quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Teatrando - Jô Soares

O humorista Jô Soares afirmou ontem que irá viver Fernando Pessoa no palco do Villaret, em Lisboa, e não dizer a sua poesia.

Jô Soares falava na Casa Fernando Pessoa num encontro com a imprensa e admiradores, a propósito do espectáculo "Remix em Pessoa" que estará em cena no Teatro Villaret de 29 a 31 de Janeiro e de 03 a 07 de Fevereiro.

O espectáculo, com direcção de Bete Coelho e música de Billy Forghieri, partiu de um CD homónimo, em que o humorista diz poemas de Fernando Pessoa com a música de Forghieri como fundo.

Hoje em Lisboa, Jô Soares advertiu que o espectáculo "é diferente e integra mais poemas. Noventa por cento do espectáculo é de poemas de Álvaro de Campos [heterónimo de Pessoa] por ser mais niilista, o que é uma forma de humor".

"No palco sinto-me vivendo um personagem que podia ser irmão do Álvaro de Campos", adiantou o humorista que referiu que o cenário "é simples, sendo projectadas imagens de Pessoa".

Jô Soares usará "um terno preto e um chapéu, uma indumentária muito próxima da do poeta", escolhida por "mero acaso, sem saber".

O actor não fugiu à questão do Acordo Ortográfico, já ratificado por Portugal e Brasil, e afirmou que prefere "ler português em Portugal e literatura brasileira em brasileiro".

"Não adianta a unificação da língua porque somos ligados por uma língua diferente", disse, justificando: "[nós brasileiros] falamos um português que já foi corrente em Portugal".

"O português que se fala aqui [em Portugal] é mais moderno que o brasileiro que tem raízes seiscentistas".

Voltando a Fernando Pessoa, Jô Soares afirmou que a frase do poeta da "Mensagem" que o marca é "Malhas que o Império tece" do poema "O menino de sua mãe".

"Esta frase é uma análise da história do mundo. Vale na época de Pessoa, da guerra em África, na Indochina, na I Guerra, na II Guerra, e vale hoje", explicou.

"Engloba a história do mundo perfeitamente. Pode-se hoje mandar o soldadinho para Angola ou para o Iraque, só os impérios mudam", acrescentou.

Fernando Pessoa é, segundo Soares, o poeta português mais conhecido no Brasil e sem paralelo com qualquer outro, nomeadamente os contemporâneos, e Sophia de Melo Breyner Andresen "é razoavelmente conhecida e lida".

O facto de se apresentar num teatro construído por iniciativa de Raul Solnado, de quem foi amigo, levou Jô Soares a desfiar na conversa várias recordações com o actor falecido no ano passado, e por quem afirmou ter uma enorme estima e admiração, assim como por outros portugueses.

Jô Soares afirmou que no dia 26 de Abril de 1974 Raul Solnado lhe telefonou e disse: "Jô, agora posso gritar na rua que sou socialista e não vou preso".

Nicolau Breyner que lhe foi apresentado por Solnado em 1979, quando Jô Soares se deslocou pela primeira vez a Portugal para animar um Carnaval no Algarve, foi referenciado pelo humorista como "um irmão vitelino".

Sobre Nicolau afirmou textualmente: "Esse cabrãozinho de merda está tão dentro da minha cabeça que é como um irmão vitelino".

A conversa aberta ao público em geral divergiu para o programa do humorista na TV Globo, transmitido em Portugal por cabo.

Entre as várias curiosidades, Jô Soares satisfez uma: a caneca que usa no programa ora tem água, refrigerante 'light', chá que "detesta", ou "sopinha quente".

Jô Soares realçou ainda que a sua faceta de humorista, apesar de ter exercido jornalismo no jornal Folha de São Paulo e na revista Veja, lhe permite algumas "irreverências" sem que o convidado se sinta desconfortável.

Jô Soares que há quatro anos não vinha Portugal não tem "vontade de ver nada de especial", disse. Reflectindo, corrigiu: "talvez tenha a sorte de ver um troço do Benfica a jogar".

Lusa/Nuno Morna

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Musicando - Legendary Tiger Man

Legendary Tigerman elogiado em blogue influente

«Femina» de Legendary Tiger Man, foi elogiado no blogue britânico Next Big Thing, da autoria do jornalista Lindsay Hutton.
Hutton refere-se ao «minimalismo sofisticado» de «Femina» e à «simplicidade devastadora» de «Lonesome Town», cujo vídeo foi entretanto colocado no blogue. É também afirmado que «Femina» facilmente faria parte do universo de David Lynch e que é um disco mais divertido do que uma caixa inteira dos White Stripes.

Aqui fica o que por lá se pode ler em inglês:

I’m pretty sure that this guy needs no introduction but this project opens up the blues gash and pairs him up with various femme fatales. Imagine Mark Ronson if he had any sense of undulatory gratification. A sleaze noir concept that combines The Cramps stripped down sensibilities with a Rev/Vega/Stereo Total take on Nancy and Lee variations with a couple of shots of Porter Wagoner. The dark side of Dean and Britta.

The Legendary Tigerman is the alter ego of Paulo Furtado and “Femina” (Metronomo/Discos Tigre) is sophisticated minimalism. The visual aspect is captured on a companion dvd with super 8 clips punctuating the ooze and throb of the music. There’s a lot of smoking and I thought a lot about the juxtaposition of how David Lynch shoots cigarettes and how the remake of Gun Crazy carried a certification warning that it showed people smoking. The smoke itself seems to be some kind of metaphor for the way that the music threatens the convention of the typical “one-man band”.

The version of “Lonesome Town” with Rita Redshoes, another Portuguese artist is devastating in its simplicity. This could easily feature in Lynchland somewhere down the road. The streets may be filled with regret but this is really something. It’s like what you read that a Nick Cave record is like but never delivers. “Radio and TV Blues” is “TV Set” turned upside down and inside to be filtered though “Jukebox Babe”. Together with Asia Argento, he’s invented a new genre in argent(o)tronica. A virulent sonic mutant analog virus that should tickle any Nico heads out there.

Also conspiring with Paulo is Lisa K (Bellrays), Peaches, Phoebe Killdeer and Becky Lee plus other game ladies. “Femina” deserves to be bigger than that Moby record that was licensed every which way all over the world. It’s a modern sounding record that bonds the past, present and future of twisting the mainstream. And those accents, well those make it doubly exotic, especially Claudia Efe’s performance on “Light Me Up Twice”. Closing with a bizarro world George Formby uke twang take on Daniel J’s “True Love Will Find You In The End”. There’s a strange twinge of hope that’s akin to lighting a paper boat and sending it out.

Cave and Minogue this ain’t. Want to hear something that’s more fun than a whole case of White Stripe(s)? Get in touch with your “Femina” side. Spring for the deluxe edition.

Musicando - 'Madeira Clássico' toca Haydn

Escreve Luís Rocha no DN/Madeira de hoje:

Dois quartetos de Franz Joseph Haydn (compositor austríaco precisamente considerado o 'pai' do quarteto de cordas) serão tocados pelo 'Madeira Clássico', um agrupamento de música de câmara criado no seio da Orquestra Clássica da Madeira (OCM), na próxima sexta-feira, dia 29 do corrente mês de Janeiro. O evento realizar-se-á no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, pelas 21 horas.

Formado por Svitlana Taraban e Adéla Hýskova nos violinos, por Trennedy Maggiorani na viola d'arco e por Mikolaj Lewkowicz no violoncelo, este ensemble reúne músicos provenientes de diferentes escolas internacionais, que se propõe interpretar com uma "intimidade ecléctica" que as obras que se propõe tocar.

Neste caso, são elas o Quarteto em Fá Maior, Op. 3 nº 5, e o Quarteto nº 68 em Ré menor, Op. 103, 'Inacabado'.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Cinema - Alice

in Ípsilon:


O muito aguardado filme estreia a 4 de Março nas salas portuguesas e, enquanto não chega, vamo-nos saciando com detalhes. Como a banda sonora

Vimos o trailer e já nos entusiasmámos com a perversidade "camp" do Chapeleiro Louco de Johnny Depp, com a Rainha de Copas de Helena Bonham-Carter e com aquilo que, às mãos de Tim Burton, parece vir a ser uma nunca antes tão perturbadora "Alice no País das Maravilhas".

O muito aguardado filme estreia a 4 de Março nas salas portuguesas e, enquanto não chega, vamo-nos saciando com detalhes. Como a banda sonora, que o histórico colaborador de Burton, Danny Elfman, partilha com um caldeirão de bandas agora revelado - e no mínimo surpreendente.

Domina aquela espécie de punk para adolescente trautear, como o dos All-American Rejects ("The poison"), o da colaboração entre Mark "Blink 182" Hoppus e Pete "Fall Out Boy" Wentz ("In transit") ou o dos Plain White T's ("Welcome to mistery"). Também há pitadas de gótico adulto na cabeleira de Robert Smith ("Very good advice"), um traço de eyeliner preto via Avril Lavigne ("Alice (Underground)") e um grupo de personagens que, fossem contemporâneas de Lewis Carroll, poderiam ter integrado a galeria de figuras bizarras com que o autor inglês povoou o País das Maravilhas: sim, os Tokyo Hotel também marcam presença, acompanhados por Kerli, com "Strange".

Fugindo ao padrão, temos os Franz Ferdinand ou os Wolfmother. Isto, claro, sem esquecer aquele clássico impossível de ignorar: "White rabbit", dos Jefferson Airplane, foi regravado por Grace Potter And The Nocturnals.

Lendo - Luis Sepúlveda

«História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar», do chileno Luis Sepúlveda, será apresentado no próximo dia 6 de Fevereiro, numa edição ilustrada da Porto Editora. A obra, incluída no Plano Nacional de Leitura, já vendeu 150 mil exemplares no nosso país. A apresentação, na FNAC do CC Vasco da Gama, em Lisboa (16h00), contará com um espectáculo de marionetas alusivo à obra, da autoria da Companhia Teatro e Marionetas de Mandrágora.

«´História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar´ conta a história de Zorbas, um gato grande, preto e gordo. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr. Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que nesse momento dramático lhe é obrigado a fazer: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota…
Com a graça de uma fábula e a força de uma parábola, Luis Sepúlveda oferece-nos neste seu livro já clássico uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético» .

Dançando - Dançando com a Diferença

Lê-se no DN/Madeira de hoje pela pena de Paula Henriques:

O Dançando com a Diferença vai repor o espectáculo 'Romeu e Julieta' no final de Abril no Centro das Artes, na Calheta. O trabalho, assinado por Arthur Pita, estreou em 23 de Outubro e esteve três dias em cartaz, sempre com lotação esgotada. A produção, baseada no clássico de William Shakespeare, volta agora a 29 e 30 de Abril e 1 e 2 de Maio ao espaço de residência do grupo madeirense, com as duas primeiras sessões para as escolas e os duas últimas para o público em geral (a sessão do dia 29 vai depender da adesão das instituições de ensino).

Arthur Pita, que está agora a produzir na Inglaterra uma coreografia inspirada na Madeira intitulada 'God's Garden', adaptou o clássico a uma era contemporânea, com duas famílias rivais, produtoras de vinho e a 'Julieta' em cadeira de rodas. O trabalho já suscitou o interesse de vários espaços, sendo os custos das deslocações o único entrave. Em Fevereiro, o grupo vai realizar alguns contactos em Londres com vista a levar esta coreografia aos palcos ingleses, adiantou Henrique Amoedo.

De acordo com o responsável, 2010é um ano para dedicar à formação dos bailarinos, não estando previstas novas produções. "A formação para eles agora é muito importante. Já tiveram muitas experiências diferentes nestes anos todos, com diferentes coreógrafos, diferentes palcos, diferente tudo. Este é um momento de parar para arrumar a casa", justificou Henrique Amoedo ao DIÁRIO, acrescentando que o plano não é deixar os palcos, mas munir os bailarinos de novas ferramentas que facilitem o crescimento: "Não deixamos de dançar, de fazer o que há e assumir os compromissos. Vamos é ter uma base para que a partir dessa base, que vai ser criada este ano, possamos dar um salto para fazer outras coisas mais ambiciosas e mais exigentes tecnicamente". O cruzamento com outros profissionais, também é um dos objectivos de Henrique Amoedo.

O responsável pelo grupo desde a criação, em 2001, admite que o grupo precisa mesmo da paragem, que será benéfica também para os grupos secundários, uma vez que vai estar mais disponível para trabalhar com eles.

Para já vão continuar a ter aulas três vezes por semana: uma com Vanessa Amaral, uma com Henrique Amoedo e outra com Juliana Andrade, para aumentar os conteúdos e para poder libertar o director artístico para acompanhar os outros grupos.

É que a aposta na formação é válida tanto para o grupo principal da Associação dos Amigos da Arte Inclusiva - Dançando com a Diferença, como para outros, nomeadamente o Grupo Sénior, o Grupo Júnior e o Dançando com a Diferença 2, que Henrique Amoedo está neste momento a criar.

Dançando procura pessoas com limitações

A Associação dos Amigos da Arte Inclusiva - Dançando com a Diferença está à procura de pessoas com limitações físicas para o Dançando com a Diferença 2, um grupo secundário que vai formar bailarinos para o grupo principal. Até ao momento as inscrições reuniram mais de uma dezena de pessoas, mas nenhuma portadora de deficiência, contou Henrique Amoedo, que ia contactar a Associação Portuguesa de Deficientes na esperança de encontrar pessoas, sobretudo com dificuldades motoras, para o projecto.

O objectivo deste segundo núcleo é preparar no espaço de um ano lectivo os novos elementos. Mas nem todos chegam ao grupo principal: "Aqueles que, ao final deste ano de actividades, ainda não reunirem todas as qualidades estético-artísticas necessárias para integrar o GDD, no mínimo, ganharão com o processo de formação, que pode ser estendido se houver necessidade", disse.

Até quarta decorrem as pré-inscrições. Neste dia começam as entrevistas e no dia 1 de Fevereiro serão divulgados os resultados. Para já, o grupo de candidatos, que idealmente seria metade com e outra metade sem limitações, tem idades entre os 20 e os 30 anos e não têm experiência em dança. Os menores serão seleccionados do Grupo Júnior, acrescentou.

Inicialmente está previsto que as aulas decorram às sextas, das 17 horas às 18h30. No entanto o horário poderá ser ajustado.

A mensalidade custa 20 euros ou metade deste valor para os sócios da Associação. Informações e o formulário de pré-inscrição através do email geral@aaaidd.com ou do telefone 291 752 157.

O calendário contempla no dia 3 e 8 de Fevereiro a mostra e discussão de vídeos e no dia 26 do próximo mês a aula inaugural.

Paula Henriques

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Facebook

A partir de agora também no Facebook e com nova dinâmica...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Expondo - Watercolors

W A T E R C O L O R S
P A T R I C I A M O R R I S
inaugura 6ªF | 11 DEZEMBRO | 18h30
opening friday 11 December 2009 at 6:30pm

patente até 15 JANEIRO | 2010

until 15th Jan 2010

mouraria galeria de arte : : rua da mouraria, 38 : : 9000-047 funchal
mouraria@netmadeira.com : : tel/fax (+351) 291 235385 : : www.galeriamouraria.com

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ouvindo - Ary dos Santos

A obra poética de José Carlos Ary dos Santos, falecido há 25 anos, é revistada pelas cantoras Luanda Cozetti, Mafalda Arnauth, Susana Félix, e Viviane, num CD intitulado Rua da Saudade que é hoje posto à venda.

Editado pela Farol, o CD reúne canções com letras como Canção de Madrugar, Estrela da Tarde, Retalhos, Cavalo a Solta, com novos arranjos musicais de Renato Júnior.

Esta nova «roupagem musical» de Renato Júnior passa pela música pop, fado, jazz e bossa nova.

O título do álbum remete para a rua onde o poeta viveu durante mais tempo, na zona do Castelo, em Lisboa.

As letras de Ary dos Santos escolhidas para este álbum foram musicadas por Fernando Tordo, Nuno Nazareth Fernandes e Tozé Brito.

As canções agora editadas em CD foram cantas pela primeira vez por Tordo, Carlos do Carmo e Hugo Maia de Loureiro.

José Carlos Ary dos Santos, como letrista, venceu vários Festivais RTP da Canção, designadamente com os temas Desfolhada portuguesa, Tourada, e Menina do alto da serra.

Amália Rodrigues também se encontra entre os interpretes que cantaram os seus textos.

Aos 14 anos a família de Ary editou-lhe o primeiro livro de poemas, mas a estreia literária efectiva deu-se em 1963 quando publicou A liturgia do sangue.

Criativo publicitário, Ary dos Santos inscreveu-se em 1969 clandestinamente no Partido Comunista Português, tendo escrito também para o teatro revista.

Os seus poemas encontram-se reunidos em várias colectâneas, designadamente uma que deixou preparada, As palavras das cantigas, prefaciada pela escritora Natália Correia. José Carlos Ary dos Santos morreu em 1984, aos 46 anos.

Lusa

Curtas e Boas

PUBLICO.PT - Guimarães acolhe constelação de estrelas

Cinema - Full House

Estreou ontem, na Galeria Mouraria, a curta-metragem 100% madeirense "Full House - Mutha Facker".

Salvador é uma pessoa calma e com tudo planeado na sua vida mas quando se vê confrontado pela sua mulher sobre o seu vício decide fazer a única coisa que lhe faz "sentir" vivo, o poker.
No entanto é apanhado desprevenido num jogo que não é do seu domínio, não havendo fuga possível.

Esta curta pode ser vista na Galeria Mouraria até ao próximo dia 9 de Dezembro!


Ficha Técnica

Titulo: Full House

Realizadores: Rui Rodrigues e Bruce Paulino da Silva

Produção: Marta León

Argumento: Rui Rodrigues

Animação: Roger Silva e Bruce Paulino da Silva

Actores: João Ricardo Aguiar, Nuno Morna, Maria de Jesus Rocha, Gonçalo Silva, Sandra Cardoso

Apresentado por: Die4Films

Duração: 16 min.

Aniversário

Só agora me apercebi que este Blogue faz hoje anos. São dois aninhos.
Parabéns para mim!!!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Musicando - Os Quais

O escritor Jacinto Lucas Pires e o pintor Tomás Cunha Ferreira conheceram-se há cerca de duas décadas. Os gostos comuns pelos diversos aspectos da arte, leva-os, de vez em quando, a juntarem-se em espectáculos de música de qualidade.

É o caso da apresentação do musical ‘Os Quais’, sexta--feira, dia 13, às 21h30, no CAPa- Centro de Artes Performativas, em Faro.

Lucas Pires será a voz e a guitarra eléctrica deste duo, que não quer ser apresentado como um dueto e muito menos como um projecto.

Lucas Pires será acompanhado por Tomás Cunha Ferreira em omnichord e violão. A voz e pianet T de Madalena Sassetti completa o elenco do programa do espectáculo.

Jacinto Lucas Pires tem vários livros publicados. ‘Azul turquesa’ (ficção 1998), ‘Livro usado’ (viagem ao Japão 2001), ‘Perfeitos milagres’ (romance 2007), ‘Assobiar em público’ (contos 2008). Realizou duas curtas-metragens e escreve teatro para diversos grupos e encenadores.

Tomás Cunha Ferreira é pintor e expõe regularmente desde 2000. Actualmente, é professor de Pintura, Desenho e Comunicação social na Universidade de Évora.


Navegando - Blablart.com

Um site online dedicado à arte contemporânea, Blablart.com, acaba de ser criado para dar acesso a 10 mil museus e galerias de todo o mundo e promover a informação e comunicação na comunidade e o público interessado.

Os fundadores do projecto são três: a jornalista portuguesa Maria Manuel Stocker, a curadora madrilena Helena Tatay e o «web master» catalão Alberto Lucas, que apostaram em construir «um site útil e actual», com informação sobre o sector proveniente de uma centena de países.

Maria Manuel Stoker justificou que esta iniciativa resultou da constatação de que «não havia um único site na internet onde fosse possível visitar o mundo da arte contemporânea na sua globalidade».

«Há muitos sites de arte contemporânea mas estão orientados por zonas geográficas, ou com um grande foco nos dois lados do Atlântico - Londres, Nova Yorque, Paris - ou então concentrados apenas no mercado americano», observou.

Maria Manuel Stocker comentou que «todo o desenvolvimento do mercado da arte contemporânea na Índia, China, Coreia, Japão, Austrália, Brasil e Médio Oriente não tem grande repercusão nos sites existentes, que se concentram em divulgar apenas as grandes galerias internacionais com representação em Deli ou em Pequim». Verificada esta «falha de informação organizada» no sector da arte contemporânea, o grupo procurou soluções que conjugassem simplicidade e, ao mesmo tempo, «um máximo de interactividade entre os utentes e o uso das tecnologias de imagem sofisticadas, dado que a imagem é fundamental na arte».

O grupo decidiu criar o Blablart.com - de acesso gratuito para quem nele se inscreva - que permitisse «a qualquer pessoa visitar as galerias e museus do mundo sem sair do sofá, e com poucos cliques». É dirigido sobretudo a profissionais da arte, galeristas, curadores, artistas, que poderão comunicar entre si dentro da plataforma e dar conhecimento à comunidade global das suas exposições, eventos e obras.

O Blablart é composto por um directório (intitulado «The Art World») com museus e galerias de cerca de uma centena de países, que demorou dois anos a criar. Contém ainda uma rede de comunicação («Who´s On») entre todas as galerias e museus que fazem parte do directório, mas também aberta a artistas, coleccionadores ou qualquer pessoa interessada em arte.

O «Talk Art» está aberto a quem quiser debater a arte contemporânea online, em qualquer línguia, tal com o site, que tem a possibilidade de ler lido em tradução Google em dezenas de idiomas. A primeira página do Blabart tem também uma secção de notícias actualizadas regularmente que cobre galerias, museus, colecções e também artes performatiivas.

Maria Manuel Stocker considera que o sector da arte contemporânea pode beneficiar da forma como o sítio está organizado, «dado o crescimento global do mercado e o interesse também óbvio do público pela cultura».

«O Blablart permite a alguém no sul da Índia visitar os museus do Canadá, as colecções brasileiras ou as galerias de Berlim, sem ter que as procurar uma a uma em sites díspares», exemplificou.

Segundo a jornalista portuguesa, o projecto começou sem financiamento, mas no ano passado a empresa Energies Nouvelles deu um apoio à execução e o site foi concretizado.

Actualmente, o grupo procura patrocínios e publicidade de empresas e serviços desde as energias limpas às seguradoras ou telecomunicações e empresas ligadas ao turismo, «com mais vocação para se anunciarem nas páginas das cidades».

Lusa

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lançando - Lourdes Castro

(clicar sobre a imagem para ver maior)

Filmando - Nelson Camacho

Novo vídeo de Nelson Camacho para a DDiarte..

Musicando - João Aguardela

Escreve Mário Lopes na Ípsilon:

Tudo começou com um vinil de Giacometti. Por causa dele, João Aguardela criou o Megafone: quatro álbuns em que procurou levar até às últimas consequências a sua obsessão com a música tradicional. Aguardela morreu em Janeiro, a associação Megafone 5 perpetua a obra. Dia 4, há festa de homenagem no CCB.

Ele cantava coisas como "o meu bairro é festivo / o meu bairro é alegre / o meu bairro é Portugal". Lembram-se certamente. Os anos 1990 ali no início e João Aguardela, nos Sitiados, a atirar fados e música popular rock dentro, a pôr o pessoal a exercitar o mosh com canções sobre marinheiros, a comentar a actualidade social com letra que parecia retirada do cancioneiro popular: "Na cabana do pai Tomás / toda a moça prendada / ainda que casada / rebolava naqueles sofás" - e eis como o badalado caso Taveira se transformava em folhetim rural de escândalos e coscuvilhices.

Nos Sitiados primeiro, depois na Linha da Frente, o projecto em que, com Luís Varatojo, reuniu músicos e cantores para dar novo enquadramento a poetas portugueses, e depois ainda, prosseguindo com Varatojo, n'A Naifa, onde o fado se reveste de sons e de versos de agora, João Aguardela sempre procurou isto: o português que existe na música portuguesa, um ponto de contacto entre o que existe hoje e aquilo que somos há, pelo menos, uns bons pares de séculos.

Nos Sitiados, nos Linha da Frente e n'A Naifa fê-lo de forma bastante visível - erguido a estrela pop nos primeiros, destacado "ideólogo", compositor e letrista nos últimos. Entre uns e outros, contudo, existe uma outra coisa. Pessoal e definitivamente transmissível. Um espaço mais íntimo, um veículo onde levou "até às últimas consequências" a sua obsessão com a música tradicional. Chamou-lhe Megafone: quatro álbuns, editados entre 1997 e 2006, em que as recolhas de Michel Giacometti e José Alberto Sardinha se cobriam de ritmos house ou drum'n'bass, se adaptavam a teclados fervilhantes e dançavam entre acordeões e vibrafones. Neles, Aguardela desmistificou uma visão folclórica da tradição e, com carinho iconoclasta, retirou-a da sua veneranda clausura.

Aguardela dizia que o trajecto de Megafone se completaria com o quinto álbum. Tinha um em falta quando morreu, aos 39 anos, a 18 de Janeiro de 2009. Mas haverá um Megafone 5. Ou melhor, já existe um Megafone 5. É um site (www.aguardela.com) de homenagem a João Aguardela, com material biográfico e recolhas de imprensa, em que estão disponíveis para download gratuito os quatro álbuns do projecto. É, também, a força motriz dos Prémios Megafone que, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores, distinguirão anualmente um músico ou uma banda (Prémio Megafone Música) e uma "entidade não musical" (Prémio Megafone Missão).

Os prémios serão apresentados na próxima quarta-feira, 4 de Novembro, no Centro Cultural de Belém. Dia de festa. A partir das 21h, sobem ao palco do Grande Auditório A Naifa, Gaiteiros de Lisboa, Dead Combo e O'queStrada. A homenagem, neste caso, é tê-los juntos num concerto: "É um grupo de pessoas que o João gostaria de ver reunidas numa noite", diz-nos Sandra Baptista, companheira de Aguardela, acordeonista dos Sitiados. "Não sabemos o que fará cada uma das bandas", acrescenta Luís Varatojo. "Nada foi imposto. Achamos, e o João também achava, que aquilo que fazem já é Megafone". "Música para uma nova tradição", diria ele - mote perfeito, portanto, para aquilo que evoca o concerto, para aquilo que se ouve na música deste Megafone que urge (re)descobrir.

"Sentia-se ridículo a tocar um blues"

Tudo começou com um disco de vinil de Michel Giacometti comprado na Feira da Ladra: "Alentejo: Música Instrumental e Vocal". O interesse de João Aguardela pela música tradicional não começou ali, mas foi ali, diríamos, que nela se embrenhou definitivamente. "Quando entrou no mundo tradicional, mergulhou completamente numa portugalidade com que até então não tinha tido contacto", recorda Sandra Baptista. "Tornou-se quase um vício", continua: "Ficou viciado em ouvir e em perceber como transportar aquilo que ouvia para os dias de hoje". Luís Varatojo vai mais fundo: "Descobria ali a sua música. E isso, descobrires a tua forma de expressão na arte, é raro e impagável. Sentia-se ridículo se tivesse de tocar um blues; ali não, porque sentia que ‘era' aquilo".

Retrospectivamente, o que ouvimos nestes quatro Megafone? Um trabalho em constante evolução, em que as formas mais agrestes da house e do jungle começam a ganhar calor orgânico e outras expressões, em que as vozes das recolhas passam a conviver com a voz de Aguardela, que escolhia para si as letras que, como explicava ao PÚBLICO em 1999, quebrassem "uma ideia formada sobre o que é cantado na música tradicional, com temas muito limpinhos e arranjadinhos": "Há textos em que me sinto mais próximo do universo dos Mão Morta do que propriamente da tradição", confessava então. Este ponto é essencial: quebrar ideias feitas, reconstruir, descobrir novos sentidos. Tudo resumido nisto que, também em 1999, declarou ao "Jornal de Notícias": "Estes discos podem ser vistos como folclore, pois a alternativa a eles é não fazer nada. Se tivermos uma atitude demasiado respeitosa arriscamo-nos a não ir longe. E isso não é solução para mim".

"Intuitivo", "curioso", metódico na pesquisa e célere na concretização das ideias, via a música de Megafone, aponta Sandra Baptista, "como um momento fotográfico" - "sem receio de ficar mal na fotografia ou com a fotografia distorcida".

Tiago Pereira, realizador de "Tradição Oral Contemporânea", videasta que se dedica a explorar pontes entre tradição e modernidade - como no espectáculo multimédia "Mandrágora", onde mezinhas e cantares tradicionais encontravam eco na música de Tó Trips ou Tiago Guillul -, destaca que o trabalho de Aguardela em Megafone era mais profundo do que a própria música: "O que ele fazia era passar um pensamento, mais do que um mero espectáculo musical". Para além da música, portanto: "Quando ele faz Megafone surpreende, tal como [o artista vanguardista] Ernesto Sousa, quando em 1969 traz a primeira exposição da [artesã] Rosa Ramalho, de Barcelos, a Lisboa e a põe numa galeria com o Julião Sarmento ou o Fernando Calhau".

Em 1997, quando foi editado o primeiro Megafone, ninguém estava preparado para aquilo: projecções vídeo de pastores e trabalhadores no campo, os ritmos a atirarem-se sobre as melodias e o público, embasbacado, sem saber como reagir. Sandra diz-nos que nos concertos, em Portugal, nem por uma vez o público dançou. Olhava-se em volta à procura de um sinal - "Como se dança Megafone?", pergunta retoricamente Sandra Baptista. "Era preciso aprender ou inventar", responde Luís Varatojo.

Música tradicional mutante

Em conversa com o Ípsilon, Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, não demora muito a sentenciar: "Parece-me que o povo português não é grande dançarino". Culpa o "processo de folclorização iniciado nos anos 1930, em que tudo foi reduzido aos ranchos folclóricos, e a música começou a ser feita de forma parada e cristalizada". Ou seja, mesmo existindo muito que dançar na música tradicional portuguesa, roubaram-nos a "espontaneidade": "É sempre preciso alguém que ensine, não há o chegar e dançar, como não há o chegar e tocar". Mais. Entre a "folclorização", aquilo que Guerreiro classifica como "a subjugação da tradição a uma ideia de poder" - Estado Novo, pois claro -, e um oposto que o confrontou, "o lado Giacometti", "mas que também criou os seus ícones e as suas falsidades", sobra uma zona difusa, que é onde tudo se renova, que é onde não há espaço para diabolizar ou sacralizar.

É precisamente aí que encontramos os Gaiteiros de Lisboa, é precisamente aí que, apesar de tudo o que os separa, está o Megafone: "O facto de termos abordagens diferentes sobre a mesma coisa não é suficiente para que haja divergência no nosso trabalho", conclui.

"O Megafone é um dos irmãos de uma família maior, a música tradicional mutante". É assim que António Pires, jornalista e crítico musical, autor do blogue "Raízes e Antenas", enquadra a obra do Megafone. Faz parte de uma família de criadores a que pertencem, por exemplo, a Banda do Casaco que, nos anos 1980, gravou com a pastora beirã Ti Chitas, ou os Sétima Legião, que, em "Sexto Sentido", fundiram tradição com electrónicas. Tudo gente que, como recorda António Pires, seguiu a preceito um aforismo de Gustav Mahler: "A tradição é a transmissão do fogo e não a adoração das cinzas". No caso de Megafone, vê-se ali "um trabalho de desconstrução iconoclasta, mas isso só acontece quando se ama profundamente a música tradicional". Caso contrário, acentua, "faria essa ‘desconstrução', por exemplo, com os Einstürzende Neubauten e canções de pigmeus africanos".

João Aguardela, ele que se sentia ridículo a tocar um blues, nunca o faria. "Quando toco o Megafone ao vivo, sinto-me um pouco como aqueles artesãos que trabalham à frente do público nas feiras de artesanato". Moldada a matéria perante os nossos olhos, resta-nos dar o próximo passo. A obra está aí, disponível para ser fruída e para inspirar novos futuros. É tempo de a aproveitar. Tempo de dançar Megafone.