filmes de culto, de filmes esquecíveis, de filmes recentes. 2009 e 2010 vão ser assim.
Numa altura em que há pelo menos um par de "remakes" em cartaz - "Mulheres" e "O Dia em Que a Terra Parou", este último já com 153. 332 espectadores em Portugal e 120 milhões de euros em todo o mundo -, os próximos tempos já cheiram a títulos requentados.
Em 2009 e 2010 devem entrar em produção ou estrear-se mais de duas dezenas de reinterpretações de filmes mais ou menos clássicos, mais ou menos bem sucedidos, mais ou menos de culto. Eis uns quantos: "Porky's". "Robocop". "Fame". "Pesadelo em Elm Street". "Os Goonies". "Os Pássaros". "Footloose". "Sexta-Feira 13". "39 Degraus". "Conan, o Bárbaro". "Em Busca da Esmeralda Perdida". "Hellraiser". "Poltergeist".
Hollywood tem a tendência de baralhar e voltar a dar e em tempos em que a principal receita de sucesso são os filmes sazonais (as comédias no-brainer de Verão e os filmes de Natal), a animação ou os "blockbusters" com base em adaptações de banda-desenhada, já só faltava uma vaga de "remakes".
Da comédia sexual "Porky's" ao conto de Daphne du Maurier que originou um dos mais icónicos filmes de Hitchcock, a indústria americana quer voltar a ver, talvez com um novo olhar, velhos filmes. O novo "Os Pássaros" devia estrear-se este ano, de acordo com o "Hollywood Reporter", mas entretanto já se fala em 2010 ou mesmo 2011 para o lançamento. Diz-se que será protagonizado por Naomi Watts e realizado por Martin Campbell ("Casino Royale", outro "remake") e tem como produtores Michael Bay, Andrew Form e Brad Fuller. Os últimos rumores dão conta da associação de George Clooney ao projecto.
Estão em preparação nos EUA produtos tão díspares como um novo "Corvo", com Stephen Norrington ("Blade", "Liga dos Cavalheiros Extraordinários") a tratar do argumento e da realização da história que matou Brandon Lee e que foi realizada por Alex Proyas, ou como uma reinvenção de "Eles Vivem!", pela Universal, e que terá John Carpenter... como produtor executivo.
Entre negociações para adquirir os direitos ou fases de pré-produção, há vários títulos que já estão muito adiantados, como é o caso de "Sexta-Feira 13", realizado por Marcus Nispel, cujo "trailer" já está "online". Outro título, como "Poltergeist", está entregue à MGM e a ser escrito por Stiles White e Juliet Snowden ("Boogeyman"). Quanto a "Em Busca da Esmeralda Perdida", a Twentieth Century Fox está a desenvolver a nova versão e já tem o argumentista Daniel McDermott ("Eagle Eye") a bordo, apesar de ainda não haver realizador nem elenco para tomar o lugar de Kathleen Turner e Michael Douglas. Wesley Strick vai escrever "Pesadelo em Elm Street" e Wes Anderson ("Rushmore", "Os Tenenbaums") está a rever "10 Dias Para Encontrar um Melhor Amigo", de Patrice Leconte (2006) para fazer um "My Best Friend". Martin Scorsese, por seu turno, vai sentar-se na cadeira de produtor para revisitar "High and Low" (1963), de Akira Kurosawa, e Darren Aronofsky ("Pi") vai realizar o "Robocop" do século XXI. Ah, e Robert Rodriguez já convidou Rose McGowan para o "remake" de "Red Sonja", originalmente protagonizado pelos pneumáticos Arnold Schwarzenegger e Brigitte Nielsen, e que vai ser realizado por Douglas Aarniokoski.
E como não há cinema sem rumores (o que seria do site Ain't It Cool News sem eles), fala-se ainda de que Steven Spielberg e Will Smith estão em conversações muito prévias para o "remake" de "Velho Amigo", de Chan Wook-Park. Também Russel Brand, o comediante britânico que entrou em "Um Belo Par de...Patins" e apresentou os MTV Awards deste ano, lançou uma declaração de intenções: está a trabalhar num "remake" de "Arthur, O Alegre Conquistador" (1981), o veículo americano do actor britânico Dudley Moore.
Outra notícia, desta feita confirmada, é que o "franchise" "Halloween", revisto por Rob Zombie, vai ter uma espécie de sequela do "remake", uma re-sequela, com "H2" e com o mesmo músico tornado realizador ao leme.
Nos últimos anos não têm faltado "remakes". De "Massacre no Texas" ao "Psico" de Gus van Sant, passando por um "Solaris" com George Clooney ou por "Você Tem uma Mensagem", a (re)visão na era da Internet do filme de 1940 de Ernst Lubitsch "Shop Around the Corner", alguns foram mais bem sucedidos do que outros em prestar tributo ou mesmo apagar as imagens dos seus originais. Alejandro Amenábar fez "Abre os Olhos" e depois veio "Vanilla Sky" para apagar o primeiro (e melhor) filme da memória dos espectadores mundiais mais distraídos.
Há vários factores que levam os estúdios a embarcar numa vaga de "remakes". Os pequenos grandes filmes "indie" estão em minoria, os estúdios independentes e o filão de Sundance já não é tão profícuo quanto era, pelo que é preciso criar uma segunda linha, nem "blockbuster", nem filme de prestígio, para alimentar o mercado.
É de facto mais rápido aprovar o refazer de um filme já conhecido, porque a ideia geral do produto já foi "testada". E, em alguns casos, os direitos sobre alguns dos títulos podem ser acessíveis. Noutros, há quem tente mesmo fazer-nos esquecer que existe um original - seria difícil com "Psico", mas o caso "Abre os Olhos"/"Vanilla Sky" mostra o que pode acontecer no sentido contrário.
Thomas Leitch, em "A Retórica do Remake", citado pelo "El Pais", defende que há quatro grandes tipos de "remake" (conforme a distância entre o produto original e o "remake", o factor data e se há ou não intenção de fazer um tributo) e cinco grandes estilos de espectador de um "remake", que variam consoante terem ou não visto o original e terem ou não gostado dele.
Mas quem determina, em última análise, o que é o "remake" são os realizadores e produtores, que normalmente desenham nos jornais aquilo que querem que se pense sobre os seus "novos" filmes. "Uma revisitação, uma reinvenção do original", dizia Zack Snyder, realizador do suspenso "Watchmen" sobre a sua incursão pelo mundo dos "zombies" com "O Renascer dos Mortos" (remake do filme de George Romero); "Não é um ‘remake', é um gémeo esquizofrénico do original", argumentava Van Sant sobre "Psico".

Musicando - Edições Para 2009

Trinta anos depois de terem tocado pela primeira vez nos Alunos de Apolo, em Lisboa, os Xutos & Pontapés preparam-se para festejar a efeméride com a edição de um novo álbum de originais, a sair no primeiro trimestre de 2009 pela Universal.
Tim, Zé Pedro, Kalu, João Cabeleira e Gui têm prevista uma festa para 13 de Janeiro, dia oficial das celebrações, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, onde revelarão os planos para festejar os trinta anos.
Ainda nas edições portuguesas, para 2009 estão previstos novos álbuns de Paulo Furtado, no projecto a solo The Legendary Tigerman e com a participação de várias cantoras, do rapper Boss AC e do grupo hip hop Expensive Soul.
Os Pop Dell´Arte, que já não editam um álbum de originais desde Sex Symbol (1995) e apesar de terem lançado alguns temas inéditos dispersos, deverão regressar em 2009 aos álbuns, que têm vindo a apresentar nos escassos concertos que programam.
João Branco Kyron, vocalista dos Hipnótica, lança o primeiro trabalho a solo em Fevereiro com O Maquinista, e os bracarenses Smix Smox Smux editam o álbum de estreia pela editora independente Amor Fúria.
Quem também prevê editar em 2009 o primeiro álbum é B Fachada, pela FlorCaveira, assim como os Dazkarieh e The Weatherman.
Luísa Amaro, que durante anos acompanhou o guitarrista Carlos Paredes, edita em Fevereiro o álbum Meditherranios com originais e composições do repertório clássico turco e oriental para guitarra portuguesa.
Os Da Weasel pretendem entrar em estúdio em 2009, possivelmente só depois do Verão, para gravar o sucessor de Amor, Escárnio e Maldizer, de 2007.
Quanto às edições internacionais, o destaque vai para a edição, em Janeiro, de Working on a dream, 16.º álbum de estúdio do músico norte-americano Bruce Springsteen com a E Street Band.

Entre os 12 temas do novo álbum contam-se Working On a Dream, que Bruce Springsteeen estreou num concerto de campanha por Barack Obama, e The Wrestler, do filme com o mesmo título e protagonizado por Mickey Rourke.
Para Março está aprazado o lançamento de No Line On The Horizon, dos U2, o primeiro que a banda de Bono edita desde How To Dismantle An Atomic Bomb, editado em 2004.
Gravado em várias cidades, de Fez a Dublin, a edição do álbum será acompanhada de uma digressão internacional. Este ano especulou-se sobre a realização de um concerto dos U2 no próximo Verão em Portugal, mas a banda ainda não anunciou qualquer data para a próxima tournée.
Os escoceses Franz Ferdinand editam em Janeiro o álbum de originais Tonight: Franz Ferdinand e os ingleses Depeche Mode, que actuam a 11 de Julho no Porto no Festival Super Bock Super Rock, prevêem editar novo álbum na Primavera.
A estes acrescentam-se ainda novos álbuns de nomes como o músico brasileiro Marcelo Camelo, The Prodigy e Antony and the Johnsons, que actuam em Maio em Portugal.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pensando - Barak Obama e as Religiões

Para pensar...


Filosofando - Steve Biko


Cinema - Milk

Acabei de ver "Milk" com o grande, o enorme, Sean Penn. Aqui fica o trailer e prometo que voltarei ao assunto em breve.


Do Meu Ipod (VIII)

The Smiths - Please Please Please
Janis Joplin - Mercedes Benz
Otis Redding - Dock Of The Bay
Cat Stevens - Moonshadow
Youssou N´Dour & Neneh Cherry - 7 Seconds
JJ Cale - Cocaine
La's - There She Goes
Lenny Kravitz - It Ain't Over 'Till It's Over
Marillion - Kayleigh
Sade - No Ordinary Love

sábado, 3 de janeiro de 2009

Teatrando - Fantasma da Ópera

Depois do sucesso de "O Fantasma da Ópera" - o espectáculo que está há mais tempo na Broadway e o mais lucrativo de todos os tempos -, o compositor Andrew Lloyd Weber anunciou que vai fazer uma sequela, "Phantom: Love Never Dies", e que a história se passa em Nova Iorque.
Estreia está marcada para o fim de 2009 em três cidades em simultâneo: no West End de Londres, na Broadway de Nova Iorque e numa cidade asiática cujo nome não foi ainda confirmado, mas calcula-se que essa cidade seja Xangai.
Weber já sabe quem vai ser o protagonista, mas não quis revelar o nome. Os possíveis candidatos são Gerard Butler, que fez o papel na adaptação cinematográfica de Joel Schumacher, e Hugh Jackman, o protagonista de "Austrália", de Baz Luhrmann.
Jack O'Brien ("Hairspray") vai dirigir a produção e Bob Crowley, que recebeu já cinco prémios Tony, vai desenhar os cenários.

Cinema - Inglorious Bastards

A última loucura de Quentin Tarantino, «Inglorious Bastards», protagonizado por Brad Pitt que assume o papel de um tenente do exército norte-americano, deverá chegar aos cinemas a 21 de Agosto. Trata-se de um remake de um filme de Enzo Castellari de 1978, «Quel Maledetto Treno Brindato».
Filmado na Alemanha, o filme decorre no final da Segunda Guerra Mundial, e acompanha um grupo de soldados norte-americanos que actua por trás das linhas nazis.
Conta com narração de Samuel L. Jackson, que já trabalhou por diversas vezes com o realizador; e com as participações de Diane Kruger, Eli Roth, Samm Levine, Christoph Waltz, Mélanie Laurent, entre outros.
O último filme que Tarantino relizou sózinho foi o segundo volume de «Kill Bill».

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Musicando - Motown

Mais um fantástico artigo da Ípsilon (Público) pela mão de Mário Lopes.

Smokey Robinson ou Holland-Dozier-Holland compunham, os Funk Brothers tocavam, as Supremes ou Marvin Gaye cantavam. Berry Gordy supervisionava tudo.
Berry Gordy queria enriquecer sem perder tempo e, para tal, tornou-se pugilista. Nascido em 1928, andou pelos ringues até 1950, quando foi incorporado no exército americano que combatia na Coreia.
Certo dia, descansando no ginásio, este sétimo de oito irmãos de uma destacada família da comunidade negra de Detroit, pousou o olhar sobre os cartazes afixados na parede, alguns anunciando combates, um deles promovendo um concurso de bandas. O contraste era evidente: "Pugilistas jovens que tinham 23 anos mas aparentavam 50, esmurrados e cicatrizados... e depois os músicos que tinham 50 mas pareciam ter 23", contou em entrevista ao "Los Angeles Times" na década de 1980. Abandonou os ringues. E enriqueceu rápido, mas não como músico. Como homem que teve uma visão e a concretizou meticulosamente. Como fundador da Motown, a editora que moldou a música americana da década de 1960, a editora que definiu o presente e traçou o futuro da soul, a casa de Marvin Gaye, Stevie Wonder, Temptations, Smokey Robinson & The Miracles, Supremes, Jackson 5 ou Martha & The Vandellas. O seu slogan, "The sound of young America" (o som da América jovem), apontava a uma geração para quem a segregação racial era violência sem sentido.
Retrospectivamente, é classificada como a editora que levou a música negra ao público branco, mas essa é apenas parte de uma história iniciada em Janeiro de 1959, quando Berry Gordy contrai junto de familiares um empréstimo de 800 dólares.
Nos anos anteriores, trabalhara como compositor e tinha conseguido algum sucesso. Em 1957 "Reet petite", co-composta com a irmã Gwen e cantada por Jackie Wilson, tornou-se um êxito local. Em 1958, Wilson passou de estrela local a nacional ao ver "Lonely Teardrops", outra co-composição de Gordy, ascender ao topo da tabela de vendas r&b e, mais importante, escalar ao Top 10 da de pop. A Gordy, contudo, faltava enriquecer.
Uma discussão sobre a divisão dos direitos autorais leva-o a abandonar a colaboração com Jackie Wilson. Um conselho de Smokey Robinson fê-lo dar o passo seguinte. Aquele que era o seu braço direito aconselhou-o a queimar etapas. Ou seja, compor, gravar, produzir e editar. Em resumo, criar uma editora -essa que nomeou primeiro Tamla, que rebaptizou Motown pouco depois e cujos 50 anos de existência, que se cumprem em Janeiro, começaram já a ser celebrados com a edição de um CD triplo composto pelas melhores 50 canções da sua história, segundo votação do público ("Motown 50"), e "best ofs", igualmente triplos, de Marvin Gaye ou Michael Jackson.

A linha de montagem

Nos anos 1920 e 1930, Detroit ultrapassou Chicago como o destino das famílias negras que, vindas do sul rural e conservador, procuravam melhores condições de vida a norte. Detroit, grande centro industrial desde que Henry Ford ali instalara, em 1913, a primeira linha de montagem de automóveis, oferecia possibilidade de ascensão social. Tal contexto é indissociável da Motown. A ideia de Gordy passava pelo reunir de uma equipa coesa de músicos, compositores, cantores e produtores. A estética, como recordou Smokey Robinson ao diário "Guardian" em Novembro, ficou definida à primeira reunião: "Não vamos fazer música negra, vamos fazer música do mundo, vamos fazer música para toda a gente. Vamos fazer óptima música, vamos ter óptimas histórias, fazer grandes batidas". Ou seja, ambicionava-se aplicar o esquema de Henry Ford à produção musical. Criar uma linha de montagem de êxitos.
O primeiro, que chegou em Junho de 1959 pela voz de Barrett Strong, revelava sem pudor a motivação principal de Berry Gordy: "Give me money, that's what I want".
Não foi porém o sucesso comercial que transformou a Motown numa editora fulcral na história da música urbana. Gordy queria dinheiro, mas acreditava que ele só chegaria através de trabalho árduo e de uma excelência a todos os níveis.
Aos lendários Funk Brothers, a banda residente formada por nomes como o guitarrista Danny Coffey, o baixista James Jamerson, o teclista Earl Van Dyke, o percussionista Eddie "Bongo" Brown ou o baterista Richard "Pistol" Steve, era imposto um intenso regime de gravação. Nas manhãs, passadas nos estúdios da editora, que um painel à entrada nomeava "Hitsville, USA", havia que aprender, ensaiar e gravar novas canções, à cadência de uma por hora. As tardes eram ocupadas a trabalhar em novos sons e a ajudar os compositores a dar corpo às suas ideias.
Exercia-se um férreo "controlo de qualidade", com futuros clássicos como "I heard it through the grapevine", de Marvin Gaye, a serem recusados e devolvidos à sala de ensaios. Para passar esse crivo, tinham de ser cumpridos dois requisitos. A canção teria que ser comparada com o top 5 da semana anterior e passar o teste.
Igualmente importante, teria que se enquadrar numa estética aprimorada, aquilo que ainda hoje conhecemos como "o som Motown". Começava no que os produtores chamavam "o princípio Kiss" ("keep it simple, stupid") e acabava nisto: um concentrado de batida soul e melodias pop, de gospel e balanço r&b, engrandecidos por uma produção majestosa onde se conjugavam orquestra e metais, onde se ouviam coros cuidadosamente elaborados e, em sintonia com a "wall of sound" de Phil Spector, a sobreposição de instrumentos (duas baterias, diversas guitarras).
Durante a década de 1960, nenhuma outra editora concentrou em si tamanha dose de talento e popularidade (110 entradas no top 10 de singles entre 1961 e 1971).
Smokey Robinson ou Holland-Dozier-Holland, a mítica tripla formada por Lamont Dozier e pelos irmãos Brian e Edward Holland, alimentavam a linha de montagem com canções como "Reach out (I'll be there)" ou "Stop! In the name of love". Os Funk Brothers transformavam-nas em realidade sónica e os Temptations, os Four Tops, Tami Terrel ou Kim Weston levavamnas para as ruas.
Nos bastidores, Berry Gordy actuava como orquestrador supremo. Foi o primeiro a reunir vários nomes de uma mesma editora para digressões conjuntas, forma de aumentar a popularidade da Motown e permitir aos novos talentos ganhar traquejo. A todos eles, por considerar que representavam a comunidade negra perante a América e que, como tal, deviam ser alvo de orgulho, exigia que se comportassem como uma nova forma de realeza: por isso, jovens como Stevie Wonder ou mais jovens ainda como Michael Jackson, a voz precoce dos Jackson 5, eram acompanhados por equipas de estilistas ou aconselhados quanto à etiqueta a cumprir nos diversos contextos.
or outro lado, em tempos de marchas pelos direitos civis e de violentos motins, como o que se viveu em Detroit, às portas da Motown, em 1967, era recusado qualquer tipo de comprometimento político que pudesse prejudicar financeiramente a empresa.

A emancipação criativa

Gerida com mão rígida, com a liberdade artística subjugada ao bom funcionamento da linha de montagem, a Motown era ainda assim uma "meritocracia". Por isso mesmo, duas antigas secretárias da editora transformaram-se em estrelas maiores -falamos de Diana Ross, a cara das Supremes, e de Martha Reeves, cantora de "Dancing in the street" e líder das Vandellas. O mesmo percurso ascendente protagonizou Marvin Gaye, que entrou para a editora como baterista (era o quarto na hierarquia do estúdio) e que se ergueria, a par de Diana Ross, a nome maior da Motown. Curiosamente, seria também, no início da década de 1970, um dos responsáveis pelo desmantelamento da "fábrica" enquanto unidade coesa.
Os primeiros sinais de mudança surgiram quando Berry Gordy entrou numa reunião empunhando um álbum de Sly & The Family Stone, banda que causava furor com uma inaudita fusão de funk, soul, rock'n'roll e psicadelismo. "Isto é o que está a acontecer", terá exclamado. A Motown, "o som da América jovem", teria que o acompanhar.
Com Lamont-Dozier-Holland fora de cena desde 1968, ano em que não viram satisfeitas as pretensões a uma maior fatia de royalties, Norman Whitfield, génio instintivo, tornou-se a figura fulcral na definição do novo som Motown. Fã dos Funkadelic, percebia o psicadelismo e guiou até ele o Edwin Starr de "War", manifesto em plena Guerra do Vietname, e os Temptations de "Cloud Nine" ou "Psychedelic Shack", obras-primas definidoras de uma nova soul.
A Motown mudava e transformarse-ia definitivamente quando, em 1971, Marvin Gaye quebra o rígido controlo imposto por Gordy. Em total liberdade criativa gravou "What's Going On", álbum maior na história da música popular e um imenso sucesso de vendas.
A brecha estava aberta. Nos anos seguintes, Stevie Wonder atinge a maioridade e pede também a emancipação -inicia uma memorável sequência de álbuns ("Talking Book", "Innervisions", "Fulfillingness' First Finale"). Os Temptations tornam-se cada vez mais políticos, adoptando o "sing it loud/ I'm black and I'm proud" de James Brown e dos Black Panthers, e Michael Jackson começa o seu processo de amadurecimento.
A Motown continuou a coleccionar êxitos, mas deixou de ser maior que os artistas que albergava. Tudo mudara. Em 1972, Berry Gordy, ambicionando expandir a editora ao cinema, transfere-lhe a sede para Los Angeles. Dividida entre a produção de séries de televisão, filmes como "Lady Sings The Blues" (biopic de Billie Holiday com Diana Ross) ou "The Wiz" (adaptação d'"O Feiticeiro de Oz") e a edição musical (na segunda metada da década de 1970, os Commodores de Lionel Richie emergiram com grande sucesso), vai perdendo influência e liquidez. Em 1988, a acumulação de prejuízos leva Berry Gordy a vende-la à MCA.
Actualmente, a Motown pertence à Universal Music e tem no seu catálogo nomes como Erykah Badhu ou Q-Tip. À beira de cumprir 50 anos, temo-la novamente a ditar o presente -ouvir Amy Winehouse e Duffy é rever a história do período áureo da Motown. À beira de cumprir 50 anos, temos por certo que, sem ela, a história da música popular urbana não seria a mesma e conjecturamos que, provavelmente, a desta América que elegeu Barack Obama também não.
Feito notável. Afinal, falamos de uma empresa fundado com um propósito demasiado básico para aquilo que atingiu: Enriquecer rapidamente.